De quando em vez, aparecem por aí uns comentadores que, à falta de argumentos de substância, dizem que eu não posso escrever o que escrevo sobre a epidemia sem ter formação médica.
Para esses, uma informação útil: os médicos não pensam todos da mesma maneira.
Bom texto em forma de diálogo.
ResponderEliminarA Margarida Abreu, também do observador, e também médica, partilha a mesma opinião.
Felizmente ainda há pessoas que não foram afectadas por esta pandemia da parvoíce.
A premissa é engraçada.
ResponderEliminarA gripe de Hong Kong (H3N2, 1968-1969), sem confinamento mundial, provocou 1M de vítimas mortais.
A Gripe A (H1N1, 2009-2010), sem confinamento mundial, provocou cerca de 200.000 vítimas mortais.
A covid19 (SARS-CoV-2, 2019-2020), com confinamento à escala mundial, vai em 600.000 vítimas mortais, e continua a somar.
E HPS defende, como defende Tiago Tribolet de Abreu, que sem confinamento os valores seriam os mesmos. É fácil contabilizar mortos quando são problema dos outros.
É interessante verificar que quem assim fala também diz "
1) A contabilização de mortes covid é feita de forma como nunca foi feita com qualquer outra doença, portanto, qualquer comparação deve ser vista com cautela;
ResponderEliminar2) Os 19 doentes curados foram ventilados?
1) Quem comparou foram HPS e TTA. HPS clama agora cautela para a comparação porque a contagem covid tem sido original, mas nunca assumiu a enorme falha da comparação entre pandemias com respostas distintas, nomeadamente a diminuição drástica do contágio pelo confinamento. Reitero: é fácil contabilizar mortos quando a responsabilidade é de outros. Que tal a extrapolação dos dados da covid para uma situação SEM confinamento? Ou vejamos países com confinamento à revelia do poder central: No Brasil, 10% dos óbitos foram de pessoas com menos de 60 anos, já nos EUA foram 20%. Os totais já rebentaram com os da gripe A, pandemia com origem naquele continente e onde os seus efeitos foram mais severos.
ResponderEliminar2) Dos 21 curados, 2 foram ventilados. Seriam o 18. e o 19. óbitos, segundo a tal teoria de "deixar os ventiladores para os mais novos".
Rosa Mosquita
De 600 mil da covid com confinamento e com pandemia, para 1 milhão da de Hong Kong,sem confinamento e sem pandemia sempre vão 400 mil.
ResponderEliminarSerá que também dá para comparar os danos psicológicos causados entre uma e outra?
Ou as crises de ansiedade, ou os suicídios ou os danos na economia?
E os testes a 100 euros também foram feitos na gripe de Hong Kong a todos os assintomaticos?
Eh pá! Por favor ponham a ideologia de parte e pensem pela própria cabeça.
Penso que a sua contabilidade sobre doentes, mortos e ventilados diz o suficiente sobre a seriedade da sua argumentação.
ResponderEliminarAinda assim, que idade tinham esses dois que foram ventilados e qual era a sua condição de saúde de partida?
Já agora, porque se trata de uma acusação abaixo de cão, ninguém, muito menos Tiago Tribolet de Abreu, defendeu a teoria de deixar os ventiladores para os mais novos.
ResponderEliminarO que ele diz é que qualquer tratamento médico só deve ser feito quando as suas vantagens são maiores que as desvantagens.
Se for ler a entrevista de Roncon, a pessoa que mais doentes de covid tratou em cuidados intensivos, eles diz exactamente o mesmo, e que teve de resistir à pressão para ventilar quando, na opinião dele, não se justificava (a maior parte das vezes, porque era possível ter melhores resultados sem ventilação).
Confesso que me chateia mesmo a sua suposta superioridade moral que consiste em atribuir a terceiros argumentos que não foram usados para desqualificar moralmente pessoas que simplesmente pensam de maneira diferente da sua.
Engraçado que diz estar eu errada na contabilidade, mas não diz onde nem corrige... tal como continua sem assumir a enorme falha nas suas premissas, malvados americanos que estragam as médias tão bonitas dos confinados por decreto.
ResponderEliminarPara quem sobranceiramente aponta a falta de seriedade aos outros, HPS vai muito além de tal falta - isso de dizer que os outros estão errados sem apresentar factos é, apenas, opinião. Rasteira.
Como diz no texto, nem todos os médicos concordam - da mesma maneira que TTA defende a não ventilação a partir dos 80, outros defendem a não utilização de outros procedimentos médicos a partir dos 70 e, até, a não utilização de determinados medicamentos "por causa da idade". Portanto, atendendo a tais arbitrariedades, dos 21 utentes recuperados, talvez 5 tivessem tido direito a assistência médica se fossem tais árbitros a decidir. Os outros que se avinhassem, abifassem e abafassem.
que interessa o estado de saúde inicial dos ventilados? A questão era a idade, está lá escrito no texto citado. Ou a sua falta de argumento obriga à mudança de foco?
Quando voltarmos a falar de negação de cuidados médicos (quiçá de eutanásia e objecção de consciência!) terei umas frases engraçadas para citar. Por agora, o problema é, mesmo, a covid e a elasticidade das suas premissas. Suas, de Henrique Pereira dos Santos et al.
Rosa Mosquita
Treta!
ResponderEliminarCopiei inteiramente a frase, e cansam-me os argumentos de não ter alguém, ainda para mais alguém que não o próprio!, querido dizer o que disse. Não é literalidade, coisa que não uso, mas facto. A decisão de ventilar deve ser feita caso a caso, e a idade não é nem pode ser premissa por si só. Chamar a entrevista de Roncon apenas confirma o que disse sobre opções médicas díspares; e, claro, tenta falaciosamente amenizar o argumento de Tribolet de Abreu. E seu.
Que HPS veja no que escrevi algum tipo de superioridade moral diz mais da inferioridade do seu argumento do que daquilo que escrevi.
Rosa Mosquita
A Gripe de Hong Kong foi pandemia.
ResponderEliminarÓ Rosa você leu o que escreveu?
ResponderEliminarEntão explique lá. Se não há termos de comparação onde é que está a falácia?
Se nunca houve testes a assintomaticos como é que pode partir do principio que são muitos?
Quando se faz estatística tem de se estabelecer um universo, e é desse universo que têm de partir as permissas. Mas isso você sabe, não é?
Mas como você diz,o problema é o desconfinamento, então se não há dados porque é que você vai logo para a tragédia?
Não stress, relativize e vai ver que a vida lhe corre melhor.
Já agora, e para despedida, eu não fui buscar "argumentos que não foram usados".
ResponderEliminar1. A ligação ao artigo de opinião de Tiago Tribolet de Abreu é sua;
2. As frases citadas por si incluem a expressão "a repercussão das medidas instauradas para o seu controlo é enorme e crescente", referindo-se este seu à Covid19, "infecção viral respiratória (...) poderá ser tão grave como uma gripe pandémica", portanto doença e não pandemia;
3. A ventilação é uma medida de controlo dos sintomas da doença.
Confesso que me chateia mesmo a sua chateação por falta de discernimento, que consiste em descartar-se de frases infelizes atribuindo-me argumentos constantes nos textos que cita.
Rosa Mosquita
Os boçais e irresponsáveis são os que dizem isso... São bons para fazer rir!
ResponderEliminarE continua sem perceber: onde falei de assintomáticos ou não assintomáticos? Falei de mortos em valor absoluto, apresentando os óbitos de 3 pandemias.
ResponderEliminarLeia, raciocine e deixe de tergiversar.
Rosa Mosquita
A frase "deixar os ventiladores para os mais novos" não está nem no meu texto, nem no texto de Tiago Tribolet de Abreu
ResponderEliminarJá agora, e em jeito de despedida:
ResponderEliminarFalácia do apelo à ignorância. Tentou usar, mas cortei-lhe a hipótese.
E a sua pergunta e a minha resposta versavam sobre estudos psicológicos, não sobre testes.
Desista, em tão poucos comentários já conseguiu dizer que a Gripe de Hong Kong não foi pandemia, misturar valores absolutos e relativos, confundir óbitos, estudos psicológicos e testes a assintomáticos, e recorrer ao insulto enquanto demonstra que o seu problema não são apenas as falácias mas a capacidade de interpretação do que se escreve e, pior, do que escreve. Alhos e bugalhos: não pode comparar universos com premissas distintas.
Passe bem.
Rosa Mosquita
Rosa, desista. Aqui não tem hipótese. Os relatórios feitos aqui partem das conclusões e dão as voltas que forem necessárias para as tentar validar. É só engraçado de ver. Não se canse. Saúde. Hugo.
ResponderEliminarEntão se fala de mortos em termos absolutos vamos falar dos mortos do ano passado, ano em que não houve pandemia.
ResponderEliminarO ano passado houve mais de 3 mil mortes, não se falou em pandemia.
Este ano há cerca de mil e seiscentos mortes, chamam-lhe pandemia.
Percebe a diferença?
Não é nenhuma falácia é a realidade.
Que tipo de pessoa é que você prefere ser?
É andar tipo tótó com uma máscara cheia de bactérias e fungos, ou tentar informar-se e agir pela sua própria cabecinha?
Leia mais um bocadinho, vai ver que só tem a ganhar.
ResponderEliminaros médicos não pensam todos da mesma maneira
Pois. Aliás, mesmo em matérias supostamente científicas e da sua especialidade, os médicos exibem tantos preconceitos, tantas opiniões apriorísticas, tantas crenças infundadas, como a generalidade dos cidadãos. Não são melhores nem piores do que a generalidade dos cidadãos.
Eu quando tive um filho e chegou a altura de lhe dar a primeira papa, o pediatra (um médico) ensinou-me que eu deveria pôr na papa um pouco de carne. Carne que não deveria ser porco, teve ele o cuidado de me explicar, mas sim borrego, mais especificamente do cachaço. Um primo meu que tinha uma bebé da mesma idade informou-me pouco tempo depois que o pediatra dela (também um médico) o tinha ensinado que a carne que se deveria pôr na papa deveria ser porco - precisamente a carne que o meu pediatra tinha liminarmente rejeitado.
Entre médicos, como na população em geral, há opiniões para todos os gostos. Mesmo em assuntos da sua estrita especialidade.
Está a inversa, a discordância no uso acima dos 80 anos.
ResponderEliminarJá agora, e voltando a esta questão das idades, tente encaixar no seu discurso os (para si) novos dados: a mortalidade da covid19 é significativa a partir dos 55 anos.
https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-idade-e-o-maior-fator-de-maior-peso-na-mortalidade-revela-estudo (https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-idade-e-o-maior-fator-de-maior-peso-na-mortalidade-revela-estudo)
Rosa Mosquita
Ainda a tentar a justificar a falta de seriedade de atribuir a terceiros interpretações suas?
ResponderEliminarMas leu o estudo que cita, ou ficou pelos jornais?