sábado, 12 de setembro de 2026

Por mim, o PS pode continuar a ser isto

 Transcrevo de Augusto Santos Silva, um antigo Ministro da Educação:

"1. Com toda a franqueza, creio que o Prof. Fernando Alexandre não tem condições para ser ministro da Educação, como hoje mesmo mais uma vez se comprova com a sua entrevista ao 'Público'.

2. Com a ligeireza que caracteriza as suas declarações, avisa quase que de passagem o país que em 2027-28 começará uma transformação absolutamente estrutural no currículo do ensino básico, com a fusão entre o 1.º e o 2º ciclo.

3. Fusão mesmo? Não se sabe, porque além de mais um brindezinho que promete aos professores (menos horas letivas para os docentes do 1.º ciclo) pouco mais diz ou explica.

4. E eu fico mesmo banzado. Então uma alteração desta envergadura é assim decidida: o ministro acha, e manda o Educa preparar? Então não há documentos de avaliação e diagnóstico da situação presente, não há documentos técnicos e de política pública que discutam as várias posibilidades de intervenção, não há especialistas e instituições que sejam chamadas a consulta e cujo conhecimento seja aproveitado, não há um grande debate nacional sobre o tema? (E sim, não há um mínimo de concertação com o partido que é alternativa de governo, visto que estas transformações curriculares decorrem e têm implicações profundas durante vários anos?)

5. Fernando Alexandre vai decidir sobre o currículo como decidiu sobre a digitalização dos exames? É melhor não."

Li a entrevista e Fernando Alexandre levanta de facto essa hipótese (que é uma hipótese em discussão há bastante tempo).

O que diz, é que gostaria de fazer um projecto piloto, num número alargado de escolas, já no próximo ano lectivo, que começa daqui a um ano.

Augusto Santos Silva começa por deturpar a entrevista, ao pretender que Fernando Alexandre disse que estava decidido que a partir do próximo ano lectivo se iria fazer esta alteração.

A partir da deturpação da entrevista, banzado, Augusto Santos Silva faz perguntas retóricas, afirmando que não há documentos de avaliação e diagnóstico da situação presente, não há documentos técnicos e de política pública em que se discutam as várias possiblidades de intervenção, não há especialistas e instituições chamados à consulta, etc., ou seja, a partir da acusação falsa de que o ministro anunciou uma decisão que não anunciou, faz um ataque retórico (para ser um ataque de substância, seria preciso que Augusto Santos Silva, que foi Ministro da Educação, explicasse por que razão acha esta hipótese absurda).

Não satisfeito com a canalhice, Augusto Santos Silva acha muito inteligente chamar a digitalização de exames como exemplo da incapacidade de Fernando Alexandre.

Qual é o problema?

É que a digitalização da correcção dos exames era uma medida prevista pelo Partido Socialista, que foi incapaz de a aplicar, e que Fernando Alexandre aplicou, com graves problemas de aplicação, sim, mas resolvidos e chegando a um ponto em que hoje a correcção de exames é mais simples, correcta, escrutinável e transparente.

É claro que o Partido Socialista não pode mandar calar Augusto Santos Silva, mas continuando o Partido Socialista a ser avaliado por estas atitudes de Augusto Santos Silva, cuja soberba sobre a sua superior inteligência e capacidade não é compreensível pelo comum dos mortais, não há muita esperança para o Partido Socialista.

Até aqui, como o PSOE, a queda destes Partidos Socialistas tem tido um paraquedas relevante: a queda da extrema esquerda acaba por disfarçar a debandada do bom senso que se verifica.

Só que essa fonte de votos e apoio, a extrema esquerda, está, ela própria a esgotar-se.

Ou, o que é pior para o Partido Socialista, uma parte da extrema esquerda acaba a engolir a esquerda destes partidos, como em França.

6 comentários:

  1. PS é mantido por reformados e funcionários públicos.
    Os primeiros vivem de esmolas, em permanentemiséria, os segundos têm medo de perder o estatuto de privilégio em relação ao sector privado.
    Enquanto tiverem este mercado, aguentam-se. Depois é adicionar os descontentes que oscilam no centrão.

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  2. O autor do post é um viajante. Frenético. Começa em Santos Silva e, à sua boleia passa para Fernando Alexandre, antes de dar uma saltada ao PSOE, passear-se nas areias movediças dos partidos socialistas em geral e, finalmente, mergulhar de olhos bem fechados nas águas agitadas da extrema-esquerda.
    Maior vazio de ideias só o do ministro Fernando - cujo maior mérito foi aplicar mal uma aplicação que não foi aplicada por quem a projectou -, que não conseguiu alinhavar uma única sobre a dita fusão, esquecendo-se que a escola existe porque há alunos.
    Siga a marinha!

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    1. O texto é bastante assertivo, e assenta em bases factuais, e não ideológicas. Tem muito sumo.
      Pena não conseguir interpretar e chegar às obvias conclusões de que o ps, o partido das benesses ao funcionalismo público, é nocivo ao país.

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    2. Argumentos de taberna...

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  3. "Ou, o que é pior para o Partido Socialista, uma parte da extrema esquerda acaba a engolir a esquerda destes partidos, como em França."

    È pior nos EUA com o DSA a tomar conta do Partido Democrata. E isto é tudo resultado de boa parte da educação estar nas mãos da extrema esquerda.

    https://x.com/ianmSC/status/2044085796861558913
    What’s impressive about this is that the education system didn’t just eliminate virtually all conservative thought as it moved toward left wing extremism, they got rid of almost anyone who was in the middle too. Anyone who doesn’t fully comply with the groupthink isn’t welcome.

    https://x.com/robkhenderson/status/1975023686794256520
    Relative to Americans with a high school education, Americans with graduate degrees are twice as likely to support political violence.
    More education = higher support for political violence. It couldn't be otherwise.

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  4. A prova dos nove para aferiri se o problema da implementação da digitalização da correção dos exames está aferido será para o ano.

    Até lá, oq ue sabe é que para além da trapalhada e prezuízo de muitos, há muitasempresas de bolsos cheios com a trapalhada que fizeram.

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