quarta-feira, 22 de julho de 2020

Da formação médica

De quando em vez, aparecem por aí uns comentadores que, à falta de argumentos de substância, dizem que eu não posso escrever o que escrevo sobre a epidemia sem ter formação médica.


Para esses, uma informação útil: os médicos não pensam todos da mesma maneira.


"Ou seja, mantenho a minha posição sobre a Covid-19: é uma infecção viral respiratória, com potencial para ser grave numa minoria de pessoas, quase todas acima dos 80 anos, idade em que sua a mortalidade atinge valores próximos de 15% (por comparação, a mortalidade por pneumonia nestas idades anda à volta dos 38%). Poderá vir a ser tão grave como uma gripe pandémica mas, de momento e em Portugal, não teve ainda a repercussão sequer de uma gripe sazonal. Pelo contrário, a repercussão das medidas instauradas para o seu controlo é enorme e crescente. Se não se mudar a estratégia que tem sido seguida nesta doença, aliviando o medo e ajustando as medidas, de acordo com a ciência que as comprova e com as consequências que provocam, os danos que já se fazem sentir virão a ser ainda maiores e a mitigação desses danos, essa sim, tornar-se-á difícil ou impossível."


 

21 comentários:

  1. Bom texto em forma de diálogo. 
    A Margarida Abreu, também do observador, e também médica, partilha a mesma opinião. 
    Felizmente ainda há pessoas que não foram afectadas por esta pandemia da parvoíce. 

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  2. A premissa é engraçada.
    A gripe de Hong Kong (H3N2, 1968-1969), sem confinamento mundial, provocou  1M de vítimas mortais. 
    A Gripe A (H1N1, 2009-2010), sem confinamento mundial, provocou cerca de 200.000 vítimas mortais.
    A covid19 (SARS-CoV-2, 2019-2020), com confinamento à escala mundial, vai em 600.000 vítimas mortais, e continua a somar.


    E HPS defende, como defende Tiago Tribolet de Abreu, que sem confinamento os valores seriam os mesmos. É fácil contabilizar mortos quando são problema dos outros.


    É interessante verificar que quem assim fala também diz "

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  3. 1) A contabilização de mortes covid é feita de forma como nunca foi feita com qualquer outra doença, portanto, qualquer comparação deve ser vista com cautela;
    2) Os 19 doentes curados foram ventilados?

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  4. 1) Quem comparou foram HPS e TTA. HPS clama agora cautela para a comparação porque a contagem covid tem sido original, mas nunca assumiu a enorme falha da comparação entre pandemias com respostas distintas, nomeadamente a diminuição drástica do contágio pelo confinamento. Reitero: é fácil contabilizar mortos quando a responsabilidade é de outros. Que tal a extrapolação dos dados da covid para uma situação SEM confinamento? Ou vejamos países com confinamento à revelia do poder central: No Brasil, 10% dos óbitos foram de pessoas com menos de 60 anos, já nos EUA foram 20%. Os totais já rebentaram com os da gripe A, pandemia com origem naquele continente e onde os seus efeitos foram mais severos.
    2) Dos 21 curados, 2 foram ventilados. Seriam o 18. e o 19. óbitos, segundo a tal teoria de "deixar os ventiladores para os mais novos".
    Rosa Mosquita

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  5. De 600 mil da covid com confinamento e com pandemia, para 1 milhão da de Hong Kong,sem confinamento e sem pandemia sempre vão 400 mil.
    Será que também dá para comparar os danos psicológicos causados entre uma e outra?
    Ou as crises de ansiedade, ou os suicídios ou os danos na economia?
    E os testes a 100 euros também foram feitos na gripe de Hong Kong a todos os assintomaticos?
    Eh pá! Por favor ponham a ideologia de parte e pensem pela própria cabeça. 

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  6. Penso que a sua contabilidade sobre doentes, mortos e ventilados diz o suficiente sobre a seriedade da sua argumentação.
    Ainda assim, que idade tinham esses dois que foram ventilados e qual era a sua condição de saúde de partida?

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  7. Já agora, porque se trata de uma acusação abaixo de cão, ninguém, muito menos Tiago Tribolet de Abreu, defendeu a teoria de deixar os ventiladores para os mais novos.
    O que ele diz é que qualquer tratamento médico só deve ser feito quando as suas vantagens são maiores que as desvantagens.
    Se for ler a entrevista de Roncon, a pessoa que mais doentes de covid tratou em cuidados intensivos, eles diz exactamente o mesmo, e que teve de resistir à pressão para ventilar quando, na opinião dele, não se justificava (a maior parte das vezes, porque era possível ter melhores resultados sem ventilação).
    Confesso que me chateia mesmo a sua suposta superioridade moral que consiste em atribuir a terceiros argumentos que não foram usados para desqualificar moralmente pessoas que simplesmente pensam de maneira diferente da sua.

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  8. Engraçado que diz estar eu errada na contabilidade, mas não diz onde nem corrige... tal como continua sem assumir a enorme falha nas suas premissas, malvados americanos que estragam as médias tão bonitas dos confinados por decreto.
    Para quem sobranceiramente aponta a falta de seriedade aos outros, HPS vai muito além de tal falta - isso de dizer que os outros estão errados sem apresentar factos é, apenas, opinião. Rasteira. 


    Como diz no texto, nem todos os médicos concordam - da mesma maneira que TTA defende a não ventilação a partir dos 80, outros defendem a não utilização de outros procedimentos médicos a partir dos 70 e, até, a não utilização de determinados medicamentos "por causa da idade". Portanto, atendendo a tais arbitrariedades, dos 21 utentes recuperados, talvez 5 tivessem tido direito a assistência médica se fossem tais árbitros a decidir. Os outros que se avinhassem, abifassem e abafassem.
    que interessa o estado de saúde inicial dos ventilados? A questão era a idade, está lá escrito no texto citado. Ou a sua falta de argumento obriga à mudança de foco?
    Quando voltarmos a falar de negação de cuidados médicos (quiçá de eutanásia e objecção de consciência!) terei umas frases engraçadas para citar. Por agora, o problema é, mesmo, a covid e a elasticidade das suas premissas. Suas, de Henrique Pereira dos Santos et al.


    Rosa Mosquita

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  9. Treta!
    Copiei inteiramente a frase, e cansam-me os argumentos de não ter alguém, ainda para mais alguém que não o próprio!, querido dizer o que disse. Não é literalidade, coisa que não uso, mas facto. A decisão de ventilar deve ser feita caso a caso, e a idade não é nem pode ser premissa por si só. Chamar a entrevista de Roncon apenas confirma o que disse sobre opções médicas díspares; e, claro, tenta falaciosamente amenizar o argumento de Tribolet de Abreu. E seu.


    Que HPS veja no que escrevi algum tipo de superioridade moral diz mais da inferioridade do seu argumento do que daquilo que escrevi.


    Rosa Mosquita

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  10. A Gripe de Hong Kong foi pandemia.

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  11. Ó Rosa você leu o que escreveu?
    Então explique lá. Se não há termos de comparação onde é que está a falácia?
    Se nunca houve testes a assintomaticos como é que pode partir do principio que são muitos? 
    Quando se faz estatística tem de se estabelecer um universo, e é desse universo que têm de partir as permissas. Mas isso você sabe, não é?
    Mas como você diz,o problema é o desconfinamento, então se não há dados porque é que você vai logo para a  tragédia?
    Não stress, relativize e vai ver que a vida lhe corre melhor. 

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  12. Já agora, e para despedida, eu não fui buscar "argumentos que não foram usados".
    1. A ligação ao artigo de opinião de Tiago Tribolet de Abreu é sua;
    2. As frases citadas por si incluem a expressão "a repercussão das medidas instauradas para o seu controlo é enorme e crescente", referindo-se este seu à Covid19, "infecção viral respiratória (...) poderá ser tão grave como uma gripe pandémica", portanto doença e não pandemia;
    3. A ventilação é uma medida de controlo dos sintomas da doença.


    Confesso que me chateia mesmo a sua chateação por falta de discernimento, que consiste em descartar-se de frases infelizes atribuindo-me argumentos constantes  nos textos que cita.
    Rosa Mosquita

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  13. Os boçais e irresponsáveis são os que dizem isso... São bons para fazer rir!

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  14. E continua sem perceber: onde falei de assintomáticos ou não assintomáticos? Falei de mortos em valor absoluto, apresentando os óbitos de 3 pandemias.
    Leia, raciocine e deixe de tergiversar.
    Rosa Mosquita

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  15. A frase "deixar os ventiladores para os mais novos" não está nem no meu texto, nem no texto de Tiago Tribolet de Abreu

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  16. Já agora, e em jeito de despedida:
    Falácia do apelo à ignorância. Tentou usar, mas cortei-lhe a hipótese.


    E a sua pergunta e a minha resposta versavam sobre estudos psicológicos, não sobre testes.


    Desista, em tão poucos comentários já conseguiu dizer que a Gripe de Hong Kong não foi pandemia, misturar valores absolutos e relativos, confundir óbitos, estudos psicológicos e testes a assintomáticos, e recorrer ao insulto enquanto demonstra que o seu problema não são apenas as falácias mas a capacidade de interpretação do que se escreve e, pior, do que escreve. Alhos e bugalhos: não pode comparar universos com premissas distintas. 
    Passe bem.
    Rosa Mosquita

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  17. Rosa, desista. Aqui não tem hipótese. Os relatórios feitos aqui partem das conclusões e dão as voltas que forem necessárias para as tentar validar. É só engraçado de ver. Não se canse. Saúde. Hugo.

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  18. Então se fala de mortos em termos absolutos vamos falar dos mortos do ano passado, ano em que não houve pandemia. 
    O ano passado houve mais de 3 mil mortes, não se falou em pandemia.
    Este ano há cerca de mil e seiscentos mortes, chamam-lhe pandemia. 
    Percebe a diferença?
    Não é nenhuma falácia é a realidade.
    Que tipo de pessoa é que você prefere ser?
    É andar tipo tótó com uma máscara cheia de bactérias e fungos, ou tentar informar-se e agir pela sua própria cabecinha?
    Leia mais um bocadinho, vai ver que só tem a ganhar.

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  19. os médicos não pensam todos da mesma maneira


    Pois. Aliás, mesmo em matérias supostamente científicas e da sua especialidade, os médicos exibem tantos preconceitos, tantas opiniões apriorísticas, tantas crenças infundadas, como a generalidade dos cidadãos. Não são melhores nem piores do que a generalidade dos cidadãos.


    Eu quando tive um filho e chegou a altura de lhe dar a primeira papa, o pediatra (um médico) ensinou-me que eu deveria pôr na papa um pouco de carne. Carne que não deveria ser porco, teve ele o cuidado de me explicar, mas sim borrego, mais especificamente do cachaço. Um primo meu que tinha uma bebé da mesma idade informou-me pouco tempo depois que o pediatra dela (também um médico) o tinha ensinado que a carne que se deveria pôr na papa deveria ser porco - precisamente a carne que o meu pediatra tinha liminarmente rejeitado.


    Entre médicos, como na população em geral, há opiniões para todos os gostos. Mesmo em assuntos da sua estrita especialidade.

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  20. Está a inversa, a discordância no uso acima dos 80 anos.


    Já agora, e voltando a esta questão das idades, tente encaixar no seu discurso os (para si) novos dados: a mortalidade da covid19 é significativa a partir dos 55 anos.


    https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-idade-e-o-maior-fator-de-maior-peso-na-mortalidade-revela-estudo (https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-idade-e-o-maior-fator-de-maior-peso-na-mortalidade-revela-estudo)


    Rosa Mosquita

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  21. Ainda a tentar a justificar a falta de seriedade de atribuir a terceiros interpretações suas?
    Mas leu o estudo que cita, ou ficou pelos jornais?

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...