quarta-feira, 9 de setembro de 2020

O eterno Director-Geral

"Terá o "vírus chinês" chegado a Portugal?" é uma peça florentina de elevado valor publicada hoje pelo Público e escrita por Francisco George e Constantino Sakellarides.


Em primeiro lugar, temos a sonsice.


Os anteriores Directores Gerais de Saúde estão a responder a Luis Aguiar-Conraria, mas tal como no primeiro artigo que escreveram nesta polémica, não querem estar ao mesmo nível da ralé, e portanto omitem o nome de quem contestam e fingem estar discutir questões gerais que o seu alto critério considera ser seu dever tratar para educação das massas.


De brinde a sonsice leva-os a sugerir que Luis Aguiar-Conraria fala da epidemia como Trump, mas essa parte não passa de uma traquinice de garotos armados em grandes senhores.


O que está em causa são as críticas à Direcção Geral de Saúde a propósito de normas que resultam na prisão de crianças e adolescentes em especial condição de fragilidade, esquecendo que a convenção que protege as crianças explicitamente diz que as decisões sobre crianças se devem fundamentar no "superior interesse da criança".


Para defender o indefensável, os autores reconhecem que dão mais importância ao superior interesse da Direcção Geral de Saúde que ao superior interesse da criança "Os que têm como responsabilidade proteger a saúde dessas comunidades fá-lo-ão o melhor que podem. Não no mundo da fantasia-sem-contexto, mas no ambiente próprio da administração pública portuguesa de hoje, com as conhecidas dificuldades de recursos, de organização, de capacidade estratégica, de instrumentos de informação e comunicação e de dispositivos de integração entreorganizações".


Resumindo, para estes directores gerais prender inocentes em especial condição de fragilidade é admissível porque a administração não consegue fazer melhor, em vez acharem inadmissível a administração pública seja incapaz de fazer melhor.


Não admira por isso que à sonsice se siga a desonestidade.


"Quando, há seis meses atrás, fomos "todos para casa", só discordaram aqueles que pensavam que fomos tarde de mais". Não é verdade. É verdade que foram poucos os que discordaram, mas havia alguns e, de entre eles, algumas das pessoas com mais experiência da gestão de epidemias.


Embora sejam claros na afirmação de que quando foi tomada essa decisão não se fazia a menor ideia de como lidar com as suas consequências - "Nunca tínhamos desconfinado antes" - evitam discutir a questão central: por que razão resolvemos tomar decisões contrárias ao que cem anos de epidemiologia ensinavam e por que razão resolvemos acrescentar a incerteza de decisões nunca antes testadas à natural incerteza de uma epidemia?


E para evitar a discussão desta questão central, avançam com a artilharia pesada da desonestidade: "Portugal decidiu fechar as escolas quando tínhamos cerca de 80 novos casos/ dia e vai abri-las de novo quando teremos cerca de 400".


É absolutamente impossível que os dois autores do artigo não saibam que estão a comparar números incomparáveis, na medida em que a capacidade de teste a meio de Março não tem qualquer relação com a capacidade de teste a meio de Setembro, e só a desonestidade pode explicar a frase que cito acima.


Com base na ideia de que é a Direcção Geral de Saúde - e não as pessoas - que têm de gerir os riscos, os autores vão dando exemplos até chegar onde querem "proibimos festivais e iniciativas afins até finais de Setembro, mas a lei que o fez permite excepções de carácter político, religioso ou social. Porque é importante sermos flexiveis - mas alguém terá de gerir esta permissividade".


Não podiam ser mais claros a defender a suspensão dos direitos constitucionais para permitir que uma direcção geral tenha poderes para gerir a nossa vida.


E para que não haja dúvidas: "Vale criticar tudo aquilo que não está bem e que pode ser melhorado. Fazemo-lo também. Mas acrescentando, não destroçando. Construindo, não destruindo".


Ou, dito de outra maneira, todos os porcos são iguais, mas uns são mais iguais que outros, era o que mais faltava que criticassem o que estes senhores acham que não pode ser criticado.


No fundo, que importância tem a ninharia de prender pessoas em especial condições de fragilidade sem nenhuma fundamentação sólida, para salvaguardar a imagem de quem toma decisões, face aos grandes desígnios perseguidos por essas decisões?


Como ousam "dar asas à ingratidão, ao juízo fácil e mal informado, ao apontar-o-dedo leviano, à desonestidade intelectual, à insensatez até ao insulto"?


Luís, faz lá o favor aos senhores e deixa-te de crimes de lesa-majestade à senhora directora-geral só porque se está nas tintas para o superior interesse das vítimas das suas decisões que, por definição, "são o melhor que podem".


Raramente tenho visto uma demonstração tão lúcida da cultura administrativa do país: não admira que Francisco George continue a ser eterno director-geral da saúde, mesmo que a lei o tenha, aparentemente, obrigado a sair aos setenta anos (com o seu audível protesto por haver uma lei tão injusta). 

12 comentários:

  1. https://www.zerohedge.com/medical/sweden-close-victory-over-coronavirus-never-had-lockdown-or-mask-mandate

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  2. Não conheço o texto da polémica, mas falando de Francisco George  são bem aplicadas as palavras inscritas a este BAJULADOR que as atribui a outros.
    Ingratidão,Insensatez,desonestidade,cretinice e sonsice..

    Um tipo ser testa de ferro de COSTA e que perseguiu e arruinou a carreira de trabalhadores, chefes de família do MInho ao Algarve da Cruz Vermelha aos olhos de gente normal é " um sem carácter". No tempo de antena que lhe vão dão é um massacrar piroso.Eu vi nas TVs gente destroçada e que chorava!
     

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  3. Passaram 6 meses de um terrível surto que iria dizimar mais de metade da população. 
    Passado este tempo e fazendo uma retrospectiva, gostaria de fazer uma pergunta.
    Será que a DGS está a aplicar as medidas adequadas baseadas em estudos científicos, ou está simplesmente a consultar o oráculo de Belline. 

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  4. Em Milfontes, num mês de Agosto há uns anos, fomos todos a um Circo pobretanas que lá tinha assentado arraiais, em que o apresentador, o mesmo que nos tinha conferido os bilhetes à entrada, fazia a apresentação do espectáculo com a seguinte frase: "Bem-vindos  ao Circo Dallas; esperamos que gostem do nosso espectáculo: se não fazemos melhor, é poooorqueeee, não pooodemooos!!!"

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  5. Ó João desculpe discordar da sua analogia, é que o circo é igual, só que o vendedor de bilhetes quer fazer de nós palhaços. 
    E você repare, desde Março até hoje, o circo só tem funcionado com os macacos de imitação. 
    Não será já altura de arranjar um número novo, sei lá, um número em que os espectadores pudessem respirar à vontade sem estar à espera que o vendedor de bilhetes lhes desse autorização. 

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  6. Outra vez o lápis azul... Espero que tenham bons afias!

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  7. O odiado PR dos EUA (alvo dos mais interessantes ataques vindos da esquerda, da direita, em casa e por esse mundo fora) em 10 de Janeiro esclarece (em entrevista gravada) que a sua preocupação nº1 é um perigoso vírus chinês.
    Sete dias depois, a 17 de Janeiro o iluminado Prof. Dr. F. chefe de todas as Saúdes nos EUA, esclarece que não há perigo absolutamente nenhum com esta "gripezinha". Custou mas também foi pregar para outra freguesia.

    O odiado Trump ante, ANTES, do fim de Janeiro proíbe os voos vindos da China (logo depois os da Europa). Nanci Pelosi a prestigiada democrata, figura número 2 dos Estado Norte Americano, e toda a esquerda e mesmo muita "direita" acusam Trump de xenofobia (chinofobia?), estupidez e de tudo o pior que se possa imaginar.
    Num certo dia, meados de Outubro, 2019, o parque de estacionamento automóvel do lab microbiológico de Wuham, num vulgar dia de trabalho, estava completamente vazio, mostram as fotografias de satélites.
    ... ... ...

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  8. A seguir a REALIDADE DA FALSA PANDEMIA em Portróikal...


    https://i.postimg.cc/DyF8MNf0/Mortes-Diarias-2020-PT-l.png


    Engraçado como nem quando as mortes começaram a levar com a nova etiqueta para a pneumonia (CUVID) o número total de mortes diárias subiu, antes pelo contrário... A partir do 1º pico de mortes CUVID a tendência do total de mortes diárias diminuiu enquanto as CUVID andaram aos altos e baixos!


    Igualmente de realce o aumento das mortes diárias durante a vaga de calor, ao mesmo tempo que as mortes CUVID andaram sempre a roçar o zero!


    Mas enfim... Se isto é uma pandemia, nem quero ver a reacção da malta quando uma bactéria daquelas BOAS fizer a festa!

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  9. HPS:
    Não concorda que devia ser de leitura e análise obrigatória "O triunfo dos porcos", de George Orwell? 
    A começar já pelos petizes, de todas as idades, na aula de Cidadania.
    E seguido de debate, com exemplos. Os "porcos" até podem até ser estes, os do seu post.

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  10. Não posso deixar passar. São duas bestas.

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  11. HPS, acabei de o ler.
    São umas bestas. E quadradas.
    A estupidez é sempre grave dado não ter cura nem paliação.

    O grego fez um internato de bosta (palavra consagrada por um consultor do BE na AR). O outro foi conhecido pelo cão d'água pelo exótico corte de cabelo à época igual ao do presidente do paquistão.
    Diria mesmo mais, qual Dupont et Dupond, mas uns resquícios de boa educação impedem-me de alargar o scripto.

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  12. Se prova (ainda) faltasse de que somos desgovernados por uma manada de ignorantes, salafrários e corruptos, hoje temos a que causa o transborde!


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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...