domingo, 16 de agosto de 2026

A "liberdade" bloquista

Em recente estadia na Sérvia, entretive-me inquirindo os locais - de Belgrado e não só - acerca da sua preferência: Tito ou a actualidade? Com grande surpresa, todos os perguntados - e ainda foram alguns - manifestaram-se saudosistas do velho Broz... Mas porquê, insistia eu; e a explicação também não divergia, batia sempre o mesmo ponto: - era um regime monopartidário, não havia liberdade de culto religioso, só alguns baptizavam clandestinamente os filhos, reconheciam eles, mas tinhamos trabalho certo, ganho certo, não passávamos privações e não queriamos saber de política.

Percebia-se: trocavam a segurança do quotidiano por tudo o mais. Tal qual os portugueses com Salazar, a quem somente a Guerra Colonial foi capaza de abalar a sua bem-aventurança.

Lembrei-me disto a propósito de um cartaz que se vê por aí, colado pela sageza do BE: «Liberdade é ter casa». Não é. Ter casa é um direito que assiste a todos os cidadãos, direito esse, aliás, desprovido de garantias que o assegurem. A liberdade é, além do mais, poder o BE continuar a dizer disparates e desejar para os portugueses a tal segurança titoísta-salazarista.

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