(...) Eu gosto de Bob Dylan. Não vale nada, que eu goste de Bob Dylan. Quer dizer, vale para mim, que lhe reconheci o génio em determinadas alturas, que isto de reconhecer génios é ao contrário do que se faz hoje nas escolas, sobrecarregadas de sobredotados: é pessoal, intransmissível e intransitável por tendências mutantes da moda que procura algo novo só porque sim, para quebrar com o velho. Que pós-pós-modernos betos (diminutivo de analfabetos) também afirmem gostar é irrelevante. É que, ao contrário dos Adões e Silvas, o Bob Dylan nunca se esforçou para que gostassem dele. Vai-se a ver, é mesmo por isso. Em vez do Nobel, consensual seria dar a Dylan uma licenciatura em sociologia.
Vitor Cunha no Blasfémias a ler na integra
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