Ao que me dizem (sei muito pouco sobre o assunto), temos um problema de sustentabilidade no nosso sistema de pensões.
No tempo de Sócrates, o que foi reforçado no tempo da troica, esse era um assunto relevante e esteve quase a conseguir-se tomar medidas que tinham como objectivo dar maior sustentabilidade e segurança ao sistema de pensões.
O problema é que essas medidas implicam a perda de algum rendimento dos actuais pensionistas.
Com isso o PS conseguiu fazer passar a ideia de que Passos (e a direita) queria cortar seiscentos milhões nas pensões. Como em todas as mentiras eficazes, esta ideia tem um fundo de verdade: é mesmo preciso resolver o tal problema dos seiscentos milhões, a parte da mentira é que não é Passos (ou a direita) que quer cortar coisa nenhuma, é a realidade que é o que é, e isso não significa cortar seiscentos milhões nas pensões a pagamento, significa ter coragem para enfrentar o problema e ser impopular por uns tempos.
O argumento pegou de estaca e está de muito boa saúde, como se pode verificar pela análise de Pedro Magalhães ao voto por escalões etários: o PS é esmagador acima dos 65 anos, e "perde" em tudo o resto, ou seja, a vitória do PS é a vitória do medo do futuro que os pensionistas demonstram.
Como base de governo parece-me curto mas, sobretudo como contexto para eventuais problemas decorrentes de uma crise económica, o risco maior é o das expectativas defraudadas se se verificar que realmente há problemas sérios no nosso sistema de segurança social.
Nessa altura não vale a pena argumentar que a extrema direita isto ou aquilo: a responsabilidade por se chegar onde estamos e por nos prepararmos mal para o que pode vir por aí, é essencialmente da esquerda moderada e imobilista que nos pastoreia até ao dia em que as coisas correrem mal.
Nessa altura, como de costume, virão dizer que a responsabilidade é de outros, que bem se esforçaram mas o populismo alimentado pela imprensa e pelos interesses económicos é que lhes boicotou a acção política.
Só que a opção de fingir que não sabem o que se passa para poder ganhar as próximas eleições é vossa, não há maneira de fugir disso.
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