quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Conflitos de interesses

Quando hoje li a peça do Público em que se põe em causa a fundamentação científica da decisão da Relação de Lisboa sobre testes não queria acreditar que o Público tinha achado adequado pedir uma opinião sobre o assunto ao dono de um dos laboratórios que mais beneficiam com a política de testes existente.


Miguel Esteves Cardoso escreveu recentemente uma crónica sobre uma senhora que, em tribunal, quando o advogado de um dos acusados a confrontou com o facto do seu cliente negar que tinha ido para a cama com ela, como ela tinha testemunhado, respondeu qualquer coisa como, "nunca diria que sim, não acha?".


Pelos vistos no Público não lêem as crónicas que publicam e acharam bem perguntar ao dono de um laboratório se os testes que faz eram mesmo bons e servem para o que se pretende (uma declinação da habitual pergunta sobre se a mousse é mesmo caseira).


Como dizia Luís Aguiar-Conraria, exactamente a propósito de um comentário sobre este assunto em que se defendia a honorabilidade de Germano de Sousa, é bom ter bem presente que identificar conflitos de interesse não depende da honorabilidade das pessoas envolvidas e é evidente o conflito de interesses entre o facto de se ser um dos principais beneficiários da política de testes adoptada e qualquer opinião, que se pretenda independente, sobre a utilidade dessa política.


Isto não diz nada sobre a honorabilidade de Germano de Sousa, apenas diz sobre a agenda do jornalista do Público (prefiro partir do princípio de que alguém tem uma agenda a partir do princípio que é tão incompetente que não consegue identificar um conflito de interesses desta dimensão).


Para o que eu não estava verdadeiramente preparado era para ficar a saber agora que a segunda pessoa que a peça do jornalista cita é um investigador que tem dois financiamentos que dependem da mesma política de testagem.


Neste caso a questão é um bocado diferente porque o investigador escreve um artigo de opinião no Público on-line, o que o jornalista do Público cita na peça em papel, sem o investigador se lembrar de escrever uma linha, por pequenina que seja, a avisar os seus leitores do que está escrito nesta imagem.


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Portugal tem um problema sério, muito sério, de qualidade institucional.


O problema com este exemplo não é o facto de Vasco M. Barreto se pronunciar sobre a área que é objecto da sua investigação, parece-me muito bem vinda a atitude dos investigadores participarem da vida da Pólis, o problema é não ser capaz de identificar a necessidade de fazer uma simples declaração de interesses neste caso.


Com o que se passou com Centeno e a quantidade de gente incapaz de ver o conflito de interesses associado à sua transferência directa do Ministério das Finanças para o Banco de Portugal, a questão não é este exemplo que cito acima, é mesmo o grave problema de um país em que as instituições estão capturadas pelos "devoristas" e as pessoas comuns acham isso normal.

8 comentários:

  1. o HPS é que como se nota ha meses nao tem interesses nenhuns.
    O homem percebe de epidemiologia, de virologia, de imunologia, de constituicionalidades....  
    Primeiro o virus nao esta isolado, depois é porque se encontraram vestigios nas aguas, depois é porque nao ha excesso de mortalidade, depois é porque tem falsos positivos, depois é as medidas nao sao constituicionais, depois é porque as mascaras nao sao eficazes, depois é porque isto nunca se fez na história, etc etc etc etc
    São coincidências que esta é a narrativa em UNISSONO de uma certa ala política..... coincidência.....  serão pessoas mais aptas à ciência....

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  2. O que é de mais é demais.
    1) Nunca escrevi absolutamente nada sobre o vírus não estar isolado, o camarada está a mentir ao dizer que eu escrevi alguma coisa sobre isso;
    2) Nunca escrevi nada sobre encontrarem-se vestígios do que quer que seja em águas, o camarada está a mentir ao dizer que alguma vez escrevi alguma coisa sobre isso;
    3) Sobre falsos positivos escrevi uma coisa banal: são seguramente mais de dez por cento e por isso decretar a prisão domiciliária de pessoas com base apenas num teste, em vez de dois à melhor de três, é completamente ilegítimo, nada mais que isso;
    4) Nunca escrevi nada, que me lembre, sobre o facto das medidas serem ou não constitucionais, não sei o suficiente sobre o assunto para ter opinião sobre isso;
    5) Não tenho ideia nenhuma de ter escrito que as máscaras não são eficazes, terei com certeza escrito que não há evidência de que o sejam, fora de contextos muito específicos, e citei, com certeza, a OMS que diz exactamente isso;
    6) Sim, escrevo frequentemente que isto nunca se fez na história e não conheço ninguém que diga o contrário disso, por ser facilmente comprovável.
    Ou seja, o camarada é um mentiroso que recorre a mentiras estúpidas para justificar comentários pessoais irrelevantes para substituir a falta de argumentos.

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  3. HPS, faça favor de não se esquecer que estamos a atravessar "a hora do lobo", a era do tpc (tempos do politicamente correto).
    Assim, a título de exemplo, devia ter dito ardilosamente mas em tom melífluo "o Kamarada diz inverdades" e não "o camarada recorre a mentiras".

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  4. Ou o Henrique ainda é mais idiota do que eu pensava ou é apenas um pequeno sacana. Avaliarei se vale a pena ou não perder tempo consigo na justiça. 


    Entretanto, meta duas ou três coisas nessa sua miserável cabeça:

    5. A comparação com o Centeno leva-me a recomendar que procure ajuda médica. 


    6. O Henrique e provavelmente o amiguinho André Dias (contaram-me que também montou um tiro ao Vasco M. Barreto no estaminé dele) aproveitam-se da ignorância da claque acenando-lhes com a expressão "conflito de interesses", sem terem pensado minimamente no assunto, assim denegrindo a minha imagem e a do Público. A forma como tratam a informação e o ataque ao meu carácter é miserável e dá pena.

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  5. Caro Vasco,
    1) O post não diz nada sobre o seu carácter, apenas identifica um evidente conflito de interesses que deveria ter sido explicitado por si. Bastaria uma frase simples a dizer isso. Isso não tem nenhuma relação com a sua opinião sobre o acórdão, apenas dá aos seus leitores a oportunidade de lerem o que escreve sabendo desse potencial conflito de interesses;
    2) O que está em causa não é uma questão de biologia molecular, é uma questão de estatística;
    3) Ao contrário do Vasco, eu não fiz nenhum processo de intenções em relação a si, não acho que valha a pena discutir estas matérias com base em processos de intenções. A ter feito algum processo de intenções terá sido a quem escreveu a peça no Público porque não se vê qual o interesse em perguntar a quem beneficia com um facto o que pensa desse facto. Não se trata de achar que a pessoa que responde não é suficientemente íntegra para ter opiniões contra os seus interesses, trata-se de evitar essa situação que é sempre eticamente delicada e levanta sempre dúvidas, qualquer que seja a integridade de quem responde;
    4) O seu comentário, ao pretender desviar a questão do potencial conflito de interesses para a sua integridade (de que não tenho a menor razão para duvidar, já agora), é bem o exemplo de como as elites portuguesas (suponho que em muitos outros países também) lidam mal com o conceito de conflito de interesses, que é uma matéria objectiva, completamente independente da integridade dos envolvidos. Daí o paralelismo com a situação de Centeno, que tem feito exactamente o mesmo tipo de defesa que o Vasco, como é habitual neste tipo de situações.

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  6. Errata: não é uma calúnia, é uma difamação.

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  7. Dizer que numa situação concreta alguém tem um conflito de interesses é uma difamação?
    Tenha lá calma e veja com atenção o que escrevi, que é muito mais sobre o Público e as suas opções que sobre o Vasco, sobre o qual não digo nada mais que ao se pronunciar sobre uma opção de gestão da epidemia que gera financiamentos para processos que dirige deveria dar nota da situação aos seus leitores.

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  8. Se voltar a ter mais alguma interacção consigo, pode ter a certeza que será na justiça. Aguarde.

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