domingo, 9 de outubro de 2016

Apoiar os fracos

"há muitas empresas viáveis, mas que não têm capacidade de tesouraria de fazer o pagamento integral de impostos neste momento. Se as deixarmos funcionar e contratar trabalhadores, elas vão, no futuro, gerar valor. E por muita eficácia que a cobrança coerciva tenha, a verdade é que só consigo cobrar impostos se deixar as empresas gerar rendimentos no futuro".


Independentemente da discussão das razões do novo perdão fiscal (ou pêra rocha, como lhe queiram chamar) ser ou não essencialmente uma decisão para compôr as contas deste ano, vale a pena perder dois minutos a discutir o argumento central do governo: permitir que empresas que hoje têm dívidas tributárias ou à segurança social, e que não as conseguem pagar, possam aceder aos fundos comunitários e, dessa forma, recuperar.


A pergunta central é esta: permitir que as empresas que não conseguiram os melhores desempenhos até agora usem os fundos comunitários disponíveis é mesmo a forma mais inteligente de usar esses fundos?


Ou é boa ideia deixá-los disponíveis para quem, contra ventos e marés, tem conseguido assegurar os seus compromissos?

4 comentários:

  1. "há muitas empresas viáveis, mas que não têm capacidade de tesouraria de fazer o pagamento integral de impostos neste momento."

    Empresas que não têm tesouraria para pagar impostos são "viáveis" ?!!...

    .
    "Se as deixarmos funcionar e contratar trabalhadores, elas vão, no futuro, gerar valor."

    Deixá-las funcionar e crescer de forma sustentável seria, quando muito, baixar impostos e flexibilizar os mercados, a começar pelo mercado de trabalho. 
    Aqui trata-se basicamente de dar dinheiro a fundo perdido a empresas que se têm revelado inviáveis. 
    De notar que aceitar subsidiar estas empresas inviáveis significa não apenas desviar recursos europeus que poderiam ser melhor utilizados por empresas que se revelaram serem eficientes e rentáveis mas também desviar para empresas ineficientes e inviáveis recursos públicos nacionais (a parte do co-financiamento nacional) que também são provenientes dos impostos pagos pelas empresas ... eficientes e rentáveis !...
    A isto chama-se premiar a ineficiência e leva a uma deficiente utilização de recursos escassos !!  

    .
    "só consigo cobrar impostos se deixar as empresas gerar rendimentos no futuro."

    Só é assim com empresas que mostram não depender de subsidios estatais para serem viáveis e rentáveis.
    Como se viu no passado, os subsidios serviram muitas vezes para financiar indirectamente a actividade de empresas ineficientes e que sem eles não seriam eventualmente sequer viáveis.  

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  2.     Vamps ter uma nova edição do PEDIP e do FSE? Empresas sem viabilidade
        subsidiadas para modernizar equipamento produtivo, equipamento que não foi rentabilizado por não haver encomendas para a produção ou porque foi substituído por "frotas modernas para serviço da gestão"  Quanto ao FSE além da formação ministrada muitas vezes nada ter que ver com as necessidades da empresa e com as  capacidades dos  formandos os fundos foram muitas vezes utilizados para pagar ordenados aos operário como subsidio de formação em cursos que eles não frequentaram! 

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  3. Muito bem explicado! Foi o eu quis dizer, no comentário abaixo!

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  4. São exemplos que ilustram bem o que digo em cima.
    Obrigado.

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