terça-feira, 19 de maio de 2020

O estranho caso da Suécia

Não, não me interessam as discussões sobre se o modelo sueco de gestão da epidemia provoca mais mortos ou não pela simples razão de, neste momento, ser uma discussão sem qualquer sentido.


Não sabemos, e não saberemos tão cedo, os factores que estão na base dos diferentes níveis de ataque da epidemia em diferentes sítios, por exemplo, não sabemos explicar as diferenças entre Estocolmo e Gotemburgo, tal como não sabemos ainda as razões para as diferenças de mortalidade, e muito menos saberemos explicar as diferenças entre países, tanto mais que os níveis de ataque da epidemia estão muito longe de ser uniformes dentro de cada país.


O que é estranho na Suécia é o empenho de tanta gente em querer demonstrar que o modelo sueco de gestão da epidemia é responsável por não sei quantas mortes a mais.


Mesmo em comentários pequeninos, como este de hoje, no Público "Há trinta anos que não morria tanta gente num só mês na Suécia como em Abril, segundo os números oficiais divulgados ontem. Houve 10 458 óbitos no país de 10,3 milhões de habitantes que optou por não decretar medidas de confinamento".


O comentário é, em si, idiota (sem contexto para os números não sabemos o que querem dizer 10 458 óbitos, e muito menos sabemos a relação deste número com a covid que deve ser responsável por um quarto, no máximo, dessa mortalidade), mas serve a ideia de que é preciso apontar o dedo à Suécia e puni-los por terem optado por uma gestão diferente da epidemia - as diferenças, sendo relevantes do ponto de vista do respeito pelas pessoas e a sua autonomia de decisão, são relativas do ponto de vista do efeito prático porque houve uma grande redução voluntária dos contactos sociais.


O que estranho é que ao ler uma boa parte dos comentários sobre o modelo sueco, o que parece motivar boa parte das pessoas não é perceber o que correu bem e mal nessa gestão (e há sítios no mundo em que correu muito pior que em Estocolmo, tal como há sítios em que correu melhor, como em Gotemburgo), mas sim impedir a divergência e demonstrar que não havia alternativa ao que foi feito noutros lados.


A ideia de esmagar as diferenças, a diversidade e a desigualdade parece ser uma ideia muito mais popular do que eu pensava.

6 comentários:


  1. Nem a propósito (no "link") um texto analizando os actuais resultados, o estado da arte, da luta anti-pandemia na Suecia.
    Aparentemente, com sacrifícios comedidos, o sistema sueco apresenta facetas invejáveis.
    Entretanto os Países em pós-confinamento não terão eles mesmos que percorrer todas as etapas da imunização colectiva?. É certo que com a vantagem da experiência e conhecimentos agora adquiridos, mas....


    https://www.zerohedge.com/health/whitney-race-immunity-sweden-leads-pack

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  2. Não se trata de "esmagar as diferenças, a diversidade e a desigualdade" mas sim de autojustificarmos, perante nós mesmos, os sacrifícios que nos impusemos. Para continuarmos de cabeça erguida e não termos que chegar à conclusão de que fomos estúpidos em passar seis semanas fechados em casa, temos que demonstrar que esse sacrifício não foi em vão, e para isso temos que apontar o dedo aos suecos e castigá-los por não terem feito o mesmo que nós.

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  3. Houve 10 458 óbitos no país de 10,3 milhões de habitantes

    Num país como a Suécia ou como Portugal, com 10,3 milhões de habitantes, têm que morrer aproximadamente dez mil pessoas por mês para que a esperança de vida seja aquela que é (84 anos).

    Portanto, se em abril morreram 10500 pessoas na Suécia, eu diria que isso não é nada mau - é pouco pior do que um mês médio. Eu diria que, num abril típico, devem morrer na Suécia umas 9000 a 9500 pessoas. O covid provocou, quando muito, umas 1500 mortes a mais - um aumento de mortalidade de 16%.

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  4. Um artigo que diz “

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  5. Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos:
    Atrevo-me a sair do tema do seu post e a aproveitar este espaço para lhe dizer que vejo diariamente um programa televisivo intitulado  "Aquí la Tierra"  no canal espanhol  rtve.  É imperdível, se eventualmente ainda o não conhece. Estou certo que irá apreciá-lo, uma vez que se prende com a sua área. Passa diariamente naquele canal, durante 30 minutos, desde as 19:30h às 20h (pela  nossa hora portuguesa). 


    Tem um apresentador notável, premiado, do melhor que há,  assim como o próprio programa já recebeu inúmeros, entre os quais o da  "Biocultura", o de "melhor programa sobre Ambiente", o de "Combate ao despovoamento", etc.
    Divulga-se a Espanha, a paisagem, a interacção homem-natureza, o território, vilas e aldeias, pessoas, a gastronomia. Assistimos a todo o processo do "campo para a mesa" em directo. Promove-se um país, divulga-se uma cultura e dá-se a conhecer o que tem de mais genuíno um povo. Tudo feito com inteligência, dinamismo e com aquele salero característico. 
    Durante essa meia-hora sinto-me desanuviado e com  a alma lavada do nosso (às vezes) deprimente jornalismo.


    Cumprimentos
    Luís Sampaio

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  6. Tadinho.,..não se cala. Há que fazer tempos até aos fogachos para explicar, como bem afirma o professor do instituto superior da pulquéria superior, que o eucalipto é como as roseiras. tem espinhos mas é lindo.


    E o santo que não dá sinais de vida...

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