O título do post era o mantra do senhor secretário geral da Organização Mundial de Saúde durante muito tempo e continua a ser a base de quase todo o discurso apocalíptico sobre a covid.
A defesa de medidas radicais de contenção da evolução da epidemia assentes na ideia simples (e simplista, mas deixemos isso agora) de que contágio é contacto e portanto reduzir contactos, coercivamente, se preciso for, é sempre reduzir contágios, vive exclusivamente dessa ideia de que uma desgraça terrível se abaterá sobre nós se não estivermos todos em casa, a um canto, a usar apenas computadores para mantermos as nossas relações sociais.
Sendo verdade que contágio é contacto, não é de todo verdade que contacto seja contágio e, consequentemente, se o número de contactos que resultam em contágio for suficientemente pequeno, reduzir contactos não altera grande coisa a evolução da epidemia sem que, previamente, estejam bem identificados que tipo de contactos geram contágio.
Note-se que oficialmente um contacto de risco elevado pressupõe distâncias menores de dois metros (esta distância varia, na verdade é mais provável que a distância que interessa esteja algures entre o metro e metro e meio), interacção face a face e, muito relevante mas frequentemente esquecido na definição das regras, pelo menos quinze minutos de contacto.
Todos os outros contactos são considerados de baixo risco.
Se tomarmos a sério o que acima está dito, não faz o menor sentido obrigar ao uso de máscaras na rua, quando nos cruzamos, para circular momentaneamente num restaurante ou café, quando se está pontualmente numa loja. Note-se que mesmo que se esteja mais que um quarto de hora num loja, basta estar a mais de um ou dois metros de outras pessoas, menos que quinze minutos, para não haver grande risco de contágio, o que permitiria alterar francamente as regras que hoje tolhem o comércio e a nossa vida quotidiana.
Eu sei que há a conversa dos aerossóis, mas basta arejar para resolver isso. Em qualquer caso, há pouquíssimos casos de contágio associados ao uso de aviões, ou de lojas ou mesmo de transportes públicos em geral, pode-se argumentar que não se sabem onde são a maioria dos contágios mas isso não é bem assim, por alguma razão os inquéritos epidemiológicos se focam num tipo de contactos - de proximidade, prolongados, etc. - e não noutros.
E, por alguma razão, grande parte dos surtos mais preocupantes - preocupantes por continuarem a ser frequentes, preocupantes por evoluírem em grupos especialmente vulneráveis à doença e preocupantes por darem origem a qualquer coisa como 40% da mortalidade - são em lares.
As afirmações de que daqui a duas semanas é que veremos como vai ser dramático continuam a ser desmentidas pela realidade: na maior parte das vezes não se verificam as previsões feitas e, quando aparecem surtos com relevância, apanham toda a gente de surpresa, quer no tempo, quer no espaço, quer na dimensão em que ocorrem.
Em qualquer campo do conhecimento em que uma visão de um problema desse origem a manifesta incapacidade para prever a sua evolução, quer falhando porque o fenónemo não evolui como previsto, quer porque o fenómeno se manifesta em circunstâncias não previstas, essa visão teria claras dificuldades em se tornar dominante.
Mas na epidemia entram em jogo três factores fundamentais.
O primeiro, da ordem da racionalidade, é o facto de, no momento da decisão, o erro da previsão não ter custos semelhantes quer se tome a decisão A ou a decisão B. Admitindo-se que a previsão está errada, não agir não tem um grande custo, mesmo que não tenha grande benefício. Admitindo-se que a previsão está certa, não agir tem um custo catastrófico. Logo a incerteza corresponde a um forte incentivo a que se tomem medidas, sejam elas quais forem, tenham elas a eficácia que tenham, que até pode ser nenhuma (no caso da epidemia isto é apenas verdade se se desconsiderarem, como desconsideram, os efeitos secundários das medidas adoptadas).
O segundo, da ordem da astrologia sob o manto diáfano do que se decidiu considerar como ciência, é a ideia de que a previsão estava certa, mesmo que não confirmada pela realidade, porque a diferença corresponde ao efeito da acção. Logo, as acções adoptadas estarão sempre certas: se a realidade confirmar as previsões, ou se a realidade não confirmar as previsões porque entretanto foram adoptadas as acções recomendadas.
O terceiro, da ordem da natureza humana: o medo de que "the worst is yet to come", que reforça a aceitação das duas falácias anteriores.
E é isto, o medo do futuro, seja de epidemias, seja do terrorismo, seja da instabilidade social, seja do que fôr, tem vindo a fazer o seu trabalho de erosão das liberdades individuais e de responsabilização individual pelas opções de cada um.
E isso não é questão que se resolva de forma racional: ou se percebe que os princípios se chamam princípios porque vêm antes de tudo o resto, ou haverá sempre razões para ir aceitando a ideia de que é legítimo ao Estado, arbitrariamente e sem nenhuma fundamentação séria, decidir que num fim de semana eu posso ir à pesca, no outro só posso ir à caça, no outro ainda posso ir visitar a minha avó e no que vem só posso esperar, mesmo que não saiba o que espero.
tendo em conta que a situação em lugar de melhorar está piorando a olhos visto , penso que é legitimo concluir que o que está a ser feito não serve para nada e que os governos fracassaram completamente na missão a que se propuseram e que o bicho é muito mais esperto que os humanos., aliás , conseguiu que desaparecessem do mapa doenças como a gripe , é obra.
ResponderEliminarSe as medidas de contenção fizessem efeito não deveria haver agora surtos em lares. O que se prova que isto é tudo uma grande falácia.
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ResponderEliminarNuma loja está-se usualmente cinco minutos frente a frente com o empregado da caixa, a cerca de um metro de distância. Parece-me um risco não despiciendo.
ResponderEliminarhá a conversa dos aerossóis, mas basta arejar para resolver isso
Pois, mas o próprio Henrique Pereira dos Santos escreveu, noutros posts, que o arejamento no inverno é pouco praticável e até perigoso, devido ao frio. O arejamento provoca mais constipações do que elimina covid-19.
ResponderEliminarAs afirmações de que daqui a duas semanas é que veremos como vai ser dramático continuam a ser desmentidas pela realidade
Pois, mas a realidade pode agora mudar devido à nova estirpe mais contagiosa que veio da Inglaterra para Portugal.
O Henrique Pereira dos Santos fez uma previsão de que em meados de janeiro a situação irá estar melhor do que imediatamente antes do Natal. Temo bem que essa previsão do HPS vá sair errada, por culpa (provavelmente, digo eu) não do Natal mas sim da nova estirpe do vírus. (E por culpa também do Natal, em que montes de portugueses emigrados em Inglaterra terão vindo visitar a família a Portugal.)
depositam-se nas poeiras sobretudo nas de merda de cão
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ResponderEliminaraliás , conseguiu que desaparecessem do mapa doenças como a gripe
É uma grande verdade. A gripe no verão passado não existiu no hemisfério sul, e agora não aparece no hemisfério norte (apesar de toda a gente em Portugal ter querido vacinar-se contra ela). E ninguém sabe por quê. Há quem diga que é por causa das máscaras, mas há quem diga que todos os casos de covid que têm sido identificados são na verdade gripes vulgares.
Ó anónimo então mas as previsões não apontavam para uma média de 10000 a 15000 infectados diariamente em Dezembro? Ou essas previsões não valeram?
ResponderEliminarA versão agora do gigante adamastor é a nova estirpe?
Se calhar é melhor ficar em casa, a um canto, encolhido, à espera que os vírus todos morram, e que venham trazer o ordenado e a comida. Mas tudo desinfectadinho.
Ó anónimo não será melhor arranjar uns campos de concentração para meter os infectados?
ResponderEliminarEstamos voltando para a idade média.
Em tal época a ameaça de danação era irmos todos para o infernos, caso houvesse qualquer dúvida sobre a existência divina ou sobre cumprir as ordens dos ungidos que governavam.
Para salvar o mundo das maldições demoníacas os ungidos prescreviam comportamentos baseados na "ciência" teológica e os céticos, hereges e desobedientes eram acusados de BRUXOS(AS), POSSUÍDOS e lá mais quantas idiotices se pudesse conceber. Por isso eram supliciados para o prazer dos MANÍACOS SÁDICOS que se comprazem com a humilhação e o sofrimento alheio.
Bem diziam os franceses:
"PLUS ÇA CHANGE PLUS C'EST LA MÊME CHOSE"
Encontro no post do Sr. Henrique Santos muitas certezas alicerçadas em... nada de concreto. Não cita um único estudo que tenha sido realizado em ambiente controlado e que possa fundamentar todas essas certezas de que a máscara é inútil nesta ou naquela situação. Ou seja o escrito sofre do mesmo mal que aponta às autoridades de saúde ("Desculpe lá Sr. Henrique, mas o que o senhor escreveu não vale os bits gastos para o armazenar. Pior do que isso, pode induzir as pessoas a comportar-se de forma errada facilitando os contágios. Só para dar um exemplo do muito que está errado na sua argumentação, o que sucederia ao Sr. Henrique se fosse calmamente pela rua e se cruzasse com um cidadão sem máscara e portador de covid que espirrasse nesse preciso momento ? Seriam as tais máscaras (inexistentes na situação) inúteis ?
ResponderEliminarNunca fiz essa previsão.
ResponderEliminarDe resto, obrigado pela demonstração de que como é eficaz a ideia de que amanhã é que vai ser.
Duvido que tenha exactamente escrito isso (defender o arejamento em algumas circunstâncias não é o mesmo que defender escolas de janelas abertas)
ResponderEliminarNão estou a falar do que lhe parece, mas do que está escrito nos documentos oficiais: menos de 15 minutos de contacto é um contacto de baixo risco
ResponderEliminarPode transcrever exactamente em que sítio eu digo que as máscaras são inúteis?
ResponderEliminarQuanto ao exemplo que dá, eu não vou dizer se uma máscara é útil ou inútil nessas circunstâncias porque não sei (o que a OMS diz é que seria útil que os infectados usassem máscaras em sítios fechados, com ocupação densa e onde onde não possam ser mantidas as distâncias, se tem razão ou não, não sei) o que sei é que rigorosamente toda a gente que estuda o assunto diz que na situação descrita, o essencial é que quem espirra o faça para o sangradouro (para o caso de não saber o que é, é o nome dado à parte interior do braço na zona do cotovelo), e não para o ar, sendo muito perigosa a falsa sensação de segurança de que uma máscara substitui esse comportamento responsável.
Acho que os 2 últimos parágrafos são do melhor que li na Internet nos últimos anos. Deviam estar fixos em todos os lugares públicos para que todos lessem estas palavras. Parabéns.
ResponderEliminarMedo e culpa. Eles não se coibem de jogar com estes sentimentos perniciosos às pessoas. Lamentável.
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ResponderEliminar"The worst is yet to come" podia ser o título deste segmento dos Simpsons, que já a sabiam toda: https://newtube.app/user/MyAmericana/89K4HLe
Noutro registo e satisfazendo um pedido de esclarecimento da empresa Froes, Marçal & Companhia, Lda., alguns artigos científicos sobre eficácia de medidas não-farmacêuticas:
"Nonpharmaceutical Measures for Pandemic Influenza in Nonhealthcare Settings—Personal Protective and Environmental Measures"
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7181938/
«Although mechanistic studies support the potential effect of hand hygiene or face masks, evidence from 14 randomized controlled trials of these measures did not support a substantial effect on transmission of laboratory-confirmed influenza.»
"Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers - A Randomized Controlled Trial"
https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M20-6817
«Although the difference observed was not statistically significant, the 95% CIs are compatible with a 46% reduction to a 23% increase in infection [in the mask wearers].»
"Impact of non-pharmaceutical interventions against COVID-19 in Europe: a quasi-experimental study"
https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.05.01.20088260v2
«Surprisingly, stay-home measures showed a positive association with cases. This means that as the number of lock-down days increased, so did the number of cases. The use of face coverings initially seems to have had a protective effect. However, after day 15 of the face covering advisories or requirements, the number of cases started to rise. Similar patterns were observed for the relationship between face coverings and deaths.»
"Full lockdown policies in Western Europe countries have no evident impacts on the COVID-19 epidemic"
https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.24.20078717v1.full.pdf
«While new medical treatments proposed to cure COVID-19 cases are required to be validated through controlled double blind studies, the benefits and risks of social distancing strategies are not subject to any comparative tests. However, full lockdown measures, (...) have not been experienced in Western Europe countries for centuries, and their effects in contemporary population’s mental and physical health is largely unknown. (...) Nevertheless, increased mortality due to difficulties of access to basic health care, increased mental conditions linked to isolation, as well as social consequences of economic recession, despite being unquantifiable so far, is to be expected. Such measures are thus only appropriate if their impacts on limiting the epidemic spreading save more lives than their inherent death toll.»
Acabo de submeter a publicação comentário onde figuram vários artigos científicos (e excertos) sobre eficácia de máscaras e confinamentos. É ler.
ResponderEliminarA gripe já foi muito reduzida nos últimos 2 anos - a mortalidade no euromomo nos últimos 2 Invernos não mostra nenhum pico significativo.
ResponderEliminarA estirpe não veio de Inglaterra. O UK é dos poucos países que monitoriza o genoma do SARS-Cov-2 para detectar mutações e por isso detectou essa mutação. Se um país também não fizer testes para o SARS-Cov-2 também não tem casos de Covid-19!
ResponderEliminarA "gripe espanhola" também não tinha origem em Espanha, apenas a Espanha em 1918 não participava na guerra e era dos poucos países que dados de número de doentes e mortos...
ResponderEliminarPois é, se acabássemos com o Natal era muito melhor
ResponderEliminarBoa tarde. Não me parece que se deva acabar com o Natal, mas presumo que não discordará de que proporcionar ajuntamentos em centro comerciais, supermercados etc. até às 1300 h é disparatado e com maus resultados.
ResponderEliminarAntónio Cabral
Não sei o que o faz supor que as pessoas que fizeram o teste uns dias antes eram uns irresponsáveis que o fizeram para se libertarem de precauções e não pessoas responsáveis que queriam uma garantia adicional que não estavam infectados, independentemente de continuarem a adoptar comportamentos responsáveis.
ResponderEliminarNem sei o que o que faz ter a certeza de que são os comportamentos do Natal que dão origem a maiores incidências em Janeiro e Fevereiro, e não a mudança do tempo, até por haver muitos países em que esse efeito de Natal não se verifica.
Disparatado é com certeza, com maus resultados não faço ideia porque ninguém, até hoje, conseguiu saber os resultados de qualquer destas medidas.
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ResponderEliminarLamentável, mas lucrativo para alguns.
ResponderEliminarUma imagem vale por mil plavras: http://prntscr.com/wguiah
(fonte: https://placotrans.infarmed.pt/publico/listagempublica.aspx)
É só pesquisar por "Froes" e "seguir o dinheiro".
Elvimonte,
ResponderEliminarMuito boa e muito importante achega. Quase todas as referências têm origem em locais que são conhecidos pelo seu elevado nível científico e pela sua segurança técnica.
Obrigado
Somos um "triste" povo lusitano que aceita sem guerra o que nos vão mandando. Domingo tinha todo o gosto, depois de uma semana de trabalho, em ir à caça, sozinho ou mantendo a distancia obvia dos meus companheiros de jornada, mas não posso.
ResponderEliminarConcluo facilmente que os que enchem a boca com a palavra liberdade, são os mesmos e primeiros que a querem só para eles e não para o seu povo...