2) Excesso de História
Acontece com as pessoas, acontece com as famílias, acontece com os povos. O excesso de história é causa de entropias fatais, de decadência, de extinção. Agarrados a velhos mitos, traumas e memórias genéticas, cultivam-se desavenças e incompatibilidades pueris. Qual amargo solteirão que não se liberta de vazios rituais e trôpegas manias, é atraído para o abismo da estéril solidão. Sem futuro nem esperança, mistifica um passado glorioso, e espera um messias improvável, uma miraculosa lotaria que o resgate da omipresente decadência.
Cheias de história, feitos e conquistas ancestrais, as pessoas, as famílias ou todo um povo, almejam por direitos e honrarias vitalícias. Com excesso de história não se conformam com os ingratos deveres rotineiros, repugnam-lhes as pequenas maçadas e as mais básicas práticas de subsistência. Alienados, impotentes para com a realidade, assim se esvai o que sobra da auto-estima, do gosto pela vida, enfim. Isto acontece com os povos, com as famílias e até com as pessoas.
Texto reeditado
Acontece com os monárquicos.
ResponderEliminarDeitemos então fora os 900 anos de história de Portugal e comecemos do zero.
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