Os produtores de leite estão, há anos, com a corda na garganta, tanto que em dez anos o número de explorações de leite caiu 90% (a produção mantém-se estável graças à concentração nos poucos que sobrevivem, que investem o que têm e não têm para ser mais eficientes e aguentarem as regulamentações administrativas, o preço baixo e a "concorrência dos espanhóis". Informo que o que está entre aspas não é xenofobia, é a citação de um verso de Cesário Verde).
Haverá, com certeza, na constituição uns artigos a falar do direito ao trabalho e a uma vida digna que com certeza poderiam ser invocados se os produtores de leite se cansassem de ser mal pagos e gastar energias a ser cada vez mais eficientes, vindo para a rua exigir que o Estado lhes resolvesse o problema.
Adoptando a concepção lata de direito à manifestação que tem vindo a ser proclamado, decidiam então fazer uma garraiada diária na praça D. João I, pacífica e com com todas as medidas de segurança.
Não me parece absurdo visto que da instalação de uma tenda à produção de uma casa deve ir a mesma distância prática, mas também simbólica, que vai de uma garraiada à produção de leite.
Considerando que o direito de manifestação tem a amplitude que tem vindo a ser defendida, em vez de ir com a vacada todos os dias para casa, resolviam pernoitar com o gado na Praça D. João I, assegurando-se de que o gado estava calado durante a noite.
E todos os dias, ao fim da tarde, faziam uma reunião de condomínio, seguida de uma garraiada, após a qual todos se recolhiam em segurança e pacificamente.
Tudo isso durante o tempo que fosse necessário para que o Governo resolvesse o problema do preço do leite.
Não sei por que razão me lembrei desta especulação.
Mas os "jornalistas"-activistas não iriam replicar o discurso e palavras do debate de um dos lados como fazem agora.
ResponderEliminarReplicar o discurso de meros produtores de leite, não fica bem a alunos das "ciencias" sociais, verdadeiros aristocratas.