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terça-feira, 20 de julho de 2010

Novas fracturas

 


Assisti ontem na SIC notícias a um curto mas interessante debate sobre as recentes propostas de revisão constitucional  de Pedro Passos Coelho entre o Pedro Lomba e o Daniel Oliveira, que ufano perorava sentado em cima das conquistas constitucionais de Abril que veiculam a governança a um modelo marcadamente ideológico e datado. Daniel Oliveira no seu intimo acredita que discussão é uma veleidade: a constituição de Esquerda é um direito adquirido, um guião imutável, cristalizado. Com ele apenas partilho a convicção das qualidades dum regime parlamentar, não o indígena, mas o fundado num colégio mais exigente e até mais representativo dos seus eleitores, e em que o Chefe de Estado, não obrigatoriamente um presidente da república, se resguarde num papel simbólico e último reduto de arbitragem. De resto eu reconheço o mérito à nova direcção do PSD em trazer à ribalta um tema tão decisivo quanto fracturante, que ao contrário dos da Esquerda se situa bem acima do baixo-ventre.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A revisão constitucional


Hoje ouvi de Ramalho Eanes, numa serena e cativante entrevista à Antena 1, um cliché, que por o ser, não deixa de ser tragicamente verdadeiro: o povo português é endemicamente pobre, condição que nos condenou ao longo da existência a menosprezar a História e a descuidar o Futuro, num desesperado apego à sobrevivência no imediato. Por causa disso os regimes e instituições nacionais foram incapazes de se regenerar por dentro, de perspectivar e construir o devir. Percorremos a História em círculos e aos repelões, em golpes e contra-golpes sempre recomeçados do zero. Hoje, só não vê quem não quer, caminhamos alegremente para o abismo, dependentes e incapazes de nos governar.


Acredito que uma séria revisão constitucional poderia ser o princípio de muita coisa. Talvez significasse que a experiencia tinha-nos ensinado qualquer coisa, mais importante que alguns atavismos e fetiches ideológicos que nos cingem há demasiado tanto tempo.

A ignorância é tão atrevida...

É absolutamente espantoso André Ventura ter usado ontem, no debate da sua Moção de Censura, como “bom exemplo” a Revolução Puritana de Olive...