terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ó Costa, por favor não me grite!

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Tenho muitas dúvidas que o abuso de adjectivos que por estes dias roça a ofensa no combate político, para além de animar as hostes acríticas, tragam alguma vantagem a um partido que não seja de "protesto". Estranho que ao final de quarenta anos de democracia na campanha eleitoral sobrevenha tamanha cacofonia feita de intolerância e insulto, que mal disfarça a falta de argumentos razoáveis. Como se algo próximo da realidade pudesse caber numa frase maniqueísta de dez palavras. A confirmarem-se no Domingo os fracos resultados dos socialistas, isso dever-se-há à linguagem adoptada por Costa que teve o mérito de mascarar de radical um programa político razoavelmente moderado. Pela minha parte não tenho grande saco para esta coisa chamada de “campanha eleitoral” e estou em crer que a berraria que por estes dias domina as redacções eufóricas passa ao lado da maior parte dos portugueses, que vivem preocupados com o seu quotidiano familiar, de trabalho e contas para pagar. 


Se esta legislatura fica definitivamente marcada pela capacidade de resistência de um executivo que apesar de alguns tropeções levou a bom termo um doloroso programa de resgate financeiro, também ficou-o pelo inédito ambiente democrático e de total independência que permitiu a uma rádio pública como a Antena 1, com o apoio de Nicolau Santos, o mais fanático socialista dos jornalistas comentadores, tenha durante toda a legislatura, diária e militantemente cavalgado em horário nobre toda a sorte de descontentamento dos mais variados lobbies e grupos de pressão atingidos (ou não) pela crise. O mesmo espírito que permite a três dias do final da campanha a mesma rádio, com base numa denúncia anónima, acusar o governo de interferência na gestão de uma empresa do Estado - cuja administração já teve o cuidado de negar. É curioso verificar como afinal é "a direita radical" que dá lições de como se vive em democracia com uma cândida tolerância, que por contraste realça os tristes tempos do "animal feroz" que tudo e todos quis controlar, e nos trouxe a todos à quase falência, a triste miséria de que estamos finalmente a emergir devagar.  

3 comentários:

  1. João,
    Nicolau Santos, aquele que andou por aí a pavonear-se na televisão com um escroque e a escrever maravilhas sobre ele? O mesmo Nicolau Santos que falhou todas as previsões nos últimos 4 anos? E tu ouves o homem? Realmente, não te privas de nada... :-)))
    Abraços,
    vasco

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  2. Acredita caro Vasco, que é o único canal de rádio que consigo captar razoavelmente em minha casa. Logo a mim, que sempre fui um fervoroso fã de telefonia me. Tenho arrumado na despensa um fantástico receptor FM TEAC de alta fidelidade que não me serve de nada.
    Abraço!

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  3. O objectivo da "noticia" da Antena 1 feita por um jornalista que é militante do Bloco de Esquerda é criar dúvida nas pessoas sobre as contas do Estado desde 2012, ou seja para que pensem que a descida do défice orçamental é uma "martelada". E repare-se como há uma união de esquerda no mesmo tipi de campanha. É a primeira vez que se assiste a uma frente de esquerda incluindo o PS na campanha eleitoral.
    Mas com esta "notícia" fiquei com a certeza que a redução do défice orçamental é uma certeza, pois se a única coisa que a esquerda consegue arranjar é a contabilização ou não de 150 milhões de euros em 2012 relativamente ao "lixo tóxico" do BPN (e logo do BPN!), estão sem "munições".


    Como se não bastasse, a arruada do Costa hoje foi um fiasco, com as pessoas a fazer por não lhe aparecer ao caminho. Não se faz! :))))

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