quinta-feira, 5 de outubro de 2006

O grande equívoco

Na luta pelo poder, o PRP destruíra o inegável liberalismo da Monarquia. A Republica, longe de ser “democrática” (…) sobrevivera graças ao terror popular. (…) para lá da retórica oficial, estabelecera na prática uma ditadura de massas.

Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004


Não entendo uma razão para a festividade do dia de hoje (onde, quem?), a não ser a celebração dos 863 anos do Tratado de Zamora.
Conhecemos, pela história dos últimos anos da monarquia liberal, como foi brutalmente gizado o assalto ao poder por uma minoria urbana do PRP, com o apoio de uma espécie de grupo terrorista, a Carbonária Portuguesa. E conhecemos bem o ciclo caótico e arbitrário que caracterizou a ditadura popular entre 1910 e 1926. Ignorar isto é, como se diz hoje, branquear um crime histórico. Mais, a implantação da república em Portugal resultou em dezasseis anos de estagnação económica, repressão e caos. Dessa forma abriram-se as portas ao regime de Oliveira Salazar, e à história e frustrações que tão bem conhecemos.
Após 96 anos de tantos equívocos, branqueados pela ignorância e cobardia, parece-me que os fundamentos da república se baseiam ainda hoje em ancestrais e recalcados “complexos” sociais. Um enorme entrave ao desenvolvimento e progresso do nosso país.
Por tudo isto, a minha festa será outra.

15 comentários:

  1. Está tudo certo. Também ninguém estava à espera que um Távora gostasse da República, porque esta foi também uma espécie de"azar dos Távoras".
    O mesmo se diga do comentário de um Ameal pois o fascismo tinha um historiador chamado João Ameal que também achava a República o reino da desordem e o "Estado Novo" a felicidade do bom povo português.
    Passem bem pois os Távoras e os Ameais.

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  2. A boa educação republicana pode ser bem apreciada pelos dois comentários anónimos anteriores e eu calculo que quem assina "Cândido dos Reis" não perceba minimamente o mau gosto que demonstrou ao associar-se a uma figura que, embora republicana, eu respeito pelo destino trágico que teve. Brincar desta maneira com os nomes de família das pessoas é simplesmente não ter noção das mais elementares regras do civismo. A não ser que seja este o "civismo republicano" de que Cavaco falava hoje no seu discurso.

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  3. O “Cândido dos Reis” não conhece a história, não me conhece a mim nem à minha família. Se conhecesse não dizia tais bujardas. O seu discurso é o tal, do complexo de inferioridade social e da mediocridade que referi no meu texto.

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  4. O anonimato, de facto, deve ser uma virtude muito "republicana". Eu, que não sou monárquico, acho que ler "O Poder e o Povo", do Vasco Pulido Valente, é uma excelente forma de comemorar o 5 de Outubro.

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  5. O anonimato, uma virtude republicana?
    O comentário "monárquico" das 5:37,é anónimo.

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  6. Sou republicano por exclusão de partes, isto é, porque não sou monárquico, mas, sobre aquela república, subscrevo integralmente as tuas palavras, João...

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  7. Ilustre jornalista Duarte Calvão

    O meu comentário anónimo das 7:20 referia-se ao post e não à boçalidade jacobina de um tal candido dos reis.
    Como sabe no vosso blog os comentários são previamente censurados e demoram imenso tempo a ser colocados (quando o são), logo não poderia imaginar que me calhava suceder a tão sinistra figura.
    Lamento que lhe tenha faltado perspicácia, assim como lamento que me tenha misturado com o troglodita anterior.
    A boa educação, tal como a perspicácia, não são exclusivos republicanos ou monárquicos.


    o-anónimo-outra-vez-anónimo

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  8. Peço então desculpa ao ilustre anónimo das 7.20, mas realmente, nestes casos, é melhor especificar o que se aprova ou não. Nós realmente censuramos os posts (com a demora que isso, já que temos outros afazeres, por vezes implica), mas apenas para evitar que haja insultos, insinuações torpes e outro tipo de baixezas que, na maior parte das vezes, nem seuqer se dirigem a nós, mas sim a outras pessoas que não têm culpa nenhuma que os corta-fitas andem a escrever sobre elas. Mas nunca para evitar opiniões contrárias às nossas que, desde que bem educadas, são sempre bem vindas. Como, aliás, é o seu caso.

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  9. Bom, deixando as quezílias de lado: então e o (mau) papel de D. Carlos I no agonizar da monarquia, ao apadrinhar o governo ditatorial de João Franco? Estava a fazer a cama em que se deitou, pois a sua popularidade, que já não era muito famosa, deu mais uns trambolhões. E logo numa época em que não se "compunham" sondagens...
    A propósito: o processo de investigação sobre os meandros que envolveram o regicídio foi arquivado ainda durante o reinado de D. Manuel II! Mudam os regimes, mas há coisas que nuncam mudam.

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  10. Desculpas aceites e não se fala mais no assunto.


    o-anónimo-outra-vez-anónimo

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  11. Caro Anónimo genuíno:
    Pelo que me tem sido dado a conhecer, os revolucionários do PRP e da CP. terão utilizado as virtualidades da monarquia liberal e democrática, antes de João Chaves e depois de 1908 para sistematicamente minar e conspirar deslealmente contra o regime.

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  12. Muito bem, João – um post certeiro, curto e escrito no dia que o merece. Um outro equívoco é a hegemonia dos intelectuais comunistas e pró-comunistas nos anos duros da dita represssão fascista. Basta folhear os jornais da época, conhecer o movimento das editoras e das galerias de arte, dos ateliers dos arquitectos. Mas claro, as mitificações são preferíveis. Todavia, hoje, o Júlio Pomar do mais ácido neo-realismo trabalha sobretudo para bancos e fábricas de relógios, enquanto tem o desplante de pedir à CML a compra dum edifício contíguo à sua casa para fazer uma fundação. Já um capitalista fazia uma fundação benemérita e pronto. Ou não?

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  13. O candido dos reis parte do princípio que eu penso da mesma forma e fui forjado da costela do meu avô João Ameal e que não tenho a minha própria visão da história e, no caso que refere, do Salazarismo. Numa coisa o meu avô tem toda a razão e vem sendo provado nestes 96 anos de é que a républica é de facto o reino da desordem. No resto parece-me que o candido dos reis é um pequeno-burguês complexado e preconceituso. Passe bem pois o candido dos reis.

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