quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Partamos do princípio de que a criação do Estado de Israel foi uma decisão errada

 "Se este país tivesse começado a ser invadido por colonatos espanhóis "autorizados" e apoiados pelos europeus e americanos há cerca de cem anos, e os teus avós tivessem sido mortos , tirados de suas casas, humilhados e torturados, como os teus pais irmãos e irmãs. Considerarias errado que uma comunidade internacional digna condenasse os ocupantes? E não acharias justo juntar um grupo de homens e ou mulheres para pegar em armas e defender os teus? A resistência durante a II Grande Guerra seria o Hamas de hoje. Ainda verias as coisas dessa forma? Desde o início do século passado Israel já roubou aos Palestinianos mais território do que o tamanho de Portugal e continua a estender colonatos dentro. Expulsando matando e torturando famílias inteiras, e a preocupação é o Hamas? Sério? Nada justifica o ataque violento que eles fizeram, da mesma forma que nada legítima a continua e tentava de extinção da Palestina e do seu povo por Israel. Por isso sim. O Hamas não faz parte do festival da canção e como tal não temos aqui uma forma de os afastar, mas podemos afastar o opressor. E manifestar o nosso desagrado, a nossa totalidade repudia pelo massacre que eles vêm efetuando há dois anos".

Devo dizer que compreendo inteiramente as pessoas que pensam da forma como está escrito acima, a ignorância raramente dá origem a pontos de vista que reconheçam a complexidade da realidade.

É fácil ter uma posição clara sobre assuntos complexos desde que se ignore a realidade, como é o caso.

Vamos admitir que a descrição feita corresponderia à realidade, que tinha havido uma ocupação nos termos descritos e que a criação do Estado de Israel tinha sido um tremendo erro baseado numa visão colonial do mundo.

Quase oitenta anos depois, o que fazer?

Independentemente da origem estar toda errada, como resolver o conflito hoje?

Os mais radicais acham que é preciso repôr as condições iniciais, o que na sua opinião significa mandar os judeus para os sítios de onde vieram os seus pais, avós e bisavós (esquecendo-se de explicar que isso significaria mandá-los para o Iémen, para o Iraque, para a Síria e, alguns, até para Jerusalém).

Ou seja, liquidar o Estado israelita, suponho que à força, porque não estou a ver os 10 milhões de israelitas, incluindo dois milhões e picos de árabes israelitas, a aceitar esta solução sem resistência.

Os menos radicais, ou mais humanistas, como gostam de se chamar, dizem que é negociando (com quem?) a aplicação da solução de dois Estados (sem explicar que do lado palestiniano, árabe e persa há muito quem não aceite a existência de dois Estados, como o Hamas ou o Irão).

Para não andar muito para trás, há quase um ano que o Hamas fez um acordo que pressupõe o seu desarmamento, a Autoridade Palestiniana instou o Hamas a desarmar-se, mas o Hamas nem uma fisga entregou, até hoje.

E o problema é exactamente este: por muito que a criação do Estado de Israel tivesse sido um erro (questão que não vou discutir), a verdade é que, oitenta anos depois, a situação que existe é o que é, não sendo possível ignorar a existência de um Estado de Israel funcional e uma oposição forte à existência desse Estado.

Sem partir desta base e continuando a insistir na retórica do direito de regresso, não há outra solução possível que não seja a aniquilação da outra parte, que é a solução em que os nacionalistas radicais de Israel e o Hamas concordam, embora discordando sobre qual será a parte que será esmagada e varrida do mapa.

6 comentários:

  1. A profecia do Primo Levi (escritor judeu sobrevivente de Auschwitz), que previu e alertou há muito tempo que certas políticas nacionalistas e militares israelitas iriam corromper ou eclipsar os valores éticos tradicionais do judaísmo e da Diáspora, acabará por se cumprir.

    Tal foi a mágoa e desilusão que se mandou abaixo de um vão de escadas para a morte com 67 anos.

    A questão é quantos mortos levará atrás o eclipse do Estado de Israel… Com a retórica apocalíptico-escatológica tanto de um lado como do outro é impossível saber

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    1. E temos mais uma mentira.
      È o modus operandi tipico dos que se dizem apoiantes dos Palestinianos. Falsos claro, se um dia ficar tudo sobre controlo do Hamas calam-se claro.


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    2. Sou tanto apoiante da população palestiniana civil como da israelita anti-zionista.

      Já agora com o seu contorcionismo retórico unilateral, se não está já, poderia estar a ter benefícios pelas suas posições pró-sionistas.

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  2. "Israel já roubou aos Palestinianos mais território do que o tamanho de Portugal"

    E continua a propaganda, sempre a mentir.

    Israel 22145km2
    Portugal(só Continental) 89000km2

    Já agora a área de Portugal com as ilhas, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé, Timor era de 837000km2

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  3. "do lado palestiniano, árabe e persa há muito quem não aceite a existência de dois Estados"

    Do lado israelita judeu, também.
    A começar por Banjamin Netanyahu.

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    1. E faz muito bem. Já tiveram a lição de Gaza que os Israelitas deixaram totalmente aos Palestinianos que a transformaram no local da terra com mais rockets por km2 e um numero de terroristas maior que o exército de vários países da NATO.
      Só um doido deixa criar ao seu lado algo que o quer destruir.

      Não foi permitido á Alemanha ser país mesmo depois de os Nazis serem proscritos da vida politica. Esteve ocupada mais de 40 anos.

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