sexta-feira, 5 de julho de 2024

Não sabemos o que será da França

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Ontem, os britânicos, mergulhados numa crise económica e social profunda, despacharam o partido conservador depois de 14 anos de governo e trágicas asneiras dando uma maioria assinalável aos trabalhistas para governar os seus destinos. Claro que eles, para obterem esta conquista esmagadora de círculos eleitorais, trataram primeiro de correr com os radicais e elegeram uma liderança moderada, beneficiando de uma quebra de mais de 20% dos votos dos conservadores e do sistema eleitoral. 


Já em França o futuro é algo difícil de prever, que os franceses há muito cuidaram de cortar a cabeça ao rei. Mas há um padrão que se adivinha inevitável: depois das eleições no domingo, nas principais cidades do país, haverá muitas montras destruídas, automóveis queimados e pedras a voar. Tudo aponta para a vitória do Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen e da jovem promessa Jordan Badella, porventura sem maioria absoluta, para enfrentar uma “barragem republicana” liderada pelo partido de Macron que não teve pudor de nela incluir a esquerda radical com propostas tão ou mais radicais quanto a extrema-direita. Tudo isto seria grave se não fosse trágico, se considerarmos a panela de pressão que é a França nos nossos dias, com as finanças descontroladas e reivindicações dos extremos impossíveis de satisfazer.


Talvez os irredutíveis franceses estejam habituados a este ambiente caótico e um milagre à beira do precipício adie o descalabro, que rapidamente se estenderia à União Europeia. Incapazes de encontrar pontes e consensos, os franceses há muito tempo dessacralizaram o poder e os seus símbolos, e vão malbaratando “repúblicas” à procura duma receita que apazigue o seu frémito fracturante, quem sabe herdado da Revolução. Foram demasiadas cabeças cortadas. Como dizia um “macronista” parisiense citado no Observador, “Ao início, um Presidente é sempre muito popular. Depois perde essa popularidade. Foi assim com Sarkozy, com Hollande, agora com Macron. Temos sempre este impulso de querer cortar a cabeça ao Rei.” A questão dos franceses há muito que não é política ou ideológica. Trata-se duma insatisfação existencial, espiritual.


Espero que Portugal, que deve muito da sua cultura política a esta França revoltada e histriónica, ganhe logo à noite a eliminatória aos Galos. É que o futebol tapa muita coisa, e nós por cá também temos as nossas questões irresolúveis.

34 comentários:

  1. O problema são a China e a Índia. Basta comparar o PIB do Reino Unido e França com a evolução do da Chine e Índia. Vivem com as benesses e nível de vida de quando eram superpotências económicas, sem se aperceberem que já perderam esse lugar. 

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  2. Convém notar que dois terços dos britânicos não votaram no Labour. Ou seja, o partido vencedor conseguiu dois terços dos deputados tendo apenas um terço dos votos validamente expressos. São consequências do sistema eleitoral britânico, que foi desenhado a pensar num sistema de dois partidos apenas.

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  3. o eterno complexo de 'MATAR o PAI'

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  4. Tem razão, por isso editei o primeiro parágrafo, facto que não altera o sentido da minha mensagem 

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  5. Caro G. Elias, se utilizar a mesma regra de cálculo, que votação teve o Chega? É que dizem que somos mais de 10,8 milhões de eleitores.

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  6. O número de eleitores é irrelevante. Para o apuramento do número de mandatos interessa o número de votantes, os restantes não contam.

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  7. "...


    Alguns números: variação da percentagem de votos desde 2019 (ainda com o "radical" Corbyn à frente do Labour):


    Labour: +1,6%
    Conservative: -19,9%
    Reform UK: +12,3%
    ...


    A realidade dos números não confirma aquilo que é afirmado no excerto citado: de Corbyn a Stamer vão apenas +1,6% em percentagem de votos. 

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  8. Não sabemos o que será da França tal como não sabemos o que será de Portugal, da Europa ou do Reino Unido. Há uma questão que está a dividir a Europa: A imigração. 

    E se você não pensar que imigrar é um direito humano e que todos os que procuram a Euroa devem ser recebidos de braços abertos só lhe resta ser um perigoso extremista de direita, racista e xenófobo.

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  9. Um Marxista logo um genocida como Corbyn não é radical....

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  10. Isto são os resultados do jornalismo. A maior parte dos problemas  aí têm origem. 11 de Setembro foi o resultado de décadas de jornalismo a recompensar terroristas com poder politico.


    Jornalismo de "referência" "moderado" mas na verdade de influência Marxista e essencialmente desonesto.

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  11. O que está a dividir a Europa é a barriga. Cada vez mais vazia. 
    Se calhar há tantos ou mais europeus f.... com o dinheiro que se envia para a Ucrânia do que com os migrantes.

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  12. O problema é que existem dois pesos e duas medidas. Se for de esquerda ou de exterma esquerda, é um intelectual, é democrático, se for de direita é extremista, antidemocrático, xenófobo, racista e desprovido de inteligência e nem sequer tem direito a opinião, Só pode existir uma narrativa, a oficial, aquela que os média impoem, é isto a que alguns chamam de democracia e é isto que temos presenciado nesta europa nos últimos 10 anos. A questão é que cada vez mais há pessoas a pensar fora desta caixa e quando chega a hora de votar mostram que estão descontentes e que não concordam com esta narrativa.

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  13. É mesmo. "É que o futebol tapa muita coisa, e nós por cá também temos as nossas questões irresolúveis".
    Mas não é só o futebol que tapa muita coisa. Há outras coisas que também tapam muita coisa como carradas de assuntos fúteis nas redes sociais a que muitos com pouca cultura dão valor. Eles não percebam que os assuntos fúteis não são para o bem deles e servem como diversão.


    E os nossos problemas são pouco falados. Falar no que acontece noutros países também ajuda a tapar algumas coisas e mantêm alguns ocupados. Não se deve especular sobre o futuro de outros países nem serve para nada. É só aguardar.

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  14. se fosse questao de  apostas, apostaria que a frança vai continuar na mesma, mesmo se ganhar a extrema direita e mesmo se absoluta. 
    O mundo é economico-financeiro, as linhas estao traçadas, e portanto abolidas as revoluçoes. 

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  15. De que França e de que franceses ( e "franceses"...) falamos?
    Aí é que está o problema...e no R.U., Bélgica, Holanda ( dizem-me que mudou de nome...), Suécia...
    Curiosamente, nada nas antigas colónias soviéticas... 
    Vá-se lá saber porquê...
    Juromenha

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  16. Se nós estivessemos em França em 1941 diria que se calhar colaborava.

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  17. Ao lado de "genocídio" podem colocar-se várias pessoas, etnias, raças e países. Relativamente a estes últimos, ocorrem-me imediatamente os EUA e Israel, mas há muitos mais. Se bem que Israel, embora acusada e havendo providências do TIJ nesse sentido, ainda não tenha sido condenada e os EUA nunca o tenham sido por razões óbvias.


    Já Stamer, não  sendo "Marxista e genocida" - tal como Corbyn, ao que parece, mas deixe-se isso de lado - ocupou o cargo de Chief of the Crown Prosecution Service, tendo assumido um papel importante na acusação e prisão de Julian Assange (libertado recentemente). Não acho, por isso, estranho que a "limpeza" no Labour tenha sido tão radical após a sua chegada à liderança, não havendo hoje nada de substancial que o distinga. E o resultado é este: dos partidos que cresceram em percentagem de votos, o Labour é dos que menos cresce - uns meros 1,6% contra 12,3% do Reform UK.

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  18. A Holanda tem o nome que sempre teve

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  19. Curiosos exercícios de  "democracia" e "valores democráticos"
    Reino Unido: Keir Starmer com 33% obtém 410+ deputados (maioria absoluta) LibDem 12% com 71 deputados e Nigel Farage 14% apenas 4 deputados (!).
    Em França, Marine LePen também virou 33% e dificilmente obterá maioria absoluta na segunda volta...
    Quando o "centrão" se instala no poder tudo faz para que mais ninguém lho possa tirar

    Just saying...

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  20. Esse texto assenta na premissa falsa de que existe livre arbítrio e na ignorância de que a tradição milenar cristã defende a separação entre Estados Nações. O seu desconhecimento das investigações na neuro biologia e filosofa da mente, nomeadamente o facto de que a consciência das nossas intenções surge 500 milissegundos depois de, na estrutura neuronal dos órgãos, que não o cérebro, elas já estarem tomadas. Isto permite evidenciar que há certos erros de cópia nos quais a cultura tem dificuldade em lidar através da ilusão de que a diferença é livre escolha. Por outro lado, só a estrutura familiar é a pedra de toque da cu,tira crista e mesmo aí cabe sempre a tolerância. Fazer passagem para afirmações nacionalistas de Estado nação é arbitrário, salvo a contingência de começo ab origine do povo eleito. O que está na base cristã é que a igualdade de direitos está acima de qualquer diferença determinada por condições históricas/ geográficas dos povos, onde caberá a ideia de uma Europa nação a caminho da única nação que existe,  a humanidade. A narrativa dos media devia pautar se pela concentração de debates em torno dos fundamentos da natureza humana, para esclarecimento das pessoas no sentido de saberem que conceitos como democracia e livre arbítrio são forjados arbitrariamente numa manipulação plutocrata. 

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  21. O que parece ter chegado a um grau irreversível de hipocrisia, falsidade e decadência é a sociedade e vemos isso bem nas redes sociais. É cada (não) assunto que nos deve preocupar. As redes sociais ajudam a avaliar a cultura das pessoas e a sua maturidade. E o que vemos é preocupante.

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  22. Há 2 questões na geopolítica 
    A social, que depende muito da percepção, mas principalmente do conforto 
    A política, que depende de saber qual o cavalo certo em que apostar


    Moralidades ficam na óptica da teologia, mas o Clero (fingindo que se regiam só por este parâmetro) já manda pouco.

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  23. Muitos parabéns! Perfeito! 👌

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  24. Muitas premissas falsas ou fortemente disputáveis.
    Poucos são os unicos direitos humanos - consagrados na Constituição Americana como inalienáveis e concedidos pelo Criador (e não pelo Estado) como o direito à liberdade, liberdade de pensamento, igualdade sim mas a igualdade de oportunidades. Direitos à imigração ? Talvez, mas nunca pode atropelar os direitos dos que já lá estão. Direito à habitação, ao trabalho, à educação ? (Intencionalmente) errado na fraseologia, o termo correcto seria igualdade de OPORTUNIDADE à habitação, ao trabalho, à educação. Não existem pessoas iguais. Não existem méritos iguais. Seria óptimo se todos vivessemos numa cultura de pós-abundância e recursos inesgotáveis que a todos, pudesse oferecer tudo, a troco de nada. O que a acontecer, seria a estagnação e o fim da espécie humana.

    Fugazi, fugazi, aldrabices, manipulações linguisticas, esquecimentos selectivos, e (falso) eudeusamento do Estado como se o Estado (graciosamente) nos oferecesse o que é nosso por direito, e não como a responsabilidade que tem de garantir esses direitos, porque os povos assim concederam esse mandato aos Estados - que se não cumprirem, mudam-se, e esses os reflexos que (felizmente) começam a aparecer.

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  25. Ocorrem porquê? Talvez devesse saber o significado das palavras. 
    Estranho como não incluiu os Palestinianos da FATAH e do Hamas como genocidas.

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  26. Todas as organizações humanas são exploradas e corrompidas pelos humanos.


    A democracia obviamente cai quando todos perceberem que podes votar no politico x para este tirar riqueza aos teus vizinhos, para te dar uma parte do que tirou a ti.

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  27. Errei. 
    Não é "se calhar", é "de certeza que".

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  28. As redes sociais são o Reino dos Idiotas com Opinião, onde os imbecis passam o tempo a sinalizarem-se uns aos outros.

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  29. Estou consigo no geral. Permita me apenas salientar que não existe lugar a oportunidade quando se trata de necessidades da natureza humana. Ninguém perde a oportunidade de ter uma habitação, uma educação e uma liberdade de pensamento. Não se trata de pessoas iguais. Óbvio. Trata se de direitos garantidos por necessidade básica de qualquer ser humano. Não existirem méritos iguais é óbvio. O que não é óbvio é, e aí já há lugar, o direito às oportunidades de se manifestarem. Por isso, meritocracia é uma falácia. Quanto há imigração, o problema está na eterna exploração do hemisfério sul pelo norte. Matérias cotadas em bolsa, que fazem a qualidade de vida da Europa, USA e Rússia, são extraídas de forma autoritária nos países produtores que, na manipulação do mercado, leva os pequenos produtores autóctones à miséria. Estamos a falar de cacau, algodão, acucar. Essa era a guerra de Che contra os americanos perante o corrupto ditador Baptista. Na miséria, os autóctones emigram dos seus países e, não se trata de virem tirar os empregos em forma de imigração. Há para todos. Não há é lugar a discriminação porque são estrangeiros, uma vez que são vítimas do imperialismo do meu país. Lembre se, o comunismo nao é viável como doutrina, mas continua a ser muito util como metodologia enquanto arma dos explorados. Avance o liberalismo de oportunidades, mas com consciência e regras de humanismo.  

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  30. Não existe democracia. Nunca existiu. Numa sociedade de desinformação, não existe liberdade de consciência porque a natureza humana não permite livre arbitro. A neuro biologia e a filosofia da mente mostram. Tudo é manipulado por uma plutocracia de advogados. 

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