
Esta fotografia foi tirada por mim na fase inicial da manifestação de Sábado contra as medidas de gestão da epidemia.
Não sei o que se passou na manifestação depois desta fase inicial porque só estive nesta altura, tendo voltado para casa quando começaram a descer para o Rossio.
Esperava encontrar 50 a 100 pessoas mas, para minha surpresa, eram bastantes mais, com gente muito variada, desde os radicais que aparecem nas fotografias mais publicadas, até famílias pacíficas como estas do primeiro plano da fotografia, cumprindo todas as regras em vigor (o uso de máscara não é obrigatório na rua, só quando não é possível manter o distanciamento, convém lembrar).
Não tencionava escrever sobre esta manifestação, apesar de me surpreender quer a quantidade de comentários de pessoas verdadeiramente zangadas que falam em três mil atrasados mentais e a quantidade de notícias sobre o facto de uma das pessoas ter testado positivo nos dias seguintes. Infelizmente, já não me surpreende, de todo, a opção do jornalismo alinhar com o poder contra o direito de expressão e manifestação das pessoas comuns.
O que me fez mudar de ideias foram as notícias de que a mesma polícia que acompanhou a manifestação, não fazendo qualquer intervenção para garantir a legalidade do que se passava, vir agora anunciar que vai fazer uma queixa crime contra os organizadores por causa de comportamentos individuais de manifestantes.
Alguém se lembra da polícia alguma vez ter perseguido os organizadores de uma manifestação por causa de comportamentos ilegais e violentos de alguns dos manifestantes?
Eu não me lembro, e não fico nada tranquilo quando a polícia decide não intervir no momento para garantir que alguém cumpre a lei para, depois, responsabilizar os organizadores da manifestação por não fazer o trabalho que competia à polícia no momento da manifestação: garantir o cumprimento da lei.
No entanto, a quantidade de gente que acha normal este comportamento do Estado, que defende este comportamento do Estado, que acha adequado estar do lado do poder contra as pessoas comuns, com base na ideia não demonstrada de que a manifestação de Sábado tem um potencial impacto na saúde pública maior que a actuação do Estado na gestão de lares, por exemplo, é que é verdadeiramente inquietante.
Eu não tenho nenhuma proximidade com grande parte das ideias que aparecem retratadas em imensas fotografias de cartazes desta manifestação, mas procuro não confundir o essencial com o acessório: muitas das medidas de política de gestão da epidemia são excessivas, desproporcionais e causam mais sofrimento do que aquele que evitam.
Para além de serem pura irracionalidade sem qualquer base factual, como acontece com o fecho das escolas.
Eu conheço, e até reconheço, o argumento de outros moderados radicais sobre máscaras: se for preciso usar máscaras em todo o lado para nos aproximarmos de uma vida de relação social normal e sossegar os medos que são inevitáveis durante surtos epidémicos, então mais vale não contestar as máscaras.
É o único bom argumento para aceitarmos a imposição do uso de máscaras na rua, medida sem qualquer demonstração de utilidade prática.
Só que as máscaras deixaram há muito de ser uma medida de gestão da epidemia e passaram a ser, essencialmente, um símbolo de virtuosidade, para os que defendem o seu uso na via pública, e um símbolo de liberdade, para os que contestam a necessidade da obrigatoriedade no uso de máscaras na via pública.
E enquanto se manteve este status quo simbólico eu fui-me mantendo agnóstico nesta discussão, não discuto o uso de máscaras, não uso quando acho que não devo usar, uso quando é obrigatório ou quando as pessoas com quem estou se sentem mais tranquilas se eu a usar, evitando fazer do seu uso ou não uso a questão simbólica e fracturante que se tornou dominante.
O que a intenção da PSP vem tornar claro é que se está a dar um passo diferente e muito mais perigoso: o uso de máscara é a gazua que o Estado está a usar para controlar o direito de manifestação por portas travessas, incluindo o direito a manifestar-se contra o uso de máscaras.
O resultado futuro parece-me claro: a radicalização e tribalização tenderão a substituir a discussão racional e a política aberta que permite a discussão civilizada de posições inconciliáveis.
E isso não é nada, nada bom.
pensei que a manif do be fora patrocinada +elo ps
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ResponderEliminarHPS, conhece as redes usadas nas capoeiras. Ainda as tenho no meu quintal.
O espaço livre entre os arames sempre deu para passar uma mosca varejeira. Qualquer vírus é cerca de 1.000 vezes menor quer os buracos de qualquer máscara — mesmo aquelas usadas em cirurgia.
Creio que me expliquei.
Não se aborreça.
Quando o povoléu não tiver dinheiro para comer, e entender que o ouro e a prata não alimentam, e que o papel das notas bancária servirá bem para limpar o rabo...
Abraço
ResponderEliminarNão sei, mas creio que os organizadores de manifestações em Portugal têm geralmente um serviço de ordem, que se encarrega de vigiar que a manifestação corra ordeiramente e sem que a lei seja ultrapassada. Penso que o PCP e a Intersindical não deixam os seus créditos por mãos alheias nessa matéria.
ResponderEliminarO PCP já organizou manifestações durante a epidemia. Eles são profissionais e fazem tudo com todo o cuidado. Os manifestantes têm sítios para estar e não estão a menos de 2 metros uns dos outros. Abanam umas bandeiras, gritam uns slogans, ouvem uns discursos, mas não se aproximam uns dos outros.
Os organizadores desta manifestação contra o confinamento bem poderiam ter feito isso mesmo. Porque uma coisa é lutar contra o confinamento - e nisso têm toda a razão - outra coisa é admitir que pessoas de diferentes famílias se juntem a pequena distância sem máscaras - e aí não têm razão.
ResponderEliminarCaro Henrique Pereira dos santos
Tenho acompanhado com o maior interesse e proveito as suas análises meticulosas relativas ao Covid 19, e na grande maioria das vezes estado da acordo com as suas dúvidas, o seu cepticismo aos alarmismos e confinamentos brutais, que porventura salvando algumas vidas criam um excesso de mortes não justificados por aquele quando comparados com, por exemplo a Suécia( Impertinências blog de dia 23 Março ).
Não tenho ideia de lhe ter lido algo escrito sobre a vacinação em massa, que julgo ser também um elemento fulcral nas disposições e medidas farmaceuticas seguidas, julgo que universalmente.
Já li e ouvi as mais disparatadas teorias da comspiração, em que o casl Gates e a ONU, através da agenda 21 relativo ao desenvolvimento sustentável, se propunham matar uma significativa parte da população de forma a o permitir. Nem os vou comentar...
Mas deixo-lhe abaixo um vídeo de uma entrevista a Geert Vanden Bossche, que desenvolve vacinas na Univac, que me alertou para um eventual risco de estarmos a utilizar a arma certa (vacina) para uma profilaxia, no momento errado ( vigência de uma pandemia).
Se esta matéria está fora dos seus horizontes de interesse, ou já a conhece, peço-lhe desculpa por ser inoportuno, ou mesmo maçador.
Mas se lhe merecer um comentário terei o maior gosto em ouvir a opinião de quem, através de estudo aturado dos problemas, sustenta uma opinião de senso comum e precaução com as fáceis generalizações.
Desculpe o atrevimento
Melhores cumprimentos
Vasco Silveira
Tenho todo o gosto em ter comentários que me mostram caminhos para mais informação.
ResponderEliminarNão escrevi sobre vacinas até agora porque não tenho nada a dizer sobre o assunto, não sei o suficiente para sequer ter dúvidas sobre o princípio geral de que a vacinação é uma coisa intrinsecamente boa.
Um amigo meu respondeu a isso da seguinte forma "em que escola, local de trabalho ou centro dia" estiveram essas pessoas todas juntas para ir já denunciá-los à policia?
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