Durante dois a três dias, o Público chegou a pôr o assunto na primeira página, boa parte da imprensa falou de uma coisa extraordinária: em vez de dez mil, tinham sido apenas trezentos e poucos a candidatar-se ao ensino superior no primeiro dia do prazo.
Era evidente que esse facto não tinha a menor importância, com certeza reflectia as perturbações do processo de classificação dos exames, mas não passava de uma perturbação sem significado que o tempo corrigiria, e nem o facto de este ano haver mais três dias de prazo de candidatura foi referido.
Os bonecos acima apresentam de duas maneiras diferentes os mesmos números, um toma como referência os dias que faltam para o prazo final, outro compara a partir do primeiro dia.
Quer num caso, quer noutro, o que se verifica é que já há mais alunos com candidaturas apresentadas que no ano anterior, ou seja, o grande problema de nos primeiros dias haver menos alunos candidatos que no ano anterior, morreu de tédio.
E não há maneira de convencer grande parte dos jornalistas que uma das suas principais funções, daquelas em que um jornalista se distingue de um mané qualquer que escreve num blog, como eu, é que cabe ao jornalista a grande responsabilidade de seleccionar o que tem relevância e não tem relevância, dentro da infinita informação que todos os dias lhe cai no colo.
Boa parte dos jornalistas não teme, mas devia temer, o viés de confirmação inerente à condição humana, não se atendo estritamente às regras formais da profissão, decantadas por anos de experiência, exactamente para proteger o jornalista dos vieses que todos temos.
Grande parte do jornalistas tem da sua profissão uma visão excessivamente messiânica.


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