quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Ainda acham que vai tudo ficar bem?

Sempre fui daqueles que achava o nosso sistema político desequilibrado sem uma ala direita robusta e descomplexada, assumidamente conservadora, liberal e reformista. O que eu nunca pensei é que essa facção emergisse através de um oportunista agarrado a causas tão bizarras quanto a castração química de pedófilos, a segregação dos ciganos ou o anti-parlamentarismo (amigos garantem-me que é um visionário que isso dos ciganos e da castração quimica são só velhos truques para dar nas vistas e que tem um programa político sofisticado para a nossa salvação, mas nunca o ouvi a falar disso). Mas a realidade é aquilo que é, não há vazio em política, e a direita, atordoada com a epidemia entrou em processo de autofagia. Começa-se a parecer demasiado os monárquicos depois da implantação da república: eram muitos e bons, tão bons que não se conseguiram entender. Até hoje...
Enquanto isso, António Costa passeia-se entre os pingos da chuva, o socialismo cristaliza-se no poder e o processo de empobrecimento dos portugueses acelera de forma assustadora. Com a nossa frágil economia praticamente estagnada e incapaz de gerar os recursos que inevitavelmente terão que ser despendidos para evitar uma tragédia de proporções bíblicas. Entretanto a Comissão Europeia “reforça alerta sobre elevado endividamento de Portugal". Triste destino este de ser português nos tempos que passam em que o político cuja inteligência sobressai do debate morno e aparvalhado parece ser o jacobino do Sérgio Sousa Pinto.

4 comentários:

  1. o socialismo castrador capou a iniciativa privada de tudo

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  2. assumidamente conservadora, liberal e reformista


    Como se pode ser simultâneamente conservador e reformista? Um conservador quer manter o que está, não quer reformar.


    Como se pode ser simultâneamente conservador e liberal? Um conservador quer manter as estruturas repressivas e ordenadoras existentes, o liberal quer libertar os cidadãos delas.


    Não faz sentido. Seja-se de direita ou de esquerda, não se pode ser conservador e liberal ao mesmo tempo, nem se pode ser conservador e reformista ao mesmo tempo.

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  3. É ler Edmund Burke, amigo Lavoura. As reformas são o pilar principal do conservadorismo, a fórmula de manter as instituições e o modo de vida que prezamos, evitando a revolução. E claro, o liberalismo tem infinitas gradações. 

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  4. Olhe que tem razão, caro João Távora, e tudo isto faz tanta pena. Eis-me também eu admiradora do Sérgio Sousa Pinto, que não sei se é jacobino ou não(tanto me faz), mas que tem independência intelectual para pensar fora dos moldes que vão sendo impostos sem que aparentemente ninguém note. Não sou monárquica( também não sou anti-monárquica  primária!)e também a mim me anima ver que há gente de uma direita civilizada e humanista que talvez, um dia, tenha vozes que se façam ouvir. Entretanto ,por tudo isto e mais, tornei-me fiel leitora do vosso blog, que antes lia de muito vez em quando. Continuem, e muito obrigada.
    Margarida Palma

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