domingo, 7 de outubro de 2012

Seja feita a Vossa vontade


Desde há alguns anos a esta parte, devido à violência das alterações nas vidas profissionais da minha mulher e minha, que me encontrei a espaços assaltado por inusitados sentimentos de aflição e de receio. Acontece que são essas as ocasiões que afinal vêm pondo à prova a maturidade da Fé que professo, que afinal deveria sempre significar Confiança.
Perante a dimensão do encargo de “governar” um barco de que dependem de forma directa quatro filhos, num primeiro momento, no olho da tormenta, a minha Relação com Deus transfigura-se em algo de mercantil e idólatra, cedendo à tentação de negociar a Sua protecção e intervenção por troca de mais e mais fervor nas suplicas.
É então que sou ”desarmado” pelas palavras da oração fundadora do Cristianismo, o grandioso Hino que se revela o “Pai Nosso” a «síntese de todo o Evangelho». Veja-se nessas palavras de sabedoria em que depois de honrarmos o nosso Deus “santificando-o”, suplicamos que, antes de qualquer outra veleidade “Seja feita a Vossa vontade…”. É nestas palavras que se encontra afinal a chave da resolução dos nossos desafios e angústias: seja feita então a Sua “vontade”. Uma afirmação de confiança na Vontade divina, e não no meu defeituoso e mesquinho arbítrio. O apelo é à libertadora qualidade da confiança incondicional. De que a solução dos desafios não está somente sobre os nossos ombros, mas pertence aos desígnios do nosso Deus Pai Criador. É um desafio à confiança. À confiança de que nos basta agir segundo a vontade e os preceitos de Deus, único Senhor das nossas vidas.
Da encruzilhada o caminho surge claro e harmonioso aos nossos olhos a posteriori. À distância, até as quedas e os falhanços ganham sentido, numa Obra que a cada momento não sou capaz de vislumbrar, muito menos entender. Contra factos não tenho argumentos: para operar o grande milagre que é a minha vida, não peço a Deus mais do que “O pão nosso de cada dia”, que “Perdoe as nossas ofensas”, na certeza de que também eu perdoo “a quem nos tem ofendido” e que me permita “não cair em tentação” e que nos livre “de todo mal”. É tudo o quanto me basta.


 


Imagem: Cruz em alvenaria Igreja de Stº António do Estoril - 1615

2 comentários:

  1. Diogo Morgado Conceição8 de outubro de 2012 às 00:17

    Hoje na Diocese de Coimbra celebrámos a abertura solene do Ano da Fé, em que o Bispo D. Virgílio Antunes recordou que o Papa exortou os Cristãos a fazer uma profissão pública da nossa Fé.
    Obrigado pelo exemplo, pela certeza de que não somos os únicos a fazer este caminho!

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  2. Caro Diogo: agradeço o seu simpático comentário. O Ano da Fé constitui um desafio a todos nós, os de Cristo.

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