sábado, 24 de setembro de 2016

"Para a mentira ser segura"

António Aleixo parece saber mais do mundo que boa parte dos jornalistas.


"Para a mentira ser segura


E atingir profundidade


Tem de trazer à mistura


Qualquer coisa de verdade"


Vem isto a propósito dos estranhos critérios que tenho visto para qualificar qualquer afirmação política como uma mentira ou uma verdade.


Comecemos pela estranha escolha de afirmações a verificar: Mariana Mortágua mente quando diz que 99% da riqueza mundial está concentrada nos 1% mais ricos, mente quando diz que os mais ricos não pagam impostos, mente quando diz que, proporcionalmente, os mais ricos que pagam impostos pagam menos que a classe média, mente quando diz que o imposto sobre património serve para aumentar pensões, mente quando diz que todas as pensões mínimas dizem respeito a pessoas pobres (muitas vezes estas pensões mínimas acumulam com outras pensões e com outras fontes de rendimento, para além de património acumulado, ou poupanças, que resultam também do baixo nível de descontos para a reforma durante a vida activa) e várias outras mentiras e imprecisões em torno da proposta do novo imposto.


O que faz o Observador? Verifica se uma afirmação de Passos Coelho sobre o assunto é verdadeira ou não. Brilhante, como critério jornalístico.


Mas o mais perigoso não é isto, muito mais perigosa é a forma como se define uma mentira, o que se ilustra bem com a peça, do mesmo Observador, sobre uma das afirmações de Costa que levaram Cristas a dizer que não tinha tempo para desmontar todas as suas mentiras.


"De forma hábil, António Costa nunca respondeu...em concreto à questão...pelo que, objectivamente, não pode ser acusado de mentir."


Esta verificação com critérios muito plásticos sobre o que é mentir ou não, pode ser vista também a propósito da tremenda mistificação de Costa que, se fosse feita por Vítor Gaspar, daria origem a pelo menos um mês de profundas verificações de cada número e gráfico e sempre com a mesma conclusão: mas que grande aldrabão e que grande desonestidade.


Aparentemente, nem a grande barretada que Sócrates enfiou em quase todo o jornalismo nacional leva a grande maioria dos jornalistas a aprender uma coisa básica: qualquer bom aldrabão mente muito mais com meias verdades e omissões que com qualquer outra coisa.


Não, Costa não é hábil, é mesmo aldrabão e mentiroso e no que se passou com Sócrates a imprensa tem enormes responsabilidades por se ter furtado ao escrutínio que lhe compete.


Espero que esse factor, que até hoje é um dos grandes suportes do sucesso de Costa (e do BE) não venha outra vez contribuir para os amargos de boca que vão aparecendo no horizonte, apesar da cortina de fumo da imprensa.

7 comentários:

  1. No nosso jornalismo alinhado com os socialistas, as mentiras do Costa são apresentadas como habilidades. Sim, o homem não mente; é apenas muito hábil.  . 

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  2. O diabo está nos detalhes.

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  3. O mal deste país depois do 25 de Abril são os jornalistas marxistas que se apoderaram dos comentários dos jornais e das televisões. Muitos destes jornalistas foram bolseiros de universidades enxameadas de académicos marxistas que têm sido o maior entrave ao desenvolvimento deste país.

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  4. É por causa de análises daquele tipo que o António Costa se transformou no maior especialista português em falar horas seguidas sem dizer absolutamente nada.

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  5. José Manuel Fernandes tem um óbvio complexo de esquerda. Significa isto que tem medo de se identificar claramente com o centro com a direita ou até com o liberalismo. Quer mostrar-se "isento" (para a esquerda nunca o será claro, mas os complexados de esquerda não se apercebem disso). Significa isto que o Observador está a levar o caminho do Publico, - caminho lento, tortuoso, insidioso, fomentando jornalistas com mensagem e agenda, em frente e rumo ao socialismo - até não haver retorno.
    Os accionistas que se cuidem porque vão acabar manietados como o Belmiro.

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  6. Não foi o PS que chamou a Troika, diz o Costa

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  7. O nosso jornalismo num mesmo artigo (andamos nisto há semanas):


    "A primeira comunicação que os bancos terão de fazer ao Fisco terá por referência o saldo a 31 de Dezembro de 2016, o que ainda permite a quem tem poupanças acima de 50 mil euros dispersá-las por diversas instituições."


    "À luz desta regra, um residente que tenha aplicações financeiras em Portugal verá os seus saldos comunicados ao Fisco se o conjunto de contas que tiver numa instituição ultrapassar os 50.000 euros"

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