terça-feira, 8 de setembro de 2026

A malfadada de hoje...

Os noticiários de hoje deram todo o relevo à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito em curso (CPIEC). A vítima: Luís Neves, o Ministro da Administração Interna (MAI). Uma história que vem de há meses e que, na minha modesta opinião, vale nada.

Pois o desgraçado MAI lá esteve umas cinco improdutivas horas, atacado pela esquerda e pela direita. Evidentemente, não assisti a toda essa maratona de baixa política. Ouvi, somente, pequenos retalhos e a sua intervenção final. Da qual retirei alguns dados que parecem interessantes. Um deles, o primordial, o da informalidade da sua actuação.

Compreendo absolutamente que um homem com carreira - jamais posta em causa - na Polícia Judiciária (PJ) paute o seu procedimento por decisões ad hoc, significando isto algumas cedências aqui para atingir objectivos maiores ali. V.g., a complacência ante um pequeno traficante de droga por troca com informações que poderão atingir no coração qualquer tigre do narcotráfico. Não quero dizer sejam aceitáveis processos similares de Neves enquanto MAI. Mas creio compreensível que se tente andar adiante da burocracia do Estado que tudo emperra e nada resolve...

Talvez antes de Neves nenhum ministro tenha pensado assim. E isto dá pano para muitas mangas na fatiota partidária a que andamos vergados há décadas. Veja-se o paradoxal Chega, - o partido que nasceu para acabar com o regime! - cujo maior azar e perdição serão a eficácia do Governo; ou, pelos mesmos motivos, o dos etico-republicanos socialistas.

A propósito, os inquisidores de ofício nesta CPIEC foram, exactamente, os membros do Chega. Rapazes que já terão intuído estão em plano decrescente, eleitoralmente falando. E, por isso se fartaram de falar, interrompendo mesmo a mestre da banda CPIEC, no final desespero de ficarem com a última palavra.

Nesta fase do campeonato, o que essencial há a registar é que o pior da época dos incêndios terá passado. Arderam milhares de hectares, é certo. Mas, dada a especificidade da metereologia à data, podiam ter ardido muitos mais. Não houve perdas humanas nem aldeias destruídas; nem o costumeiro ping-pong de culpas SIRESP/Protecção Civil/bombeiros/autarquias/GNR. O País há anos não viveu Julho e Agosto de modo tão pacífico, salvo nos gabinetes dos partidos e na imprensa colaborante.

Creio que, em dose qb, terá sido a vitória do dito pragmatismo, ou da tal informalidade. Como recompensa, o MAI leva agora com uma trela numerosa de mastins à sua perna. Mas dá a impressão que se vai aguentar.

5 comentários:


  1. "burocracia do Estado que tudo emperra e nada resolve..."

    A diminuição da burocracia depende essencialmente da implementação, rápida e em força, de reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.

    "Arderam milhares de hectares, é certo. Mas, dada a especificidade da metereologia à data, podiam ter ardido muitos mais."

    Está a ver mal a situação. Esqueça a especificidade da metereologia que é "desculpa" ou pretexto para enganar tolos.
    Arderam milhares de hectares, porque simplesmente há um brutal despovoamento do território, tanto nas cidades e vilas como também nas aldeias sendo que muitas delas simplesmente desapareceram.
    Todo este despovoamento é consequência das leis laborais e previdenciárias, que foram implementadas e/ou acentuadas no pós 25 de Abril.

    A solução já foi acima mencionada, a das reformas estruturais.


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    1. O comentador ainda não percebeu que reformas estruturais significam diminuição das despesas e despedimentos. Talvez elucidando os beneficiários da Prestação Social Única, mais uns quantos sem-abrigo, da felicidade de viver no campo resolva a questão. Trabalhar no mundo rural é tão saudável como proveitoso. E agradável. É por isso que todos fugiram …

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    2. Sei perfeitamente as consequências das reformas estruturais.

      E sim, no campo vive-se bem, desde que haja as condições económicas que suportem isso.
      Em Poucos anos, milhares de pessoas iriam para o interior do país repovoando o território.

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  2. Arderam milhares de hectares [...] Mas, dada a especificidade da metereologia à data, podiam ter ardido muitos mais.

    Poder, podiam. Mas a especificidade da meteorologia ajudou, não prejudicou. O facto é que a meteorologia este ano foi particularmente clemente, com ausência de longos períodos de muito calor e vento leste no final do verão, que é quando a vegetação está mais seca e propensa a arder.

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  3. os membros do Chega [...] já terão intuído estão em plano decrescente, eleitoralmente falando.

    Isso não deve ser verdade: as sondagens apontam para a manutenção do CHEGA em termos de adesão popular.

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