sábado, 30 de abril de 2011

A revogação da revogação, ou a porca da política


Independentemente do crédito que me mereçam as críticas generalizadas ao modelo de avaliação dos professores, tomei como boa a notícia de ontem do chumbo do Tribunal Constitucional da sua revogação proposta por uma duvidosa coligação parlamentar, uma atitude que denuncia a ingovernabilidade deste País de lobbies, clientelas e corporações.


Tomando como factual a necessidade de implementar sistemas de avaliação de mérito também nos mais poderosos sectores do Estado, os partidos do arco da governação deveriam agradecer esta piedosa decisão do Tribunal Constitucional. A revogação da revogação irá poupar-lhes a desventura de iniciarem do zero as fatais negociações dum qualquer novo sistema de avaliação, que, se for eficaz e consequente estará condenado ao protesto pela classe que é poderosa e almeja por “viver habitualmente”, que é o supra-sumo da ambição indígena.


Sei bem como um sistema político avassalado à propaganda e à satisfação a curto prazo das diversas clientelas convida os partidos à deriva populista. Mas tendo em conta o destino de falência a que esse modelo nos trouxe, desconfio que por estes a sobriedade também colhe alguma coisa. Decididamente é com muita dificuldade que um eleitor informado e com consciência cívica fecha os olhos a estes dislates da mais descarada demagogia.

1 comentário:


  1. É o efeito repristinatório. Estava a ver que morria sem ver uma coisa destas fora dos manuais.  Tesos e secos, mas com uma riqueza teorética invejável.

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