O título deste post caracteriza muito do jornalismo actual, o tal do diabo que estava para vir, uma frase que nunca ninguém conseguiu demonstrar que foi dita, ou da famosa explicação para o "desvio colossal" que Vítor Gaspar sempre negou que tivesse dito.
E o post resulta de ter lido este fantástico exemplo de jornalismo "não aconteceu, mas é bem visto", de que o Observador (e os outros) nos vai dando muito bons exemplos, como este aqui, que é de cabo de esquadra.
Trump faz um tweet idiota e, na minha opinião, indigno do presidente de um país. O tweet não é idiota por não fazer sentido: Trump está permanentemente em campanha eleitoral (como sou o único a ver semelhanças entre Costa e de Trump, independentemente de um usar tweets e o outro usar a imrpensa tradicional para estar sempre a vender banha da cobra, devo ser eu que estou enganado) e dizer a uma congressista que fugiu do péssimo governo da Somália que volte para lá para aplicar as suas ideias e, depois de ter resultado, volte para ensinar aos americanos como se governa um país, é um argumento idiota, sim, mas extraordinariamente eficaz para o eleitorado que pretende atingir.
O tweet diz o seguinte: "So interesting to see “Progressive” Democrat Congresswomen, who originally came from countries whose governments are a complete and total catastrophe, the worst, most corrupt and inept anywhere in the world (if they even have a functioning government at all), now loudly and viciously telling the people of the United States, the greatest and most powerful Nation on earth, how our government is to be run. Why don’t they go back and help fix the totally broken and crime infested places from which they came. Then come back and show us how."
Sim, é usado um plural que qualquer pessoa sabe ser um recurso retórico ("eles, há pessoas", coisas destas que usamos para mandar indirectas) mas o que é dito encaixa na perfeição apenas em uma congressista.
No fim, queixam-se porque "a basket of deplorables" não ligam nenhuma ao que escrevem nos jornais e preferem acreditar nos tweets de Trump, fazendo-o ganhar as eleições e criando dificuldades económicas aos jornais que não percebem por que razão as pessoas não querem pagar por um produto fraudulento.
Em frente, Observador, em frente, continuem assim a reproduzir acefalamente qualquer tolice, independentemente dos factos, que o futuro será radioso para o jornal e para o sector.
Chama-se a isso observar de olhos bem fechados.
ResponderEliminarOs problemas nos media são mais profundos do que parece. Um desses problemas é a falta de transparência, gostam de falar dos outros mas não olham para eles. Sabemos o que eles publicam e muitas vezes ficamos perplexos, mas não sabemos o que eles NÃO querem publicar. E esta parte devia preocupar muito as pessoas.
ResponderEliminarNo post seu a que faz referência diz:
Se fosse só dos Estados Unidos!
Aqui está um dos grandes problemas e nisto parece que todos os media são iguais. Não percebem ou não querem perceber que a maior parte das notícias que saem noutros países apenas têm interesse lá. Então fazem copy/paste e despejam cá sabendo que alguns consomem tudo sem questionarem o seu interesse.
É preocupante a situação actual dos media que estão mais interessados em divertir que em informar, quando a seu função é informar. Está aqui um bom artigo que todos devem ler:
https://ionline.sapo.pt/artigo/634458/a-caminho-da-superficialidade?seccao=Opiniao_i
E como o artigo diz e bem, quem consome também tem culpa.
E enquanto isto acontece alguns estão preocupados com touradas, com o plástico e com coisas divertidas, mas não com causas humanitárias. O sofrimento está relacionado com a consciência, isto faz com que o ser humano seja o que mais sofre.
Eu também falo sobre estes assuntos importantes.
A interpretação do postal faria sentido se Trump fosse uma "qualquer pessoa [que] sabe ser [o plural] um recurso retórico". Mas Trump não usa plurais retóricos, Trump não usa retórica, Trump não sabe o que seja retórica. Trump fala muito e fala mal mas, honra lhe seja feita, nunca deixa de se dirigir exactamente àquele, àquela, àqueles ou àquelas a quem se quer dirigir.
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ResponderEliminarConfrangedor. É de ter pena ouvir personagens que não têm a minima ideia do que é a política nos EUA a, histericamente, incriminarem Trump por tudo o que se passa, e por tudo que não se passa, naquele extraordinário País.
Proselitismo acéfalo da esquerda, simplória. Convencida que se pintar com más cores um PR de direita, dos EUA ... ganha votos por cá !.
Faz sentido: o que está escrito justifica-se não pelo que Trump diz, mas por ser Trump. O que foi dito, dito por outra pessoa, quereria dizer uma coisa, dito por Trump, por ser Trump, quer dizer outra.
ResponderEliminarExactamente por ser Trump: Trump não usa retórica, Trump não usa eufemismos, Trump não usa subtilezas. Trump nem sequer diversifica o vocabulário. Trump é directo, aquilo que diz significa exactamente aquilo que quer dizer no momento em que o diz. E é por ser Trump que não necessita que lhe reinterpretem as mensagens.
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ResponderEliminarErrado. O que o racista do trump escreveu nao tem segundas interpretacoes.
É apenas e só o que ali está escrito. E se fosse escrito por outro, seria exactamente a mesma coisa: racismo, xenofobia, misogenia, conservadorismo radical.
Sendo assim, por que raio foram os jornalistas reinterpretar o que ele disse, para pretender que ele disse o que não disse, de forma a poder acusá-lo do que pretendiam?
ResponderEliminarSerá assim tão difícil criticá-lo pelo que diz e faz, sem necessidade de inventar que ele disse o que não disse?
Quem reinterpretou o plural e o categorizou como retórico foi Henrique Pereira dos Santos. É jornalista e o plural usado é, ele sim, retórico?
ResponderEliminarTrump já antes havia referido Ocasio Cortez, Omar e Tlaib (e provavelmente outras) como fazendo parte do mesmo grupo, o grupo de Democratas Progressistas em confronto com Nancy Pelosi.
https://www.realclearpolitics.com/video/2019/07/12/trump_nancy_pelosi_not_a_racist_alexandria_ocasio-cortez_and_friends_are_very_disrespectful.html
Como disse antes, Trump diz exactamente o que quer dizer no momento em que o faz.
O Trump estava a referir-se à "the Squad", quatro congressistas, mais escuras do que o habitual. Dizendo-lhes para "irem para a sua terra" o que é bastante racista seja em que língua for. O facto de ele ignorar que três delas nasceram nos estados unidos ainda aumenta mais o nível de racismo.
ResponderEliminarO próprio Trump veio confirmar que se estava a referir às quatro, e não apenas a uma, quando disse "The Dems were trying to distance themselves of the *four* 'progressives' but now...".
O trump não tem subtilezas, é completamente literal. Quem o defende, ao menos que saiba o que está a defender...
Não se convença que é o único a estar enganado. Não queria mais nada, ficar com os louros por ser o único a associar os "popularoucos". Já somos dois.
ResponderEliminarO que ele disse está transcrito acima e não há qualquer referência a qualquer squad
ResponderEliminarConvém ter algum contexto quando se comenta algo, nomeadamente quando se afirma que os jornalistas estão errados.
ResponderEliminarthe Squad, é o nome que se dá ao grupo de 4 congressistas (do texto
"The Dems were trying to distance themselves from the four “progressives,” but now they are forced to embrace them."
Depois disto, continuas a achar que o Trump se estava apenas a referir a uma congressista (utilizando o plural), e que os Média continuam "
ResponderEliminarSim, continuo a dizer que é feita uma interpretação de um texto em concreto no qual não está qualquer referência concreta que permita identificar mais que uma mulher.
O simples facto de ter de se ir buscar não sei quantas referências aqui e ali para sustentar a leitura que se pretende fazer demonstra que o texto não permite essa leitura.