Um amigo mandou-me uma mensagem ontem: "Domingo a terça ventos de leste, embora sem grande intensidade, temperaturas acima de 35 ºC e fraca recuperação nocturna".
Boas notícias, no sentido em que o vento não é forte.
Quanto ao resto, vão ser, inevitavelmente, uns dias agitados, não fui ver previsões mais localizadas de FWI para saber onde e quão agitado, mas sei que será independente de haver cadastro, haver incendiários, haver eucaliptos, etc., e tal, são dias agitados porque a meteorologia é a descrita e os combustíveis abundam.
E serão mais agitados do que o necessário porque em cima desta meteorologia e da disponibilidade de combustíveis, temos uma doutrina de supressão reactiva, assente no combate directo (quando é feito) com água, mesmo quando o incêndio está para lá da capacidade de extinção, que despreza as oportunidades criadas pela diminuição da disponibilidade de combustíveis e grande parte do dispositivo estará espalhado por estradas e aldeias, à espera que o fogo chegue, em vez de estar mobilizado para ampliar as oportunidades de controlar os danos através da diminuição de combustíveis no percurso previsível do incêndio.
Inevitavelmente subirão de tom as afirmações graves e seguras sobre alterações climáticas, incendiários e desordenamento do território, campeará o jornalismo de incêndios habituais com jornalistas em diversos sítios a dizer os mesmos lugares comuns sobre alterações climáticas, eucaliptos, incendiários e interesses vários, que servem essencialmente para desviar as atenções das duas únicas coisas que interessam: disponibilidade de combustíveis e doutrina de supressão.
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