terça-feira, 20 de julho de 2010

Novas fracturas

 


Assisti ontem na SIC notícias a um curto mas interessante debate sobre as recentes propostas de revisão constitucional  de Pedro Passos Coelho entre o Pedro Lomba e o Daniel Oliveira, que ufano perorava sentado em cima das conquistas constitucionais de Abril que veiculam a governança a um modelo marcadamente ideológico e datado. Daniel Oliveira no seu intimo acredita que discussão é uma veleidade: a constituição de Esquerda é um direito adquirido, um guião imutável, cristalizado. Com ele apenas partilho a convicção das qualidades dum regime parlamentar, não o indígena, mas o fundado num colégio mais exigente e até mais representativo dos seus eleitores, e em que o Chefe de Estado, não obrigatoriamente um presidente da república, se resguarde num papel simbólico e último reduto de arbitragem. De resto eu reconheço o mérito à nova direcção do PSD em trazer à ribalta um tema tão decisivo quanto fracturante, que ao contrário dos da Esquerda se situa bem acima do baixo-ventre.

5 comentários:

  1. Bem, se tem visto a TVI24, nela esteve Villaverde Cabral, alguém que, parece, foi convidado das jornadas parlamentares do PSD, e o que ele disse sobre o conteúdo e sobretudo as circunstâncias e a oportunidade da revisão constitucional agora proposta foi tudo menos elogioso.

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  2. Mas nesta altura de miséria, liquidar a segurança social e o SNS, não deixa de ser mais uma originalidade do inútil e dispendioso PSD. Que se vão tratar eles ao estrangeiro, mas com o dinheiro DELES! 

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  3. Ontem, sobre o mesmo tema, na SIC/Crespo, Rubem de Carvalho contra Diogo Feyo.
    O 1º também defendendo a carga ideológica que o texto constitucional sempre deve conter. O 2º defendendo o contrário e, claro, apontando como exemplo a constituição espanhola.
    Desideologisada, «pau para toda a colher», à margem das guerras «revisionistas».
    Não é uma questão se calhar importante - mas nunca será de mais lembrar que a república só deixa espaço para a politica.
    Do pico da piràmide até cá baixo - politica, seja na AR, seja no café. E futebol, para distrair da politica.

    Onde fica o espaço para outros temas, como a nossa Cultura, a nossa razão de ser?
    Não é em Águeda, ao que me afirmou um amigo cohecedor. Parece que o nosso Alegre está muito pouco cotado na sua própria terra natal.

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  4. Houve uns, há uns anos, que defendiam que a CRP era um conquista da classe operária e o triunfo do socialismo sobre o capitalismo, em 82 tiveram uma séria dor de cabeça... agora mudam o discurso para falar nos direitos fundamentais socialistas que são postos em causa pela direita liberal... com a aprovação da revisão constitucional próxima vão ter uma síncope...

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  5. Os bem pensantes defensores das conquistas de Abril plasmadas na folha de couve constitucional actual, normalmente são também os defensores das mudanças legislativas (aborto, casamento de invertidos), que permitem a Portugal ser finalmente uma nação moderna e são sempre assim quando lhes convêm , ou seja, sempre que o povo se engane na sua decisão é necessário voltar a repetir a consulta até que o povo veja a luz, ou então nem sequer é necessário consultá-lo, pois o assunto é demasiado complexo e sério, para ser entendido pela sociedade que coitada ainda está meio confusa. Pelo que qualquer comentador desse calibre enfileira por esta linha de pensamento, para quê mexer numa obra que já é perfeita e obrigatoriamente imutável, além de que como está lhes dá muito jeito, fazer alterações nem pensar, ora essa, a quererem alterar as regras de jogo, nunca, qualquer pessoa que queira mexer na sacrossanta constituição, só pode ser um perigoso reaccionário, que se calhar até pretende incluir no democrático texto, coisas que não são socialistas, vade retro.

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