sábado, 16 de maio de 2020

Isto é mesmo jornalismo?

Confesso que nem li a peça antes de fazer este post, de tal forma fico irritado com esta praga dos jornalistas transformados em assessores de imprensa do vírus e de quem disser que o está a combater.


Comecemos pelo título.


"Quando e como posso ir à praia? E jantar fora com amigos? Ou levar o carro à inspeção?".


Caros jornalistas, será possível que não compreendam que o simples facto de acharem normal alguém ter de perguntar quando e como pode ir à praia ou jantar com os amigos vos deveria fazer acender uma luz encarnada no cérebro? Será que acham normal que seja preciso perguntar a alguém se posso ir jantar fora com os amigos quando em todo surto da covid em Portugal morreram mais ou menos um terço da média anual das mortes excessivas por época de gripe?


Será que não percebem mesmo que a vossa função é questionar o poder que pretende determinar se eu posso ou não ir jantar fora com os amigos, em vez de aceitarem abulicamente tudo o que o poder vos quiser impingir em matéria de restrição de direitos individuais?


Será que não sabem mesmo que o jornalismo é socialmente útil quando está do lado da liberdade e é simples prostituição quando se passa para o lado da defesa da segurança em nome do bem comum?


É que para isso que existe a polícia, não são precisos jornalistas.


"O país entra numa nova fase de desconfinamento, mas isso não implica mudanças no dever de recolhimento, diz António Costa."


Lá dizer diz, e António Costa tem todo o direito de dizer o que entender, os jornalistas é que não têm o direito de ser os megafones do que diz este, ou qualquer outro, primeiro ministro, o vosso dever é perguntar-lhe permanentemente a que propósito é que existe dever de recolhimento se o surto está controlado, se o número de novos casos é perfeitamente gerível - e ocorre em ambientes confinados -, se o número de mortos é completamente ridículo face às cerca de 300 mortes diárias que é normal ocorrerem e se não existe o menor sinal de problemas nos países em que a abertura ocorreu mais cedo.


Quando estudava em Évora, uma visita que nunca lá tinha estado perguntava a que horas fechava o templo de Diana porque queria ir visitá-lo e, pelo vistos, há jornalistas que também acham que as praias abrem e fecham de acordo com a vontade do governo.


O vosso dever é dizer que não existe qualquer razão para se aceitar o dever de recolhimento de pessoas saudáveis e de baixíssimo risco face ao surto em curso, o vosso dever é estar do lado de quem resiste, o vosso dever é estar do lado das liberdades e dos direitos individuais.


Se não servem para isso, não servem para nada.

9 comentários:

  1. os sabujos subservientes cantarão  sempre

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  2. Infantilismo, ignorância, menoridade mental   -   tudo o que quisermos.
    Jornalismo é que não.


    JSP

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  3. Henrique Pereira dos Santos,
    um post simples mas rico em Verdade.
    Não há bem que sempre dure, nem mal que perdure.
    Estes jornaleiros ainda irão mendigar o sustento, para eles e para as suas pobres famílias.
    Acredito que 4/5 dos tugas são ignorantes e estúpidos. Não me admira o fenómeno jornaleiro.

    Que Deus tenha piedade de nós; e deles.


    Abraço

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  4. o vosso dever é ignorar todas as pessoas que dizem qual é o vosso dever. 

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  5. "...Perguntava a que horas é que fechava o templo de diana..."


    caro Senhor
    receio que os por si referidos, jornalistas, tenham uma tão vasta ignorância do que é uma cidadania responsável, um civismo exigente, e um escrutínio de poderes desproporcionados, como essa dita pessoa teria do templo de Diana.
    São copistas, que se limitam a fazer copy paste dos press release do governo, a cuja boa vontade as suas direcções aspiram.


    Cumprimentos

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  6. Seguem esta cartilha http://bostonreview.net/science-nature/marc-lipsitch-good-science-good-science#.XrrGUCxIJYc.twitter

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  7. A CS nacional, excepção feita a muito pouca Imprensa, é literalmente:
    "His master voice" ou, em bom português, "lambe-botas".
    Pudera !
    Está inteiramente dependente da ideologia que a formou e, sobretudo, de quem lhe paga.

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  8. Perfeito. Eu acrescentaria perguntar porque acham que hoje estamos mais protegidos que há 2 meses, em que medida é que estar confinados melhorou a nossa capacidade de resposta..

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  9. É preciso perceber que os jornalistas vivem numa relação de simbiose com os governantes. Em particular, os governantes fornecem, de forma constante e confiável, notícias aos jornalistas. E, como tal, os jornalistas têm interesse em não espicaçar os governantes. Caso contrário ainda podem acabar por ser destratados como Trump destrata os jornalistas que lhe desagradam, tornando-os nuns párias que não conseguem arranjar notícias para os seus jornais.

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