sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Há coisas seguras

 O Dr. António José Seguro é um valor. É Presidente da República, o que, na tradição socialista, o faz pronunciar-se presidente de todos os portugueses. Não duvido que seja Presidente da tal república, mas não o tenho como meu. É um homem independente, segundo diz. Ao arrepio dos invertebrados que o elegeram por medo de pior, estreou-se com o veto à lei da imigração, uma violação de legislação europeia subscrita pelo Estado-membro Portugal, e um disparate que nem os juízes do Tribunal Constitucional julgaram colher, e pior, julgaram por unanimidade que não colhia. Dispôs-se seguidamente a receber mais uma comissão de mais não sabemos quais vítimas de abusos sexuais da Igreja Católica [os abusos sexuais são, como sabemos pelos media que sofremos e pelas comissões que vão brotando, um exclusivo dessa instituição]. Foi um gesto simpático e proveitoso: não apenas pelo gesto de irmandade que os maçons unidos apreciarão, mas sobretudo porque o Patriarcado, os bispos, a Renascença-antiga-emissora-católica guardaram de Conrado o prudente silêncio, juntamente com o da cobardia da Igreja [que a própria proclamou há anos, ao fugir a sete pés do debate sobre o aborto [ou interrupção de vida, julgo que é assim que se diz]. E como há coisas seguras, o Dr. António José Seguro veio agora solidarizar-se com António Guterres, cujos confrangedores mandatos à frente da ONU justificou por coincidirem com alguma coisa como «os piores tempos de sempre». A adiposidade intelectual do Dr. António José Seguro dá a mão à adiposidade última do Eng.º Guterres, que desta vez ele expressou através do secretariado-geral.

E os eleitores invertebrados do Dr. António José Seguro -- perguntei-me eu, infantilmente -- será que andam a limpar as mãozinhas à parede? Mas não, é claro que não: a parede está suja demais, e as pessoas prudentes lavam as mãozinhas sigilosamente em casa.


2 comentários:

  1. Como muito bem diz, caro José Mendonça da Cruz, Tó Zé Seguro, foi eleito por 3,5 milhões de invertebrados (não sendo a maioria dos portugueses, são os suficientes para manter Portugal como um país sem coluna vertebral) como valor Seguro para que tudo fique como está ...

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  2. Os eleitores, de facto, são uns canalhas.
    Como não há vontade/coragem política para implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais só nos resta o aumento da pressão financeira para os governos irem "cernelhando" de modo intensamente suave.

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