"Graça Freitas afirma que o padrão da pandemia alterou-se (sic): no início tínhamos mais casos de idosos, e portanto, mais casos em internamento e mais mortes; com o evoluir da epidemia esta tendência sofreu uma alteração e, ao dia de hoje, apenas 11% das pessoas infetadas nas últimas 24 horas têm mais de 70 anos. “Confirma-se que há um padrão de novas infeções em adultos jovens, em idade ativa, ou seja, muito em contexto de ambiente laboral e de sociabilização”, diz.
Por outro lado, isto também significa que tem havido, no cuidado aos idosos, uma maior proteção dos mais velhos que está a ser eficaz. “Era preferível não nos infetarmos, mas quando nos infetamos, os mais novos têm doença menos grave, portanto este padrão é melhor em termos da gravidade da doença e do resultado em termos de morte ou de internamento em cuidados intensivos”, diz ainda."
Até pode ser que assim seja, até porque tem sido uma ideia repetida exaustivamente pelas pessoas que mais têm influenciado a gestão da epidemia.
Mas a verdade é que não há nenhuma razão para supôr que é dominantemente assim, embora seja provável que seja parcialmente assim.
Um caso positivo em Março/ Abril não dá a mesma informação que um caso positivo hoje.
Em Março/ Abril a política de testes centrava-se em pessoas com sintomas. Sem surpresa, quantidade de casos positivos por teste realizado era altíssimo.
A política de testes entretanto alterou-se muito, testando todas as pessoas com sintomas (em Março/ Abril muitas pessoas com sintomas ligeiros nem sequer eram testados, eram mandados ficar em casa e se a coisa evoluísse de tal forma que fossem necessários cuidados hospitalares, então sim, logo se via) mas também assintomáticos considerados contactos de risco de outros casos positivos, ou seja, à medida que se foi testando mais, e a percentagem de casos positivos sem sintomas aumentou, o número de testes cresceu brutalmente, abrangendo populações completamente diferentes das populações de sintomáticos que eram testados em Março/ Abril.
Acresce que todos os estudos com testes serológicos concluíram que a parte da infecção que era reportada pelos testes, sobretudo lá para Março/ Abril, era ínfima em relação à dimensão da população realmente infectada.
Ou seja, com mais testes, aplicados com critérios diferentes, muito provavelmente a alteração da epidemia que se vê nos dados correspone mais à alteração na natureza dos dados que à alteração real da epidemia. Sem prejuízo, naturalmente, de estarmos hoje mais bem preparados que em Março e Abril para lidar com o problema, com certeza, o que se reflectirá na mortalidade. Em qualquer caso, a mortalidade tem sido de tal maneira marginal que fazer grandes considerações com base na evolução de amostras tão pequenas tem um interesse reduzido.
A partir de Junho, com a estabilização da política de testes, é razoável comparar casos positivos para perceber a evolução da epidemia, mas quaisquer comparações de casos positivos entre o que se passa agora e o que se passou em Março/ Abril não é muito útil, porque é comparar coisas muito diferentes.
O que estamos a ver agora é uma previsível subida da mortalidade, com a progressiva chegada ao Outono/ Inverno, e ninguém sabe como vai evoluir essa mortalidade, o que se sabe é que, por enquanto, o número de mortes/ número de casos positivos tem andado por valores várias vezes menor do que era em Março/ Abril.
Dizer que a epidemia evolui para um padrão diferente, em vez de simplesmente se admitir a hipótese de que o padrão sempre foi este, nós é que não tínhamos instrumentos para o detectar com os testes que fazíamos, não me parece que sirva para mais nada que justificar uma atitude diferente - felizmente - dos governos face à epidemia nos meses que estão a chegar.
Como é mais difícil admitir que o que se fez em Março/ Abril foi um erro - vale a pena ler este texto no Observador - diz-se que a epidemia é que ficou diferente.
Nos comentários ao meu post anterior chama-se a atenção para esta carta, de uma série de cientistas que insistem em dizer o que sempre disseram: vamos lá levar a sério a protecção dos vulneráveis em vez de fazer um bombardeamento em tapete sobre o vírus, na vã esperança de o derrotar.
Por mim, tudo o que sirva para evitar medidas absurdas como as tomadas em Março/ Abril é positivo, mas convinha não esquecer de todo o longo prazo: a democracia depende da confiança das pessoas nas instituições e, desse ponto de vista, a Direcção Geral de Saúde tem contribuído muito para diminuir a qualidade da nossa democracia.
O que não me admira, depois de ter ouvido o influente e omnipresente Filipe Froes a dizer que para se aplicar um modelo de gestão da epidemia próximo do sueco, só mudando de povo.
Pelos vistos, Filipe Froes - e suspeito que a DGS - apoia a ideia de Salazar de que o povo português não é muito talhado para a democracia.
ResponderEliminarDesculpe pelo facto de colocar este texto que não se relaciona com o seu post, mas creio ser área também do seu interesse.
https://spectator.us/how-environmentalists-destroyed-california-forests/
ResponderEliminarPessoalmente estou desiludido!
https://i.postimg.cc/9fScFDKB/SICO-vs-DGS-20-Set-ca-a.jpg
Afinal parece (ainda vamos a tempo) que já não vai haver a época de caça Outono/Inverno 2020 aos velhos e velhas como houve na Primavera! Enfim... só notícias tristes.
Curiosamente NINGUÉM quer saber das MORTES DIÁRIAS que acontecem às CENTENAS, só estão hipocritamente preocupado com meia-dúzia ou menos de mortes diárias devido à CUVID-19!
Mas a notícia divertida é a que está num documento escrito por salafrários e corruptos intelectuais com o título pomposo:
"PLANO DA SAÚDE
PARA O OUTONO-INVERNO
2020-21"
às tantas podemos ler:
"Importa também sublinhar que, isoladamente, nenhuma das referidas
18medidas básicas é suficiente para controlar a transmissão da doença, mas
que a sua utilização combinada é decisiva.
Em concreto, relativamente à utilização de máscaras, a legislação
atualmente em vigor prevê o uso obrigatório, para pessoas com mais de 10
anos, de máscara em espaços públicos fechados, recomendando-se o seu
uso em qualquer espaço aberto ou fechado sempre que não esteja
garantido o distanciamento físico mínimo de 2 metros."
Ainda não conheço qual é o estudo científico que tenha demonstrado a eficácia de máscaras em ambiente urbano para evitar infecções, mas quem precisa disto quanto temos "modelos matemáticos e cenários hipotéticos"?!
Vou arranjar uma vara, ou um cajado, com 2 metros!
ResponderEliminar"O que estamos a ver agora é uma previsível subida da mortalidade, com a progressiva chegada ao Outono/ Inverno,"
O pequeno aumento que ocorreu entre 06Set e 16Set está, novamente, mais associado a temperaturas altas do que a "infecções", e de igual forma os mortos foram os do costume, velhos e velhas com mais de 75 anos! Nada de novo, e que de resto já aconteceu este ano e que matou mais que a tal da "pandemia"!
ResponderEliminarNão sei mesmo...
Há quem diga que quando este circo tiver produzido a destruição suficiente da economia intermédia (e economia em geral) e se tiver produzido a "massa crítica" suficiente de muitos milhões de desempregados, e pequenos negociantes, e com o apoio de controlo da informação que na prática mantém as pessoas desinformadas, serão legiões de pessoas descontentes e receosas pelo futuro que estarão prontas para:
https://www.weforum.org/great-reset/
Caro HPS,
ResponderEliminarVer a 1ª figura do seguinte link: https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/birthsdeathsandmarriages/deaths/bulletins/deathsregisteredweeklyinenglandandwalesprovisional/latest
As mortes por pnemonia "normal" e influenza há meses que são superiores às mortes com COVID no UK
E aquelas almas ainda estão quase a impor novo cofinamento por causa do COVID? Mais próximos da realidade estariam se argumentassem que o 2º confinamento seria por causa da gripe!
Antes de mais, o prof.
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ResponderEliminarpara se aplicar um modelo de gestão da epidemia próximo do sueco, só mudando de povo
Disparate. O povo português fechou-se em casa mesmo antes de ser obrigatório fazê-lo. O povo português deixou-se fechar em casa com muito mais facilidade e docilidade do que a generalidade dos outros europeus.
ResponderEliminarComo é mais difícil admitir que o que se fez em Março/ Abril foi um erro, diz-se que a epidemia é que ficou diferente.
Exatamente. Com a agravante de cá em Portugal termos uma diretora-geral da Saúde a fazer o papel que deveria ser do primeiro-ministro - dar a cara pelas políticas fixadas. Em vez de se meter no seu lugar de simples técnica, a diretora-geral da Saúde anda a fazer fretes ao governo, sendo ela quem explica as políticas que foram determinadas por este último. É ela quem dá a cara pelas políticas que se decidiu seguir, enquanto que a ministra da Saúde fica meio escondida e o primeiro-ministro, totalmente escondido.
com fiança
ResponderEliminarGostava de saber por que motivo se escreve (sic) quando se cita Graça Freitas a dizr que o padrão alterou-se. Será que o reflexo está errado?
ResponderEliminarMuitos cumprimentos
Mário Matos e Lemos
É a jornalista que escreve e deveria ter escrito "se alterou".
ResponderEliminarTenho ideia de que a maneira como a jornalista escreveu não está errada, mas é mau português, parece-me, e quis deixar claro que não tenho nada com essa opção da jornalista.
https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/birthsdeathsandmarriages/deaths/bulletins/deathsregisteredweeklyinenglandandwalesprovisional/latest
ResponderEliminarNo 1º gráfico desde documento pode-se constatar que há 3 meses que as mortes por gripe normal são superiores às mortes COVID
ResponderEliminarPara os fãs do uso de máscaras:
"UPDATED: CDC removes revised guidance on coronavirus transmission through the air"
https://thehill.com/policy/healthcare/517354-cdc-quietly-shifts-guidance-on-coronavirus-transmission-through-the-air
...
Sem comentários.
ResponderEliminarO texto é longo e não diz muito. Em relação ao povo Filipe Froes terá razão, o povo gosta muito de "circo" e somos o país do FFF. Também verifico que as pessoas quando andam na rua têm tanto por onde passar e optam por passar perto umas das outras. Quando estamos a lidar com algo desconhecido é normal que se cometam erros, mas mais vale a precaução. A qualidade da nossa democracia depende de outros factores.
Mas vamos falar em confiança pois é esse o título. Em parte disse bem "a democracia depende da confiança das pessoas nas instituições", mas não devemos confiar cegamente, deve haver transparência. Mas também depende da confiança das pessoas na informação pois em geral sabemos o que acontece pela informação e ela deve refletir o que é importante e o mundo real. E quem nos informa ou desinforma é a comunicação social. Mas eles apenas publicam o que lhes interessa ou o que não consigam ocultar e decidem com base em critérios desconhecidos o que devemos e o que NÃO devemos saber.
Ver por exemplo: https://visao.sapo.pt/opiniao/ponto-de-vista/igualmente-desiguais/2020-09-11-se-a-televisao-nao-mostrou-entao-nao-aconteceu/
Eu publiquei um comentário sobre este assunto num post seu "A cultura e a tourada", que ignorou, mas agora vem falar em democracia e confiança.
Devemos falar no que faz diferença e que pode contribuir para mudar algo para melhor.
Muito obrigado. Fiz a pergunta porque a mim se afigurou que a forma correcta era precisamente, na frase, alterou-se. Creio que a forma se alterou seguiria a norma brasileira. Mais uma vez, os meus agradecimentos
ResponderEliminarMário Matos e Lemos
Há sempre alienados em busca de uma teoria da conspiração.
ResponderEliminarNão confie em mim nessa matéria, eu dou muitos erros. Neste caso parece-me intuitivo, mas posso estar enganado.
ResponderEliminarNão sendo nada de pessoal, é normal que eu ignore quem venha aqui defender que os portugueses não estão preparados para a democracia
ResponderEliminarJá agora, o post de que fala e que terá comentado, não foi escrito por mim
ResponderEliminarEu não disse que ignorou este meu comentário, mas o outro. Além disso, eu não disse que os portugueses não estavam preparados para a democracia, nem Filipe Froes o disse. Segundo você isso era o que pensava Salazar.
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ResponderEliminarTem razão, o post tem um comentário seu mas não foi escrito por si, peço desculpa.
De qualquer modo, ignorou agora o que disse sobre confiança, democracia e o link que indiquei, "Se a televisão não mostrou, então, não aconteceu!", ou melhor, "Se a comunicação social não mostrou, então, não aconteceu!"
Há sempre alienados em busca da salvação estatal.
ResponderEliminar💯
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ResponderEliminarHPS, eventualmente já terá lido sobre este assunto:
Houve um estudo do Instituto de Saúde Pública da Uni.do Porto sobre a epidemia na região de Lisboa.Pois bem, a Agência Lusa (muito "chegada" ao governo) deu uma "volta" àquele estudo e tirou de lá a seguinte conclusão: "Covid-19: Estudo mostra que não há ligação entre o comboio e transmissão do vírus".
Parece que foi muito do agrado do min. Pedro Nuno Santos que o manifestou.
Só que, afinal, esse estudo do Instituto de Saúde Pública do Porto não permitia tirar tal ilacção... e veio um dos seus autores corrigir as afirmações (Lusa-ministro).
Lembrei-me deste assunto a propósito da "Confiança" (ou falta dela).
( no Contra-Corrente pode-se ouvir)
https://observador.pt/programas/contra-corrente/a-desonestidade-intelectual-de-pedro-nuno-santos/
MT
O corrector do Word insiste em alertar para esse suposto "erro", e eu insisto em mandá-lo bugiar. Sou português há 50 anos e escrevo há 45, e parece-me que foi o Word que se enganou (e não "o Word que enganou-se"). Mas posso estar errado, não seria a primeira vez!
ResponderEliminarSabe mais o Froes sobre o tema na ponta de um dedo a dormir que o HPS nas maos todas acordado 24horas. Deixe-se de delirios homem. Dedique-se à pesca
ResponderEliminarNão tenho a menor dúvida disso, é por isso que quando Froes diz que a Covid é mais perigosa para jovens que a gripe, eu não o atribuo a ignorância, mas a desonestidade: o próprio Froes, antes de se ter metido nesta campanha da covid, falava desenvoltamente sobre a média de internamentos diários e mortes diárias provocadas pelas doenças respiratórias de forma que não deixa qualquer dúvida sobre o que ele sabe e sobre a desonestidade do que diz actualmente.
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ResponderEliminarVer por exemplo: https://visao.sapo.pt/opiniao/ponto-de-vista/igualmente-desiguais/2020-09-11-se-a-televisao-nao-mostrou-entao-nao-aconteceu/ (https://visao.sapo.pt/opiniao/ponto-de-vista/igualmente-desiguais/2020-09-11-se-a-televisao-nao-mostrou-entao-nao-aconteceu/)
Sim nunca vimos uma foto de uma criança Cubana morta.
Talvez possa explicar essa não existência LddC das crianças Cubanas afogadas.
E aqui muitos jornais já não lhes chamam refugiados mas "dissidentes".