Morreu por estes dias, com 51 anos, João Abreu que conheci pelo Museu da Paisagem e veio a ser fundamental na produção do livro "Das pedras, pão" de Duarte Belo e meu.
Em rigor, o João deveria aparecer com um dos autores, dada a importância da produção cuidada e das discussões sobre as opções de publicação.
Quem me conhece sabe que sou muito, muito teimoso, e houve opções no livro que só o bom senso e capacidade do João conseguiram resolver, quando eu insisti em fazer o livro bilingue (com tudo o que isso implica de complexidade na produção do livro) ou a opção de o editar recorrendo a crowdfunding, opção que nunca tinha sido feita pelo Museu da Paisagem e sobre a qual havia muitas resistências (perfeitamente racionais).
Não fui propriamente amigo do João - nem sabia que estava doente - mas gostei muito de trabalhar com ele e de o conhecer.
A última vez que o vi, brevemente, não foi há muito tempo, foi no lançamento do livro Portugal Refractário, como fotografia de Duarte Belo, texto e notas de António Araújo e, pelo que me dizem, o João já estava muito doente, mas não dei por isso.
Se não conheceram o João, vejam o que fez com as publicações do Museu da Paisagem.
E com o Museu, já agora, de que foi o principal motor.
E, já que o livro que tenho por lá está esgotado, comprem, vejam e leiam este Portugal Refractário que estou a ler, vou em trezentas das quinhentas páginas, que se lêem e vêem sem esforço.
É uma boa maneira de tirar o chapéu ao João Abreu, pelo que fez com a vida.
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