domingo, 14 de junho de 2020

"A normalização do absurdo"

Tenho inveja de não ter escrito este artigo.


A facilidade com que aceitamos o absurdo como base de convivência social é deprimente, deprimente, deprimente, seja o absurdo de gastarmos milhares em sapadores florestais mas acharmos que não existe dinheiro para apoiar pastores, ou o absurdo de impôr aos proprietários privados obrigações que o Estado não cumpre no que lhe compete, ou o absurdo de não avaliarmos os efeitos secundários das medidas administrativas necessárias para o exercício de actividades sociais que o Estado não exerce porque prefere gastar o dinheiro em companhias aéreas, seja o absurdo de um dia ser proibido tomar banho no balnerário de um ginásio, no dia seguinte já ser permitido e ninguém querer saber quem, como e com que base foi tomada qualquer uma das decisões, seja o absurdo do Estado ter desenhado para si um sistema de justiça próprio, assentes em tribunais especiais, os tribunais administrativos, que se regem por critários diferentes dos que regem o resto da justiça (se alguém se der ao trabalho de comparar a forma como os tribunais do trabalho e administrativos tratam os mesmo direitos dos trabalhadores, ainda tem um AVC), etc., etc., etc..


É verdade que está longe de ser o único artigo que tenho inveja de não ter escrito, por exemplo, este desta semana de Paulo Tunhas, sobre o caminho da servidão que estamos a trilhar, é notável, mas o artigo de Helena Matos tem um conjunto de referências de normalidade absurda a que não ligamos nenhuma que o tornam particularmente feliz.


Feliz, o artigo, porque aos leitores, pelo contrário, encaminha-os solidamente para depressão.

6 comentários:

  1. https://www.om.acm.gov.pt/documents/58428/182327/2_AVieira_Interculturalidade.pdf/2a83fa95-0e17-45a6-b5f1-2d1df5cb1caa (https://www.om.acm.gov.pt/documents/58428/182327/2_AVieira_Interculturalidade.pdf/2a83fa95-0e17-45a6-b5f1-2d1df5cb1caa)

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  2. É sabido que a Democrcia contém dentro de si o(s) germe(s) da sua própria destruição. Paradoxalmente a Tolerância, que se confunde com uma certa inércia, ou complacência, é um deles.
    Li ambos os artigos que referiu. Assustam. Mas não se pode optar pela passividade de apenas se assistir a tudo, vendo no que vai dar.
    A propósito: ainda não li, não ouvi, nenhuma das "altas instâncias" pronunciarem-se ou condenarem veementemente todo esta barbárie que tem estado a acontecer no espaço público (cartazes, destruição, ameaças...) Então, Sr. Presidente?! Sr. 1º Ministro?! Sr. Presidente da Adm. Interna?! Não têm nada a dizer que se ouça alto e bom som?  

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  3. Como Povo, ficamos muito, muitíssimo mal no "retrato" .


    JSP

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  4. Textos, um e outro, que desgraçadamente nunca sairão do limitado âmbito dos assinantes do Observador. Enquanto, de todo, textos desses puderem ser publicados. Seja onde for.


    Costa 

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  5. Eis aqui o absurdo de que fala Paulo Tunhas:


    https://www.youtube.com/watch?v=u54cAvqLRpA&feature=youtu.be (https://www.youtube.com/watch?v=u54cAvqLRpA&feature=youtu.be)
    Evergreen et les dérives du progressisme.

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  6. Não temos de ser fatalistas e conformados. Pode-se sempre fazer alguma coisa.

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...