sábado, 18 de julho de 2026

O ministro sob fogo

A  nossa última vaga de calor, em Junho, creio que todos se aperceberam não ter causado estragos de maior. Evidentemente, os incêndios multiplicaram-se, não há como evitá-los. Mas as perdas humanas não ocorreram e escassas foram os casos de gente desalojada, de habitações comidas pelas chamas. Sobretudo, não aconteceu o usual "granel" entre Protecção Civil, o SIRESP, a GNR, os bombeiros, com remessa recíproca de culpas e acusações. Com o ar apartidário de quem comunica na televisão uma apreensão record de cocaína, o Ministro da Administração Interna falou antes, pôs quem de direito em prevenção e, contas feitas a final, foi como referi - do mal o menos, sem pasto para labaredas parlamentares.

Pessoalmente apostei neste ministro Luís Neves, um homem buscado ao seu dia-a-dia de fazer muito e falar pouco. Seria, por isso, necessário recorrer a outros expedientes. Em tão sensivel matéria, e depois dos cataclismos da era socialista, um ministro competente pode ser, para a Oposição, o caos eleitoral. E para os jornais um assustador vazio de vendas.

De modo que foi o tanque no Alentejo, como o sexo dos anjos em Bizâncio. Depois (creio que o tanque não logrou grande projecção), uns carris suspeitos, utilizados pelo sinistro ministro... E, a reforçar, um suspeito atrelado TIR deixado à sua porta, com um papel qualquer assinado por um elemento da Judiciária. Deve dar assunto até às férias que os representantes da Democracia costumam passar poupadamente no Algarve. É o que nos prometem o Chega, o PS e aqueles quatro ou cinco barulhentos da ponta esquerda.

Aqui na República é assim: um bom ministro é sempre um mau ministro!

7 comentários:

  1. De acordo excepto numa coisa; Não vai durar.

    E não vai porque está desde o princípio a parecer forçado.

    A Oposição fez o foguetório mas sem muita pimenta, porque era evidente não haver substância.

    A Comunicação Social esticou o que pôde, mas saltava a vista não ter a que se agarrar

    Colaram-se ao atrelado, mas parece que por aí também não vão longe.

    A menos que apareça algo novo, vão ter de agarrar-se aos exames e fazer nascer dai um bicho de sete cabeças

    Paciência, tempo de vacas magras


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  2. Pode aproveitar o "insignificante" e não licenciado "tanque" para continuar a lavagem da integridade e honra do minitro.
    Também eu tive muitas esperanças na pessoa em questão, mas com o que se vem sabendo e não desmentido, parece que temos um lobo com pele de cordeiro.
    Pode-se sempre achar insignificante o conteudo dos relatos, quem rouba um centimo não deixa de ser ladrão, é aquela coisa dos principios que mutios apregoam, poucos tem, e muitos se esquecem quando se trata de alguém de quem gostam.

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  3. "Um bom Ministro é sempre um mau ministro"

    Tem dias, como tudo o que no fundo no fundo, depende da Comunicação Social.

    As vezes é um Mau Ministro que é sempre um bom ministro.


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  4. "Evidentemente, os incêndios multiplicaram-se, não há como evitá-los."

    Só mesmo após as consequências das reformas estruturais (abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos, seguindo-se outras reformas estruturais) que serão o do repovoamento do interior com a sua exploração económica.

    Luís Neves ainda não ressuscitou o extinto SEF, ou seja continua com a AIMA que não tem poderes de polícia, limitando-se a ter funções burocráticas.

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  5. Caro João-Afonso.
    Eu não estaria tão seguro quanto o seu penúltimo parágrafo sugere. No seu 1º governo, J. Sócrates foi reformista e aparentou enfrentar interesses instalados. Mas também foi foi fazendo coisas inaceitáveis que o tempo mostrou...

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    Respostas
    1. Caro H Almeida
      Aceito que ainda não haja horizonte temporal para comparações.
      Mas creio que em qualquer caso, postos na balança, não haverá mais caso que pese tanto como o de Sócrates. Mesmo de Costa, pudemos dizer que é o mais habil vigarista da política portuguesa, mas, se o quisermos comparar com Sócrates estaremos sempre a comparar o incomparável. São planos muito diferentes.
      E o Sócrates do Simplex foi sempre um Sócrates a capitalizar dinheiros e interesses...

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  6. Há qualquer coisa de profundamente falso no neves das percepções ...um arrivismo ( vide licenciatura) socrático... duas partes de Abranhos , uma de Dâmaso Salcede...uns "póses" de Matias ( Eça sempiterno...) ...Um sub-produto de Gabinetes de Imagem conluiados com redacções "merdiáticas" ( ao melhor estilo costista...)...O homúnculo tem tudo para ser um "sucesso" no "torrãozinho de açúcar"...
    Juromenha

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