Há cerca de um mês e meio que a Alemanha tomou um conjunto de medidas de contenção da epidemia, mas um mês e meio depois os números, sobretudo da mortalidade, são muito pouco confortáveis (uma média diária de mortos que é o dobro da média da Primavera, sendo evidente a clássica duplicidade de se dizer que quando as populações de lince aumentam isso se deve às políticas de conservação, e quando diminuem isso se deve à escassez de coelho provocada por mais uma doença infecciosa).
Devemos concluir que talvez seja melhor aceitar que as medidas que andamos a tomar não têm os efeitos que lhes atribuímos?
A questão é muito simples: as medidas são boas e funcionam e, se não estão a funcionar, como na Alemanha, é preciso responder à necessidade política urgente de agir, assegurando-se aos eleitores que se morre gente por causa de um vírus, isso seguramente não é responsabilidade dos governos.
Conclusão: aumentamos e aprofundamos as medidas de contenção que não estão a funcionar mas agora vão funcionar.
E ainda há um amigo meu, grande partidário desta lógica de adopção de medidas, que diz que eu é que tenho um pensamento mágico sobre a epidemia.
É perfeitamente verdade que o Henrique tem um pensamento mágico sobre a pandemia: afirma repetidamente que a pandemia evolui de acordo com a sua própria lógica interna, lógica essa que o Henrique não é capaz de desvendar nem explicar. Ou seja, para o Henrique a pandemia evolui de uma forma irracional, suprahumana e, basicamente, mágica.
ResponderEliminarLeio sempre com muito agrado os seus textos, com os quais estou sempre de acordo.
ResponderEliminarPor acaso, nestas duas últimas semanas lidei de muito perto com 3 situações de pessoas infectadas com quem tenho relações profissionais e conclui que ninguém sabe bem o que anda a fazer.
Uma delas faleceu em casa com um AVC fulminante, confirmado pelo médico do INEM e que após 11 dias de morgue foi testada e dada como positiva, pelo que "faleceu por covid" e obrigando toda a família a uma quinzena de confinamento obrigatório.
Nas 3 situações ouve decisões e procedimentos completamente diferentes umas das outras por parte das autoridades de saúde.
O que me faz pensar que se eu tiver, ( e já tive) algum dos sintomas que essas pessoas tiveram, nem digo nada.
Como eu deve haver muito mais gente, o que devemos concluir que a população que já teve contacto com o virus deve ser bastante mais que os 300 e tal mil
As medidas funcionam, basta ver pelas brilhantes conclusões.
ResponderEliminarQuando não há confinamento a transmissão do vírus é feita na rua.
Quando há confinamento a transmissão do vírus é feita em casa.
Isto faz lembrar a conclusão dos cientistas quando tiraram as asas à mosca e lhe disseram para voar - a mosca sem asas não ouve.
ResponderEliminarse eu tiver algum dos sintomas, nem digo nada
Claro que não. Só se fosse parvo!!!
Se uma pessoa disser que teve sintomas, imediatamente nos vêem testar e, se o teste der positivo, forçam-nos a duas semanas (pelo menos) de quarentena. Que é como quem diz, prisão domiciliária. Ou seja, somos castigados, como se fôssemos malfeitores.
Portanto, uma pessoa racional não deve dizer que tem sintomas.
Balio,
ResponderEliminarAcredita então que a natureza é racional e que o Homem percebe tudo o que o rodeia? Demasiado antropocentrismo também pode dar no pensamento mágico. Fique bem.
Catarina Silva
ResponderEliminarCatarina,
deixemos de parte a filosofia.
O Homem procura explicações, isto é, histórias explicativas, para a Natureza; neste caso, para a evolução da contaminação viral.
A maioria das pessoas tenta construir histórias explicativas racionais, tipo, este indivíduo contaminou-se aqui e depois contaminou este e aquele desta e doutra formas.
Mas o Henrique parece preferir uma história irracional, mágica, tipo, o vírus evolui de forma quântica, probabilística, indeterminada, com saltos bruscos imprevisíveis, de acordo com uma lógica lá dele que nós não podemos descortinar.
Não se trata daquilo em que eu acredito ou não acredito. Trata-se de eu fazer notar que a ideia do Henrique, que nega a possibilidade de compreendermos e prevermos a evolução da contaminação, é radicalmente contrária à ideia que a maioria das pessoas prefere.
Mas você já reparou que o vírus pode ser semelhante ao vírus da gripe na sua transmissão e ter mais a ver com o clima do que propriamente com as pessoas?
ResponderEliminarNão é no inverno que há mais gripes?
Este vírus pode ter o mesmo tipo de transmissão e quando o tempo arrefece a probabilidade de infecção ser muito maior.
Os hospitais sempre estiveram a rebentar pelas costuras no inverno, porque é que este ano havia de ser diferente?
Sempre houve listas de espera, nunca conseguiram dar vazão às cirurgias.
Não percebo porque é que se insiste nestas medidas absurdas que aumentam drásticamente a miséria e provocam mais mortes que a própria doença.
Luís, tem lá paciência, mas o que eu digo não é nada disso, pelo contrário, desde o princípio que digo o exacto inverso disso: as doenças respiratórias infecciosas têm padrões que devem ser usados como referência para a sua gestão, que é uma coisa bem diferente de pensamento mágico
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ResponderEliminarOnde raio está isso dito pelo autor. O que foi dito é que isso não foi conseguido.
Excelente resumo do pensamento mágico-politico.
ResponderEliminarAquilo que se ouve e lê na indústria noticiosa é apenas uma fracção da realidade, quando não somente ficção. Os actores provenientes das instâncias oficias, porque têm muito a perder, porque almejam o reconhecimento que de outro modo não teriam, porque têm necessidade de protagonismo, porque pretendem promover-se, porque anseiam o destaque que os catapulte para cargos mais altos na hierarquia, noutros casos por mera ignorância, sempre dirão aquilo que as conveniêvcias de momento lhes ditarem, sob pena de cairem em desgraça. Os poucos com coluna vertebral sufientemente recta para não o fazerem serão sempre silenciados, ridicularizados, acusados não importa de quê, vilipendiados e será sempre de bom tom não lhes permitir exposição pública, poque são inconvenientes.
ResponderEliminarA demonstrá-lo, vejam-se os artigos científicos i) sobre eficácia do uso de máscara:
"Nonpharmaceutical Measures for Pandemic Influenza in Nonhealthcare Settings—Personal Protective and Environmental Measures", "Effectiveness of personal protective measures in reducing pandemic influenza transmission: A systematic review and meta-analysis" e "Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers"
e ii) sobre a eficácia de medidas de confinamento:
"COVID-19 pandemic-related lockdown: response time is more important than its strictness", "Covid-19 Mortality: A Matter of Vulnerability Among Nations Facing Limited Margins of Adaptation" e "A country level analysis measuring the impact of government actions, country preparedness and socioeconomic factors on COVID-19 mortality and related health outcomes".
Por todas as razões aduzidas, é natural que já não se fale na Suécia como mau exemplo e na República Checa como exemplo a seguir, muito embora os tais das instâncias oficiais continuem a insistir em narrativas que a realidade já demonstrou estarem erradas.
Caos e entropia. Nada de mágico, excepto as abordagens determinísticas que, se resultassem, seriam mágicas.
ResponderEliminarA propósito, deixo excerto do artigo científico "Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers - A Randomized Controlled Trial":
«Although the difference observed was not statistically significant, the 95% CIs are compatible with a 46% reduction to a 23% increase in infection [in the mask wearers].»
E porque vem a talhe de foice, um gráfico de estudo comparativo sobre o uso de máscara realizado aquando da epidemia de gripe espanhola de 1918-19: https://prnt.sc/upo9jd.
Lá está: caos e entropia, nada de magia.
ResponderEliminarO artigo científico “Correlation Between 3790 Quantitative Polymerase Chain Reaction–Positives Samples and Positive Cell Cultures, Including 1941 Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Isolates”, citado no ACÓRDÃO N.º 1783/20.7T8PDL.L1-3 do Tribunal da Relação de Lisboa, datado de 11 de Novembro de 2020, afirma claramente (na tradução constante nesse acordão):
«“A um limiar de ciclos (ct) de 25, cerca de 70% das amostras mantém-se positivas na cultura celular (i.e. estavam infectadas): num ct de 30, 20% das amostras mantinham-se positivas; num ct de 35, 3% das amostras mantinham-se positivas; e num ct acima de 35, nenhuma amostra se mantinha positiva (infecciosa) na cultura celular (ver diagrama).
Isto significa que se uma pessoa tem um teste PCR positivo a um limiar de ciclos de 35 ou superior (como acontece na maioria dos laboratórios do EUA e da Europa), as probabilidades de uma pessoa estar infectada é menor do que 3%. A probabilidade de a pessoa receber um falso positivo é de 97% ou superior”.»
De acordo com estimativas da OMS, em Setembro ou Outubro, já não posso precisar, cerca de 750 milhões de pessoas teriam sido já infectadas.