Em 1915, um obscuro periódico provinciano, "Os Ridículos", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se «no seu estado interessante», pelo que não demoraria a «dar à luz um neto da de 5 de Outubro. Que tenha ao menos boa hora e um parto feliz... sem incomodar muito os vizinhos...».
Caíra, ainda recentemente, o Governo chefiado pelo General Pimenta de Castro, o militar que Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República, chamara aflitíssimo: «Vejo-me violentado a intervir novamente nesta amaldiçoada barafunda política (...). Se não se acode desde já com firmeza e prontidão ao incêndio em que as facções estão ardendo há muito tempo, como desejando reduzir tudo isto à podridão e à miséria, estamos perdidos, careço de ti (...). Em duas palavras: preciso de um governo extrapartidário (...). Esta ideia que, há um mês atrás, era repelida pelos políticos militantes hoje (...) será aceite pela força das circunstâmcias».
Pimenta de Castro anuiu. Os "democráticos" de Afonso Costa, não. E, desenvolvendo a mais demagógica campanha contra o velho General, acusando-o de conluio com monárquicos e católicos, manipularam, exaltaram e armaram o povo lisboeta (melhor dizendo: os muitos carbonários sempre a postos na Capital). A revolução ocorreu em 12 de Maio de 1915, os mortos superaram os 200 e os feridos o milhar; Pimenta de Castro foi preso e deportado e Arriaga pagou cara a sua romântica ingenuidade, ameaçado e julgado, com a turbamulta invectivando o seu fuzilamento... Viveria mais dois anos apenas.
Daí para a frente... Não será necessário prosseguir o enunciado de vilezas desta 1ª República de 16 anos e 45 governos e duas juntas; com um presidente, só um, a concluir o mandato respectivo. (Pobre António José de Almeida, em 1922 incapacitado de viajar para o Brasil, em visita oficial, porque o navio, de máquinas avariadas, e o erário público, esvaziado, não lhe consentiram zarpasse do Tejo...)
E assim andando, o dia chegou em que, aberta a sessão do parlamento, se verificou estarem presentes somente 37 deputados. Não havia quorum e o seu encerramento foi logo declarado. Era 31 de Maio de 1926. A 28, o Marechal Gomes da Costa, à frente de 15 mil militares, viera triunfalmente de Braga até Lisboa, sob os aplausos delirantes de um povo inteiro. Era a "Revolução Nacional" que perfaz hoje cem anos. O Marechal, um sanguíneo, quase explodia explicando o seu gesto aos portugueses: «Para homens de dignidade e de honra, a situação política do País é inadmissível. Vergada sob a acção de uma minoria devassa e tirãnica, a Nação, envergonhada, sente-se morrer. Eu, por mim revolto-me abertamente (...). Portugal, às armas, pela Liberdade e pela Honra de Portugal».
Há um século, pois, nascia a 2ª República. É bem verdade que, em menos de um fósforo, o Marechal Gomes da Costa era emprateleirado, emergindo na Presidência o General Óscar Carmona, já com um Ministério e Salazar na Pasta das Finanças... Nada mais é preciso acrescentar senão o óbito desta 2ª República, ocorrido em 25 de Abril de 1974; quando então, justamente, nasceu a neta 3ª República, essa que "Os Ridículos" haviam futurado em 1915. Aliás, hoje uma madura já cinquentona e muito dada a certas promiscuidades... Viverá ela eternamente? Sobreviverá ao julgamento de José Sócrates?. Eis o que, aqui no meu Reino, somente me preocupa pelo lado tributário do problema...

E que tributos vamos pagando. Abraço amigo
ResponderEliminarFernando Antolin
Pois sem dúvida!
EliminarUm abraço, caro Fernando Antolin!
ResponderEliminar"Eis o que, aqui no meu Reino, somente me preocupa pelo lado tributário do problema..."
É necessário baixar impostos e começa-se, pela implementação, rápida e em força, de reformas estruturais a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.
Sobre a abolição do salário mínimo, para ser franco não tenho opinião formada.
EliminarJá sobre as reformas estruturais... são urgentíssimas mas estes, os actuais, não dão grandes expectativas. Ficarão para a 4ª República, provavelmente.