O historiador Rui Ramos neste artigo, para lá da perspicaz análise da conjuntura política no que concerne os interesses dos socialistas em face às eleições presidenciais, clarifica-se o potencial profundamente fracturante do nosso sistema de Chefia de Estado. Andamos há décadas a brincar com o fogo, que um dia arriscamos a ter todo o sistema (e o país) em ruptura institucional e política. Para tanto basta a conjugação dum parlamento e dum presidente errado na hora errada. Imaginem que só a bomba que teria sido se em 2011 tínhamos o azar de Manuel Alegre como presidente contra o resgate de Passos Coelho. Ou por estes dias um Ventura qualquer.
Por estas (e por outras) razões é que sou monárquico.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
Por que sou monárquico
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O senhor é monárquico porque acha que tem "sangue azul", acha que pertence a essa elite e sonha em ser conde ou marquês.
ResponderEliminarPorque se, genuinamente, está preocupado com o facto de vir a ter o político errado a dirigir o país no momento errado, mais preocupado deveria estar em ter o rei errado à frente do país no momento errado. O político pode ser removido, mais difícil é remover o rei errado.
pela mesma razão que sou anarca
ResponderEliminarOs portugueses, como já deve ter reparado, são um pouco ignorantes. De uma maneira geral.
ResponderEliminarNada sabem das monarquias europeias (ou conhecem apenas o lado superficial e glamoroso) e sobre a monarquia portuguesa, ignorância é absoluta. A maioria encara-a como pertencendo ao espólio dos Museus, cristalizada no tempo e portanto apenas uma representação da "memória" histórica, cheia de patine. Pelo que vou observando, concebem a Monarquia apenas no plano das lendas passadas ou _ e já é muito _ como se de um mito de criação se tratasse, na melhor das hipóteses.
Não me parece, portanto, que estejam reunidas as condições mínimas para um grande debate e esclarecimento sobre o tema.
A república tratou do assunto... A única coisa em que foi eficaz.
MT
E V. não tem suportado (até não aguentar mais) governantes errados no momento errado e sem que os possa substituir imediatamente? E mais, como vive em democracia e prevalece a vontade da maioria, não lhe adianta grande coisa não gostar do político em causa, porque não o poderá "remover" se o povo assim o decidir e entender. Portanto, o seu argumento, neste aspecto, não colhe. Tem de arranjar outro melhor ;-))
ResponderEliminarMas pelo menos é gente despretensiosa e educada que não nos envergonha. E olhe que não é coisa pouca... perante o que nos calhou em sorte e a quem chamam a "elite"(!)
Há uns que acham um "must" chegar a ministro e coisas assim. Creia que sonham poder eternizar-se nos cargos. Esta é a "ética" republicana "deles". É difícil largar as prebendas e as benesses, o motorista que lhes abre a porta do carro de alta cilindrada, tudo topo de gama como nunca sonharam. Sabe que os arrivistas, embora muito possidónios, tornam-se depois muito exigentes nos gostos...
ResponderEliminarPara que o sr. Anónimo das 13:13 ande mais bem informado:
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E também:
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ResponderEliminarPode ler, querendo, o restante do texto no Blog da Causa Real, com o título:
"A ignorância da 2ª figura do Estado da República Portuguesa"
09.10.20
E para terminar:
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(Com um pedido de desculpas ao João Távora pela extensão dos textos transcritos).
Comemoremos 1820, e o regresso ao reino do senhor D. João VI, comemoremos a notável constituição de1822 ( que o Rei, digam o que disserem, não "traíu") - o problema foi que os monárquicos não gostaram muito dela...
ResponderEliminarEm todos os tempos, sempre houve, haverá (e há) uma "clique". É inevitável.
ResponderEliminarA grande questão é "exactamente" evitar que ela passe de um pequeno "estampido", sem grandes repercussões, a folclore nacional com grande potencial de ruído ensurdecedor.
Basta atentar, hoje, nos arranjos políticos da nossa República, suportados por pequenos grupos de pressão, "influencers", sem nenhuma legitimidade democrática pois não advêm de uma vontade expressa pelo voto eleitoral que _ sem meios de auto-regulação _ o sistema consentiu que estas pequenas "cliques", se anichassem, de um momento para o outro, na família da grande "claque" nacional, muito espaçosa por conveniência e muito permissiva por vocação.
O "sistema" republicano possibilitou assim, a viciação das regras democráticas e pôde blindar o exercício pleno da "Vontade" geral, do Todo. É portanto, um regime capaz de bloquear todos os meios de auto-regulação, já de si muito reduzidos. Acontece (frequentemente) que a república pode ser demolidora da vontade soberana e portanto corrompe a democracia. Tende a dispersar e não é aglutinadora. Não congrega, torna-se muitas vezes o lugar de passagem de todos os oportunistas, em torno do seu líder, que nada constroem com solidez e todo o esforço é temporário e aplica-se no interesse pessoal e na vantagem sua e dos amigos próximos, com total impunidade e subversão das regras e da lei. (Consegui não usar a palavra "corrupção").
ResponderEliminarAs monarquias ocidentais modernas, pelo contrário, procuram o Todo. Uma monarquia é como uma ÁRVORE frondosa que tem uma RAÍZ funda: histórica, antropológica, simbólica, política e tudo quanto é definidor do povo, da sua identidade e lhe confere solidez.
E tem uma SEIVA viva, o garante que dá vida à grande árvore, percorrendo e chegando a todas as partes, assim mantendo-a robusta, sólida, capaz de crescer, de se regenerar e reconstruir, partindo sempre daquela RAÍZ. Essa seiva é representada pelo Rei, o símbolo, o denominador comum que congrega todas as partes e garante o Bem Comum e a igualdade de Todos os cidadãos (as ramificações da árvore, os ramos, as folhas os frutos, todos diferentes, mas todos iguais no tronco da mesma árvore). E essa árvore, por ser frondosa, dá uma enorme SOMBRA que acolhe todos aqueles que se aproximam dela, sem distinção.
Nas actuais monarquias ocidentais, a corrupção é residual, como sabemos. E não há impunidade... Certamente haverá (há sempre) maleitas, parasitas, fungos e ervas daninhas, ou seja, as "cliques", os grupos de pressão ou os apparatchiks. Mas a vontade particular dos oportunistas de passagem e as suas ambições pessoais obscuras, dificilmente encontram aí os meios apropriados para grassar. Há "outros" valores mais perenes que só as monarquias garantem.