Os tempos são propícios aos profissionais da indignação e nada melhor para mostrar virtude do que o campo da cultura, com a pretensa "indiferença" da Direita perante os "valores culturais". Hoje, num entrevista ao "Público", Francisco José Viegas cita um estudo do Igespar de 2009 que refere que das 400 mil pessoas que nesse ano aproveitaram as entradas gratuitas em museus e palácios portugueses aos domingos de manhã, 377 mil eram estrangeiros. E que se essa receita fosse cativada representaria um milhão de euros. E que vai manter entradas gratuitas uma ou duas vezes por mês aos domingos à tarde. Seria bom que perante esses dados, a berraria e a energia dos nossos "cultos" indignados se voltasse para assuntos verdadeiramente importantes em vez de repetirem estúpidos e ultrapassados clichés materialistas, que relacionam tudo com ter muito ou pouco dinheiro.
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Gostava de saber quais são os museus do Igespar ? E gostava de saber qual é o cliche de esquerda do actual governo conservador inglês que fez da gratuitidade dos museus um dos pontos centrais da politica cultural.
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ResponderEliminarhttp://www.igespar.pt/pt/ (http://www.igespar.pt/pt/)
Fui ver: monumentos, palácios, mas nem um museu. Estranho.
ResponderEliminarPara esclarecer os comentadores, insiro a resposta completa de Francisco José Viegas à pergunta do "Público" que era ""Quanto é que se ganha com uma medida como a do fim da gratuitidade dos museus?"
ResponderEliminarResposta: "Quer um número? Dois milhões, Mas eu nunca anunciei o fim da gratuitidade dos museus. O que anunciámos foi o fim da gratuitidade aos domingos até às 14h, nas instituições tuteladas pela SEC. Há um estudo do Igespar de 2009 que fala de 400 mil pessoas que aproveitaram nesse ano as entradas gratuitas nos [monumentos e palácios] aos domingos de manhã. Desses, 377 mil eram estrangeiros. Se cativássemos essa receita, seria um milhão de euros. O mesmo ocorrenos museus tutelados pelo IMC, o que seria uma receita de 900 mil euros. Não podemos fazer com que os estrangeiros paguem bilhete e os portugueses não. Vamos acabar com este regime. Mas vamos manter um ou dois domingos à tarde gratuitos. O que isso nos permite, com esses dois milhões ou um e meio que seja, é investir em coisas básicas. Temos uma dívida de electricidade. Em Agosto podíamos ter ficado sem electricidade nos museus."
Sou daqueles afinal poucos portugueses que vai ver exposições nos museus nacionais aos domingos de manhã. Levando os meus filhos, sem essa gratuitidade, a expedição fica cara. Mas em termos relativos, porque o essencial é manter nas novas gerações e em nós próprios uma curiosidade e uma acuidade culturais refinadas. Mas se a coisa está já ao nível da conta da luz, então terá de haver uma revolução cultural no país, porque museus carecem de investigadores, restauro, serviço educativo, publicações, website, etc etc. A sensação de estarmos a bater no fundo é apavorante.
ResponderEliminarPassas a ir uma ou duas vezes por mês, mas à tarde. De preferência, com a luzes acesas...
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