"“Está na altura de nós não pormos o nosso país sempre nas bocas do mundo a dizer que a nossa informação não é boa. Eu até considero que não é patriótico”, afirmou a responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS) durante a audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Trabalho e Segurança Social, considerando que mais do que defender o trabalho da DGS, é necessário defender o país."
Já cá faltava o argumento de que o escrutínio democrático do poder é anti-patriótico (um argumento mais velho que a Sé de Braga, sendo esta uma das suas formulações mais conhecidas em Portugal: "Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.", dando razão à associação que Luis Aguiar-Conraria fez da sigla da actual DGS à da antiga DGS, a propósito da norma desumana aplicável ao acolhimento de crianças e adolescentes em risco).
Patriótico, cara Graça, seria responder ao artigo de hoje de Alexandre Homem Cristo, explicando, tim-tim por tim-tim, de forma a cara Graça contribui e tenciona contribuir para melhorar a vida dos milhares de estudantes prejudicados pelas medidas de contenção da epidemia.
Se preferir falar de outro assunto, talvez explicar por que razão continuam fechados metade dos centros de dia do país, à conta das suas normas patrióticas, se o resultado continua a ser o de ter 51 surtos em lares, dos 302 identificados pelos seus serviços?
Se o fecho dos centros de dia, se as normas absurdas nos lares, não conseguem atingir os objectivos definidos - impedir o contágio dos mais frágeis - e, ao mesmo tempo, provocam efeitos negativos brutais nas pessoas que queremos proteger, não acha que patriótico seria ir avaliar seriamente o que andam os seus serviços a dizer e fazer, em vez de se armar em cordeiro sacrificial da epidemia?
É que proteger os mais frágeis é mesmo difícil e complicado, por alguma razão o problema dos lares persiste em todos os países.
Se fosse fácil resolver, com certeza estaria resolvido.
O que eu gostaria de lhe pedir, patrioticamente, é que se deixe de estar a atirar com as responsabilidades para cima dos outros "que não interiorizam as regras", deixe de perder tempo a fazer normas cujo efeito na evolução da epidemia não consegue explicar e que se traduzem no mais que natural aumento de número de casos mal as condições de contexto, incluindo ambiental, se tornaram mais favoráveis à actividade viral, e se concentre no que é realmente relevante: proteger os mais frágeis, mantendo a sua qualidade de vida e sem medo de ser responsabilizada pelas situações em que, inevitavelmente, alguma coisa correu mal.
Vai ver que quando, pela primeira vez, aparecer a assumir responsabilidades, identificando o que correu mal e explicando o que se vai fazer de diferente, em vez de aparecer a sacudir a água do capote, a sua vida muda.
Ficará mais difícil, é certo, mas a dignidade a que finalmente terá acesso, compensará largamente os inevitáveis custos associados a esta opção.
E, sobretudo, muito, muito mais gente lhe agradecerá, provavelmente calada, o facto de finalmente se preocupar realmente com a sua vida, em vez de estar preocupada com o futuro político da nossa ministra e do nosso primeiro-ministro.
ResponderEliminarNão concordo que Henrique Pereira dos Santos se lhe dirija como "cara Graça".
DesGraça seria correto. "Cara", nunca.
Excelente.
ResponderEliminarSó uma "correcçao". Onde se lê "responsável pela DGS", deve-se ler "Irresponsável pela DGS".
O resto é irrepreensível.
Assino por baixo o seu texto. Oxalá a sua voz e de tantos outros que o acompanham nesta batalha pelo bom senso e pelo bem comum, cheguem "lá acima". Mas duvido. São demasiado narcísicos, "cheios" de si, centrados na suposição da sua grande importância. E depois, sabe, esta gente inchada atribuiu-se a si mesma um "certo" estatuto, julga viver numa espécie de hiperclasse muito distanciada, blindada e por isso mesmo não aprecia a crítica nem convive bem com a contrariedade. Depois nota-se que há uma promiscuidade nos cargos, ora por nomeação, ora por eleição ou por confiança partidária, tudo numa roda giratória, muito promissora (não se duvide) onde é mínima a probabilidade da escolha pelo mérito ou pela competência técnica, mas antes pela vénia, pela "palmadinha" nas costas, amiga e cheia de cumplicidades. É um jogo discreto, onde não há regras escritas, mas estão subentendidas e são por eles tacitamente estipuladas. É esta a cultura democrática do "poder" em Portugal.
ResponderEliminarHPS, que esperava que daí resultasse?
Assino por baixo o seu texto. Oxalá a sua voz e de tantos outros que o acompanham nesta batalha pelo bom senso e pelo bem comum, cheguem "lá acima". Mas duvido. São demasiado narcísicos, "cheios" de si, centrados na suposição da sua grande importância. E depois, sabe, esta gente inchada atribuiu-se a si mesma um "certo" estatuto, julga viver numa espécie de hiperclasse muito distanciada, blindada e por isso mesmo não aprecia a crítica nem convive bem com a contrariedade. Depois nota-se que há uma promiscuidade nos cargos, ora por nomeação, ora por eleição ou por confiança partidária, tudo numa roda giratória, muito promissora (não se duvide) onde é mínima a probabilidade da escolha pelo mérito ou pela competência técnica, mas antes pela vénia, pela "palmadinha" nas costas, amiga e cheia de cumplicidades. É um jogo discreto, onde não há regras escritas, mas estão subentendidas e são por eles tacitamente estipuladas. É esta a cultura democrática do "poder" em Portugal.
ResponderEliminarHPS, que esperava que daí resultasse?
ResponderEliminarA DGS pode argumentar que essas medidas não conseguem evitar totalmente o contágio dos mais frágeis, mas conseguem atenuá-lo substancialmente. Ou seja, a DGS pode argumentar que, se não fossem aquelas medidas, haveria muitíssimas mais pessoas frágeis a serem infetadas.
Tem toda a razão, partilhei no meu Facebook.
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