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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sem perdão

AINDA A PROPÓSITO DOS 100 ANOS DO REGICÍDIO

A efeméride dos 100 anos do regicídio veio e foi, e ficaram muitas coisas por dizer, por explorar, analisar e escarafunchar.
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Mas enquanto ainda há lembrança e curiosidade, a exibição, na Cinemateca, da reportagem cinematográfica anónima Funeraes do Rei D. Carlos e Príncipe Herdeiro, a abrir o ciclo 'Regicídios', deixou-me curioso sobre se haveria registos sonoros do nosso penúltimo monarca. Como seria a sua voz? Como falaria D. Carlos? Perguntei a um amigo que sabe destas coisas de arquivos. Segundo ele, havia na antiga Emissora Nacional gravações da voz de D. Carlos. Foram destruídas depois do 25 de Abril, juntamente com muitas horas de programas. E assim se mata um rei duas vezes: primeiro em pessoa, depois em memória sonora.
(...)
Mais do que qualquer outro livro, o que eu gostaria mesmo de ter lido sobre o regicídio era o processo do dito, misteriosamente "desaparecido" depois do golpe de Estado republicano de 5 de Outubro de 1910, e agora tema de um dos livros lançados pelos 100 anos do 1 de Fevereiro, a obra colectiva Dossier Regicídio - O Processo Desaparecido. Duvido muito que uma das iniciativas da comemoração dos 100 anos do início do regabofe republicano, daqui a 2 anos, seja a edição em livro do mesmo. Mais depressa se saberá tudo sobre Camarate do que sobre os bastidores do regicídio. A começar pelo que é feito do processo.


Eurico de Barros DN – Na integra, aqui.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Indignidade

Foi arrogante e indigna ontem a recusa do parlamento em prestar um singelo voto de pesar em memória dum Chefe de Estado constitucional assassinado há um século num brutal acto de terrorismo. São hipócritas, estes que apregoam uma aversão selectiva à violência como arma política. O que significará quando cem anos volvidos da tragédia impera ainda um discurso tão mesquinho e rancoroso em vez duma sagaz atitude de conciliação? Oxalá nunca lhes estoire na cara o fado contido deste pobre povo à procura do seu destino. É que a Historia ainda não acabou.

Dignidade




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Comovi-me ontem profundamente na Basílica de São Vicente de Fora, com a celebração do Requiem Soleníssimo "In Memoriam” presidido pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. Com os cânticos de Bach, Lorenzo Perozi e Louis-Nicolas Clerambout pelo Coral Stella Vitae sob direcção de João Baptista Branco, e João Vaz no magnifico órgão do século XVIII, a cerimónia foi de uma profunda beleza.
Perante uma numerosa assembleia, o Cardeal Patriarca salientou na sua homilia, que o regicídio "não foi, infelizmente, o último acto de violência", que marcou “o primeiro quartel do século XX como forma de impor ideias e políticas”. Disso deu exemplo a trágica “perseguição movida à própria Igreja, na perseguição das pessoas, sobretudo sacerdotes, e na destruição de estruturas e instituições ou na espoliação injusta de bens essenciais". O Cardeal Patriarca, referindo-se às efemérides que se avizinham, lançou um apelo para "que ninguém ressuscite fantasmas antigos, porque cem anos significaram um caminho andado, e a celebração das grandes efemérides históricas só tem sentido se celebram o presente e se abrem a um futuro novo". Finalmente D. José Policarpo exortou à "convivência tolerante e fraterna que nos levará a uma sociedade justa, humanizada, democrática".
Foi desta forma digna que terminaram as celebrações do dia do centenário do regicídio.
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Em cima: Pequeno registo filmado do final do Requiem

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Faz hoje cem anos

Ninguém sabe ou calcula, quando se mata um rei, o que é que morre com ele e quantos séculos de história podem afogar-se numa pequenina gota de sangue.

Professor Agostinho Campos

sábado, 12 de janeiro de 2008

Centenário do Regicídio - 1 Fevereiro 2008


A quem possa interessar, eis aqui o programa do Centenário do Regicídio. De resto, esta e muito mais informação pode ser consultada em www.regicidio.org. Uma nação sem memória é uma nação condenada.
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31 Janeiro 2008 - 21:30 - no Auditório Cardeal Medeiros, Biblioteca João Paulo II - Universidade Católica Portuguesa-Lisboa, Conferência "Dom Carlos I, Um Rei Constitucional", Orador principal - Rui Ramos.
31 Janeiro 2008 - Após a conferência no mesmo local - Concerto pelo Grupo de Música de Camara da Banda do Exército.
1 Fevereiro 2008 - 17:00 horas - Concentração no Terreiro do Paço, junto à placa evocativa do Regicídio.
1 Fevereiro 2008 - 19:00: Basílica de São Vicente de Fora, em Lisboa, Requiem Soleníssimo "In Memoriam" do Centenário do Regicídio presididas por Sua Eminência O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. Deposição de coroas de flores e homenagem solene aos túmulos de Sua Majestade O Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real O Príncipe Herdeiro, Dom Luís Filipe.

Nobreza e política

É uma verdade desconfortável: o conservadorismo e o liberalismo são ideologias contra-intuitivas. Guiados pelo princípio instrumental da sat...