Durante anos protestei contra o facto da política de gestão do fogo ter como lema "Portugal sem fogos depende de todos".
A razão central para esse protesto é que a ideia de um Portugal sem fogos é uma ideia estúpida: nunca foi assim e não há qualquer hipótese de ser assim pela simples razão de que o fogo é um elemento natural presente no ecossistema.
Mesmo dentro do grupo minoritário de pessoas que defendiam que o fogo precisa de ser gerido, mas é um disparate pretender eliminá-lo, era claramente dominante a ideia de que as ignições (substituir por contágios daqui para a frente) eram um factor chave da gestão do fogo.
A ideia mais radical era a de que sem ignições não haveria fogos, mas a ideia das pessoas sensatas era apenas a de que quanto menos ignições houvesse menor era a dispersão de meios de combate.
Por trás desta ideia está a ideia, mais profunda e menos consciente, de que são as nossas acções que essencialmente comandam o fogo, desvalorizando-se a naturalidade dos processos associados ao fogo na paisagem.
Dentro do grupo minoritário dos que entendiam que gerir o fogo é escolher como arde, quando arde e onde arde, e não tentar impedir que arda, eu estava no grupo muito mais minoritário ainda - cada um é para o que nasce - dos que não ligam nenhuma ao magno problema das ignições.
As minhas razões são simples de enunciar: a) 1% das ignições dão origem a 90% da área ardida; 2) as ignições têm vindo a reduzir-se expressivamente nos últimos anos, sem qualquer efeito prático na área ardida; 3) as políticas de sensibilização que pretendem criar homens novos que vão viver de acordo com a linha justa ou são ineficazes ou são brutalmente repressivas, provocando mais problemas que os que resolvem.
A política oficial do Portugal sem contágios depende de todos tem exactamente os mesmos problemas da política do Portugal sem ignições.
1) Nem no país - Nova Zelândia - em que seria mais fácil ter resultados esmagadores com base nesta política de exclusão do vírus a coisa funcionou e andam há um mês ao brincar ao gato e ao rato com os contágios;
2) Não há nenhuma evidência empírica clara de que as nossas acções de controlo de contágios estejam a ser mais determinantes na evolução da epidemia que os processos internos da própria epidemia;
3) Nunca, em tempo algum, se conseguiu eliminar o contágio de uma doença sem vacinas eficazes durante longos períodos de tempo.
Resumindo, é tempo de perceber que a evolução da epidemia pode ser menos controlada por nós do que pensamos, que as epidemias são processos naturais comandados pelas forças que determinam a evolução darwinista e que podemos limitar os danos à nossa espécie adoptando políticas defensivas, mas não sabemos o suficiente, nem temos o poder suficiente, para nos lançarmos arrogantemente na ciclópica tarefa de parar os contágios através de medidas cujos efeitos positivos sobre o controlo da epidemia são incertos, mas os efeitos reais na perda de qualidade de vida de milhões de pessoas são certos e palpáveis.
A nós custa-nos perceber que não somos o centro do universo, e muito menos que gerimos o universo, faz parte da nossa natureza pensarmos que dominamos - sozinhos ou com os nossos deuses - isto tudo, mas a verdade é que somos só pó e ao pó voltaremos.
Convinha era, no entretanto, ver se a nossa cegueira não nos leva por maus caminhos, começando por aceitar as coisas como elas são, em vez de confiarmos excessivamente nas histórias e modelos que construímos para sentirmos que estamos ao leme e isto vai ser como decidirmos que vai ser.
Por momentos pensei que no título, "Portugal sem contágios depende de todos", o HPS estivesse a fazer um apelo incentivando-nos a controlar (!) os contágios através das nossas acções, o que significaria que o controlo da epidemia estava nas nossas mãos, "de todos". Seria a negação do que tem dito.
ResponderEliminarDepois percebi que não era uma exortação, era uma crítica ao slogan por aí divulgado (também dos incêndios) e o Henrique mantém que não temos nenhum poder para comandar o vírus, nem para determinar a evolução da epidemia. Tudo certo. Mas ainda assim pergunto se alguma coisa, pode ser feita entretanto, "antes" da vacina? Acho que não é muito clara a sua posição relativamente a isso.
Preferia que indicasse sugestões, medidas (soluções ninguém tem) sobre como fazer "durante", o que ir fazendo "pelo meio", "entretanto". Porque o Henrique põe a tónica mais no "fim", no "resultado" a que tem conduzido a gestão feita, apontando as suas consequências nefastas _ com que estou de acordo consigo (tanto políticas como sociais) _ em virtude de negligentes ou erradas medidas, de opções políticas duvidosas e de teorias e modelos científicos controversos e incertos.
RS
Caro RS, eu respondo pelo HPS: a solução para o entretanto é viver a vida; adoptando QUEM QUISER soluções mais defensivas (higienização, distânciamento social, máscaras).
ResponderEliminarPS: HPS já viu o "novo" estudo que andam a agitar como 40.000 infecções diárias em PT em Dezembro??? LOL
E a China? O Xi já disse que a pandemia foi erradicada! E em Wuan parece que voltaram mesmo a viver o habitualmente
Claro que há muito coisa que pode ser feita, como lavar as mãos frequentemente, isolar doentes na medida do possível, manter distância física sempre que se justifique, diminuir contactos quando isso não tem custos maiores, etc..
ResponderEliminarUma epidemia é uma epidemia e deve ser gerida como uma epidemia, não é uma brincadeira de crianças.
ResponderEliminarNada de especial precisa ser feito. Esta é a REALIDADE.
O mítico RNA "SARS-CoV-2" a existir (relembro que não existe demonstração científica da sua real existência) não é capaz de fazer uma grande Festa, muito menos uma PANDEMIA (daquelas que se pode mesmo apelidar de pandemia!)
Uma simples OBSERVAÇÃO DA REALIDADE suporta esta minha afirmação e pode ser feita observando isto:
https://i.postimg.cc/PxdMxgTs/COVID-CURED-Immune-System-07-SET.jpg
Temos apenas um pandemia de FALSOS casos! E isto parece ser o bastante para assassinar velhos e velhas...
De resto ainda estou para entender como é que de repente temos em Portróikal tanto tuga preocupado com a saúde (mais dos outros até do que com a própria)?
E nem vou falar da absoluta hipocrisia relativamente ao pequeno número de mortos que esta época de constipações/gripes/pneumonia de 2019/2020 gerou, porque então a coisa fica mesmo divertida! Relembro que a curta vaga de calor de Julho matou mais velhos e velhas (acima dos 65 anitos) do que a alegada pandemia! E curiosamente não vi o ESTADO preocupado com nada disto.
ResponderEliminaro fogo é um elemento natural presente no ecossistema
Esta palavra "natural" é muito enganadora.
Na natureza, o fogo somente é ateado (que eu saiba) por trovoadas secas e é portanto deveras raro.
A imensa maior parte das ignições atuais são artificiais, isto é, provocadas (intencionalmente ou não) pelo Homem. Não são naturais.
O fogo é, sem dúvida, natural, mas a enorme frequência com que ele atualmente é ateado é tudo menos natural.
ResponderEliminaras epidemias são processos naturais comandados pelas forças que determinam a evolução darwinista
O Henrique está aqui a assumir uma posição irracionalista ou fatalista. O que o Henrique afirma é que não sabemos nem podemos prever a evolução de uma epidemia, evolução essa que é determinada por elementos que nos são desconhecidos e que portanto é uma fatalidade que não podemos alterar.
Trata-se de uma posição própria de uma era pré-científica, religiosa: o Homem está à mercê de epidemias que não pode influenciar.
Independentemente de ser uma posição correta ou não, é uma posição pouco atraente para a mentalidade moderna.
A mim o que me interessa não é saber que é uma posição atraente, ou não, mas sim se está certa ou errada.
ResponderEliminarAgora a conclusão de que não podemos fazer nada não é minha: eu não consigo alterar o clima do sítio onde vivo, mas se o conhecer posso adaptar-me.
Sim, o padrão de fogo não é o que existiria se não existisse a espécie humana.
ResponderEliminarE qual é a utilidade dessa conclusão?
Então se o padrão de fogo é diferente, como pode ser "natural"?
ResponderEliminar"Trata-se de uma posição própria de uma era pré-científica, religiosa: o Homem está à mercê de epidemias que não pode influenciar.
ResponderEliminarIndependentemente de ser uma posição correta ou não, é uma posição pouco atraente para a mentalidade moderna."
Como é que consegue escrever estas duas frases?
Então é científico declarar que existe cura e solução para tudo?
ResponderEliminarÉ sim senhor, científico declarar isso!
A cura e solução para tudo é bem simples... E nem precisas dos cartomantes dos modelos matemáticos e astrólogos dos míticos vírus para saberes qual é!