“Tivemos muito que ponderar. Depois de uma primeira tendência para deixar o guarda-redes jogar, por precaução, preferimos que um positivo não jogasse. Quando há incerteza científica é preciso agir com toda a cautela. Provavelmente serão só partículas virais, mas na dúvida agimos por precaução. O risco de contágio será baixo, mas não há uma evidência científica robusta que nos permita dizer que não existia”
Aparentemente esta é a opinião da Direcção Geral de Saúde, não é de um taxista qualquer.
A procura de risco zero, para além de estúpida, é tão perigosa como a ausência de precaução.
O qe está aqui em causa não tem já qualquer relação com a ciência, é um problema clássico de gestão e só uma cabeça completamente confusa toma decisões que têm como objectivo ter o risco zero de contaminação de uma infecção que, para o público alvo de um jogo de futebol - jovens adultos em boas condições físicas - tem uma probabilidade quase nula (o "quase" é uma mera precaução teórica) de ter efeitos negativos relevantes não só de infecção, como de efeitos negativos relevantes para os afectados.
O que citei acima não é gestão prudencial de uma situação de incerteza, é simples prepotência assente numa noção completamente errada de gestão de riscos.
Não se pode pedir às pessoas (e às instituições) mais que aquilo que podem dar, pedir à DGS que faça gestão de riscos a este nível é claramente pedir-lhe muito mais do que a DGS está preparada para fazer.
A responsabilidade disso não é da Directora Geral de Saúde (a não ser na medida em que aceita ser usada por um poder político cobarde) é de quem lhe atribui a tarefa de gerir riscos como os descritos.
A DGS tomou a decisão correta, isto é, tomou uma decisão consistente com todas as que tem tomado em casos similares, ou seja, "se estás contaminado, então tens que ficar confinado". O guarda-redes não podia ser uma exceção, caso contrário a DGS perderia a autoridade para impôr o confinamento em todos os outros casos de contaminação.
ResponderEliminarAcho bem que o Henrique proteste contra medidas de restrição da liberdade de pessoas não infetadas. Já me parece menos razoável que proteste contra tais medidas quando as pessoas estão reconhecidamente infetadas.
Testar para quê ? Por testar ?
ResponderEliminarSe o faz tira consequências. Se não há relevância científica nos testes e,para mais, a juventude aguenta bem,a contestação será à testagem e não ao tirar
consequências dela.
Há pessoas impedidas de trabalhar e de estar com os seus em igual situação.
ResponderEliminarMas o homem não está contaminado coisa nenhuma, o facto de haver o teste positivo não é nenhuma certeza de contaminação, como aliás é claríssimo da explicação dada e que citei
ResponderEliminarNa verdade estou estupefacto com os comentários da Senhora Directora, nomeadamente "...uma primeira tendência para o deixar jogar" e "...provavelmente serão só partículas virais". Mas o que é isto?! A meu ver, das duas uma, ou dispõem de métodos, que eu desconheço, para distinguir testes que apenas revelam "partículas" daqueles que resultam de uma infecção activa, ou então a alternativa é mesmo a de que sabem que a maioria dos testes positivos feitos a pessoas assintomáticas na verdade estão apenas presentes as tais "partículas" que presumo se consideram, com uma elevada probabilidade, inofensivas.
ResponderEliminarComo a primeira opção julgo não ser possível, um teste ou é positivo ou negativo, então julgo que parece claro que nesta infeliz (mais uma) intervenção desta senhora, está implícita a vigarice que nos querem impingir relativamente a todo o alarmismo dos últimos dias...
Ao que isto chegou...
Uma dor de cabeça combate-se com paracetamol, uma infecção de "lombriga" com anti parasitas. Neste caso, este vírus está a ser combatido com política, misturada com ciência (ou paraciência) e senso comum (ou falta dele).
ResponderEliminarSe antes queriam que fossemos todos para casa (goste-se ou não, tem impacto no contágio), agora que as economias estão à beira do "tilt" importa mudar o discurso. Discretamente, já munidos com máscaras e outros tantos aparatos, já podemos dizer que "saiam lá devagarinho" pois já temos as ferramentas a postos e não podemos nos dar ao luxo de que quem trabalha deixe de alimentar os impostos e o bolso de quem gera empregos e muitos lucros. No meio disto, misturam-se ideologias e medidas para agradar aos amigos. Somam-se as referências exaustivas aos maus exemplos e temos uma novela mexicana (brasileira não, porque as coisas para esses lados estão mal). Não há muito mais a dizer...
No final, se o jogador cospe bactérias, infecta ou não infecta os outros que se besuntam na relva impregnada com os escarros dos colegas, é só um pormenor...