segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A imprensa que promove a extrema direita

Ser de extrema direita ou de extrema esquerda não tem grande significado, quer apenas dizer que não há mais nada relevante à direita e à esquerda, respectivamente.
Apesar disso grande parte da imprensa, em vez de discutir programas políticos concretos e reais de toda a gente, da extrema esquerda à extrema direita, entretém-se a fazer julgamentos morais, separando o aceitável (a extrema esquerda) do que não é aceitável (a extrema-direita).
A técnica consiste em substituir o debate racional das propostas de cada um pelo medo do que os maus irão fazer aos bons quando tiverem o poder.
Durante algum tempo, a coisa funciona, mesmo para lá do folclore antifa, que a mim me faz sempre lembrar a imprecação de Caetano Veloso: "que juventude é essa que vão sempre, amanhã, matar o velhote inimigo que morreu ontem".
O problema deste tipo de combate político irracional é quando chegam esses tais "fascistas" ao poder, como a senhora Meloni.
Aí verifica-se que esta nova extrema direita não quer regressar ao fascismo, no seu sentido clássico, respeita as eleições, tem um programa político que tenta executar com todas as dificuldade de execução de qualquer programa político enfrenta no choque com a realidade, enfim, é gente normal, qualquer dia alguns dirão como disse Catarina Martins, que são sociais democratas, ou coisa do género.
Que melão terá a imprensa quando descobrir que por trás da AfD, na Alemanha, não está o renascimento do partido nazi, nem a ressureição de Hitler.
No entretanto, perdemos tempos infindo em que em vez de discutir o programa político destes novos partidos, andámos a correr atrás de miragens, convencidos de que a subida eleitoral de novos partidos resulta de estranhas maquinações e não da simples incapacidade dos que se lhe opõem apresentarem programas melhores.

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