Porque a única maneira de verificar se uma visão do futuro estava certa ou errada é verificá-la no futuro, olhemos então para a famosa semana 19 (usando o Euromomo), agora que já existem os dados reais (ainda provisórios, como convém frisar).

O primeiro comentário é sobre o carácter provisório dos dados: é verdade que de semana a semana há variações naquela parte a amarelo, mas não têm sido variações por aí além.
O segundo comentário é que o pico de mortalidade excessiva foi nas semanas 14 e 15, e a quase entrada na normalidade na semana 19.
Diferenças em relação à visão do que deveria acontecer prendem-se com o carácter tardio do pico, nas semanas 14 e 15, em vez da ser até à semana 12. Isto pode dever-se às características clinicas da doença, em que a morte sobrevém a partir de quinze dias da infecção (mais ou menos), mas também pode ser simplesmente a entrada em cena tardia do vírus que nos permitiu ter um surto intenso, mas relativamente curto.
Em qualquer caso, um desfasamento de uma semana, no máximo duas, para a definitiva entrada na mortalidade esperada. Veremos nas próximas semanas se se confirma.

Olhando agora para o conjunto dos último quatro anos, o que se verifica é um pico acentuado - cerca de 16 mil mortos a mais em relação à semana do pico de 2017 - sem que seja evidente que a mortalidade excessiva de toda a época será muito maior no pico da covid.
O "quase fechado" resulta de haver dois países ainda com mortalidade claramente excessiva (há mais dois ou três com alguma mortalidade excessiva, mas nada de especial), uma moderada, na Suécia, e outra mais acentuada em Inglaterra (não no resto do Reino Unido), que impedem que, no conjunto, a Europa já tenha entrado claramente na mortalidade normal.
Se a Suécia já estava claramente a mergulhar no sentido da normalidade na semana passada, sobre a Inglaterra havia mais dúvidas, que desaparecem com os dados desta semana: está também a mergulhar rapidamente para a mortalidade esperada.
Hoje há bastantes notícias sobre o estudo serológico em Espanha (ver aqui), que aponta para uma média de 5% da população que terá contactado com o vírus (dez vezes mais que os casos confirmados, mais coisa, menos coisa). Mais uma vez, as diferenças regionais são muito grandes e há zonas acima dos 10%, como nas zonas mais afectadas.
Independentemente das discussões sobre qual é o nível de imunidade de grupo que garante a inexistência de surtos, os 5% de contacto com o vírus e, em especial, os 10% das zonas mais afectadas, são boas notícias: a haver novos surtos, provavelmente no próximo Inverno (não há qualquer indício de que esteja a haver segundos surtos nos países que têm estado a desconfinar), estes níveis de pessoas com alguma imunidade (será preciso verificar se a imunidade se mantém e por quanto tempo, mas nos outros corona mais estudados o que se tem verificado são imunidades de um ano ou mais) devem ser suficientes para aumentar a heterogeneidade e, com isso, limitar muito a capacidade da infecção se propagar de forma tão rápida e extensa como o fez este ano.
Se a isso se somar a hipótese, mais que razoável, de que os mais susceptíveis e mais frágeis foram os mais afectados este ano (como é normal que aconteça numa doença nova), é perfeitamente razoável admitir que os novos surtos estejam dentro do que pode ser encaixado pelos serviços de saúde.
Continuará a haver casos, continuará a morrer gente, mas "a vida é uma doença sexualmente transmissível, sempre fatal", não há risco zero nem faz sentido definir políticas que tenham como objectivo atingir um risco zero, seja no que for.
nunca mencionam os mortos colaterais que não se puderam tratar
ResponderEliminara morte sobrevém a partir de quinze dias da infecção (mais ou menos)
ResponderEliminarO escritor Luis Sepúlveda morreu em Espanha 7 ou 8 semanas após ter sido infetado.
Eu diria que a covid provoca mortes muitas (não somente duas) semanas após a infeção, pelo que me parece razoável que a mortalidade excessiva se prolongue para além da semana 19.
é perfeitamente razoável admitir que os novos surtos estejam dentro do que pode ser encaixado pelos serviços de saúde
ResponderEliminarEu diria que é perfeitamente razoável admitir que nem sequer venha a haver novos surtos.
Uma vez eliminado da circulação entre humanos, o vírus pode regressar às espécies animais nas quais passa normalmente o tempo, algures na China, e não voltar a regressar para a espécie humana.
Mais ou menos como o ébola, que já fez alguns surtos, mas que em geral não incomoda, pois passa o tempo somente nos macacos.
A gripe é uma doença que regressa todos os anos - embora sempre com vírus novos - mas a covid não é a gripe e nada nos diz que também vá regressar todos os anos.
Há uma diferença muito grande entre a epidemia de covid e as epidemias de gripe que todos os anos, de forma regular, são responsáveis pelo acréscimo de mortalidade no Outono-Inverno: com a gripe não tem havido quarentenas, mas com a covid houve. Isso significa que, ao sairem do confinamento em que estiveram, largas fracções da população que nunca tinham sido infectadas vão ser postas em contacto com o virus. É de esperar que o número de infectados aumente e, consequentemente, o número de internados.
ResponderEliminarO surto após confinamento irá depender essencialmente da fracção de infectados na altura da quarentena. Quanto mais tardia a quarentena, maior o número de infectados e maior o número de internados, mas menor o surto posterior e vice-versa.
É possível que resida aqui a justificação para as assimetrias observadas em Itália. Quando o governo Italiano decretou a quarentena, foi encontrar as epidemias das diferentes regiões em fases diferentes das respectivas evoluções, donde os resultados tão discrepantes.
Reparem nos dados apresentados pelo Observador na estatística do número de internados. É onde melhor se vê o crescimento brutal da epidemia de covid: em 9 dias o número de internados aumentou 5 vezes.
Gostei de ouvir ontem o Pedro Simas na TVI explicando e acalmando a populaça medricas, apesar do "esforço" do pivot Alberto, para ele lhe dar "sangue".
ResponderEliminaré evidente que isto está a chegar ao fim. e nunca teve a importância que lhe quiseram dar , basta olhar para a Índia. é desesperante ver como os merdia querem fazer render o peixe falando duma hipotética segunda vaga , que , aposto , não vai haver. enfim , vivo no meio de idiotas , e eu que me adapto a quase tudo , a isso , infelizmente , não me consigo adaptar , é um desconsolo brutal.
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