A nossa última vaga de calor, em Junho, creio que todos se aperceberam não ter causado estragos de maior. Evidentemente, os incêndios multiplicaram-se, não há como evitá-los. Mas as perdas humanas não ocorreram e escassas foram os casos de gente desalojada, de habitações comidas pelas chamas. Sobretudo, não aconteceu o usual "granel" entre Protecção Civil, o SIRESP, a GNR, os bombeiros, com remessa recíproca de culpas e acusações. Com o ar apartidário de quem comunica na televisão uma apreensão record de cocaína, o Ministro da Administração Interna falou antes, pôs quem de direito em prevenção e, contas feitas a final, foi como referi - do mal o menos, sem pasto para labaredas parlamentares.
Pessoalmente apostei neste ministro Luís Neves, um homem buscado ao seu dia-a-dia de fazer muito e falar pouco. Seria, por isso, necessário recorrer a outros expedientes. Em tão sensivel matéria, e depois dos cataclismos da era socialista, um ministro competente pode ser, para a Oposição, o caos eleitoral. E para os jornais um assustador vazio de vendas.
De modo que foi o tanque no Alentejo, como o sexo dos anjos em Bizâncio. Depois (creio que o tanque não logrou grande projecção), uns carris suspeitos, utilizados pelo sinistro ministro... E, a reforçar, um suspeito atrelado TIR deixado à sua porta, com um papel qualquer assinado por um elemento da Judiciária. Deve dar assunto até às férias que os representantes da Democracia costumam passar poupadamente no Algarve. É o que nos prometem o Chega, o PS e aqueles quatro ou cinco barulhentos da ponta esquerda.
Aqui na República é assim: um bom ministro é sempre um mau ministro!
Sem comentários:
Enviar um comentário