sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Com a cabeça entre as orelhas

"Estado subsidia aumento do salário mínimo em 74 milhões de euros" é o título principal do Público de ontem, na sua primeira página.


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Lendo o resto, em que consiste esta generosidade do Estado para com as empresas?


O aumento do salário mínimo tem como consequência uma maior arrecadação de receitas por parte do Estado em 74 milhões de euros.


O aumento do salário mínimo, nas condições económicas e sociais em que estamos, é uma decisão do Estado, ou seja, o Estado aumenta-se a si mesmo em 74 milhões de euros.


O Estado, e bem, ao contrário do Público, e mal, tem consciência da barbaridade que consiste em extorquir mais 74 milhões de euros às empresas nas actuais circunstâncias, à boleia de uma decisão do próprio Estado sobre salários mínimos.


Consequentemente, o Estado, e bem, decide prescindir da parte que lhe cabe do aumento do salário mínimo.


O que acha o Público?


Que isto é um subsídio às empresas.


Formalmente é possível classificar a devolução do dinheiro como um subsídio? Sim.


Materialmente isto é um subsídio? Claro que não.


E estamos nisto, neste pântano em que a imprensa de referência demonstra um nível de literacia económica deste nível, sem que isso incomode minimamente os jornalistas, que se limitam a queixar-se de que os seus leitores não querem pagar a excelente informação que prestam, achando que para justificar o seu ordenado basta limitarem-se a andar por aí, com a cabeça entre as orelhas.

1 comentário:


  1. No jornalismo, algo pago pelos contribuintes é noticiado como "grátis".

    Os jornalistas não consideram essa notícia como Fake News.

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