Com formação em gestão de hotéis, quis o destino que eu me desviasse da “operação hoteleira” e abraçasse a carreira de Relações Públicas de uma conhecida cadeia de hotéis. É assim que por razões profissionais contacto frequentemente com jornalistas e órgãos de comunicação diversos. É uma actividade que critico e respeito, onde encontro profissionais que admiro e onde afinal conheci amigos. Confesso até que tenho alguns ídolos dentro do meio e o primeiro dos quais vem da minha infância: trata-se do meu grande herói, o repórter Tintim.
Na prática da minha profissão, viajo bastante por Portugal, convivendo inevitavelmente com muitos dos meus colegas em diferentes hotéis da cadeia que represento. Colegas com diversas responsabilidades, diferentes graus académicos, estatutos profissionais e sensibilidades. A maior parte das vezes almoço ou janto nos refeitórios da empresa onde sem dúvida contacto o “país real”. No meu convívio diário com a malta, o futebol é sempre um tema universal e aglutinador. Mas há outros assuntos de conversa que se revelam arriscados (ou impossíveis)… Por exemplo "a direita", "a Igreja","a Monarquia" são assuntos que prudentemente evito debater por mero instinto de sobrevivência. Com demasiada facilidade os lugares-comuns, a ignorância ou o puro ressentimento tendem a emergir em inconscientes e gratuitas agressões.
Agora encontrei um tema novo a juntar a estes que enunciei. O assunto é precisamente este: os jornalistas. Já não tinham grande fama, mas o “nosso” Carrilho veio à praça pública lançar a grande suspeita. E logo o pessoal recupera velhos ódios e ressentimentos à mesa do café. Vêm as velhas teorias da conspiração, com chorudos cheques e máfias actuantes: os partidos, as grandes empresas e os poderosos que mexem os cordelinhos numa teia de insondáveis desígnios. Ninguém escapa com vida. Nem o crítico de cinema. Na “idade da desconfiança” o homem aproveitou a onda e pôs o fogo na mecha. Por certo está satisfeito.
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O ditado diz "não há fumo sem fogo". Há muito tempo que o povo via sinais de fumo, mas agora viu mesmo o circo pegar fogo. A reacção com mais ou menos violência contra os jornalistas era, penso eu, inevitável. Acho que não podemos, no contaxto, criticar as pessoas. Até porque são por vezes os próprios jornalistas que em assomos de autocrítica vêm para a praça pública assumir os seus pecados mortais...
ResponderEliminarNenhuma profissão é actualmente tão autocriticada como a dos jornalistas, Ana. Se acontecesse o mesmo com os advogados ou os engenheiros, os professores ou os médicos, a sociedade portuguesa andaria bem melhor.
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