"Sabemos, por instinto, que isto não chega. Que é preciso haver alguém. Um agente. Um procurador. Alguém que, em nome do “nós”, esteja diante dos outros. Um “nós” feito dos que estão vivos, dos que estão mortos e dos que ainda estão para vir. Exactamente onde todo o acto político devia começar. Na obrigação para com quem não pode responder.Antigamente isso resolvia-se de forma simples. Havia um Rei. Morria o Rei, vinha o filho. Como antes dele viera o pai. Assunto encerrado. Não porque os reis fossem virtuosos por definição, mas porque a ideia de legitimidade traz consigo uma força que nenhuma eleição para Presidente da República consegue reproduzir."Manuel Fúria, Revista Visão "A questão da Questão Monárquica" 09.01.26
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A campanha para as eleições presidenciais está mais acesa do que nunca, destacando-se pela imprevisibilidade do resultado, algo pouco comum nas últimas décadas. O clima de competição acirra a vaidade dos candidatos, pois trata-se de uma eleição uninominal, onde cada um luta pela sua própria figura. Este contexto tem proporcionado um espectáculo pouco edificante, especialmente se considerarmos que o cargo em disputa é o de Chefe de Estado, cuja função deveria ser representar toda a nação. Para qualquer observador atento, esta realidade deveria causar perplexidade. Dir-me-ão os leitores que me repito, e eu dou-lhes razão: é inevitável passados tantos anos e várias eleições presidenciais que me repita, facto que só comprova a minha coerência.
O que distingue esta eleição das anteriores é a intensidade do confronto, resultado do elevado número de candidaturas que se encontram empatadas nas sondagens. Apesar dos conflitos e das acusações mútuas, há a convicção de que, com o tempo, tudo será esquecido e o eleito acabará por ser visto como “presidente de todos os portugueses”. A população, por sua vez, tende a conformar-se, desde que a sua rotina permaneça inalterada “a vida como habitualmente”, perpetuando o sentimento de marasmo que parece adiar continuamente o desenvolvimento do país. Este conformismo só é possível porque (ainda) não existe um problema de nacionalidade: o território, as fronteiras e a língua estão há muito estabelecidas – estamos solidamente incrustados no ocidente da Europa, e do mar que um dia foi porta para o mundo, ainda aproveitamos a vista. A religião, um factor em tempos de estabilização social, veio perdendo importância na definição da identidade. E não foi por culpa dos árabes, paquistaneses ou hindus, muito menos por culpa dos brasileiros ou africanos.
Não sei se é sorte ou maldição o país (todos nós) em que nascemos. Só os portugueses para aguentar e pactuar com a mais chocante falta de institucionalismo que foi a marca de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo esforçou-se por todo o mandato a provar-nos que o seu cargo era inútil, uma supérflua redundância, a querer-se um igual aos outros, com as liberdades de todos, fosse a mudar de roupa em público na Baia de Cascais ou a debitar banalidades e inconfidências entre copos de ginjinhas perante o embaraço dos compatriotas. Mas o que não precisamos certamente é de um Chefe de Estado que se reclame progressista, reaccionário, socialista ou liberal. O país dispensa um chefe de facção disposto a envergonhar-nos com ideologias a promessas de amanhãs que cantam.
Falta ainda à sociedade portuguesa a consciência do poder individual que cada de nós possui para ser protagonista da própria vida, agindo com generosidade e ambição. Não é sensato depositar esperança em “homens providenciais” que se reclamam capazes de transformar o país ou libertar a economia a partir de Belém ou de São Bento. Esse papel deveria caber a cada português, consciente da sua liberdade e responsabilidade. Só uma rede de comunidades autónomas e empreendedoras, famílias, concelhos e cidades, com organismos intermédios feitos por homens livres e comprometidos, seria merecedora de um Estado verdadeiramente neutral.
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ResponderEliminarA campanha eleitoral é pouco mais que irrelevante.
Entre os candidatos só há um com vasta experiência política e governamental que é Marques Mendes.
Seguro e Gouveia e Melo nem deviam ter direito a candidatar-se, o primeiro por extrema burrice (nas primárias do PS contra o comunista Costa) e o segundo pela farsa do Covid.
Tudo bem, mas somos uma República. Entretanto insistir em votar para PR em alguém de origem partidária será óbviamente, novamente, quartar a evolução do País para uma escorreita democracia. Entregar o cartão partidário é anedótico. Não proponho Gouveia e Melo, menciono uma evolução cultural.
ResponderEliminarO outro, e pior obstáculo a essa desejada e mesmo necessária evolução política para uma vera democracia, será a eleição dos deputados em formato uninominal. Na AR os parlamentares têm que ser os representantes dos eleitores, e não funcionários dos partidos.
Sem estas duas evoluções o que politicamente sobrevive é uma continuada e destruidora para o País, partidarite.
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ResponderEliminarcansa ouvir tanta imbecilidade, ignorância e má-fé a todos os níveis.
ResponderEliminarvotava Mendes, mas não estou disposto a perder o meu tempo.
A perda de "importância" da Religião é mais aparente que real.
ResponderEliminarO Almirante Gouveia e Melo está a correr em nítida desvantagem;
ResponderEliminarOs adversários tem o treino (em português antigo - patuá) e tinha dos corredores partidários.
O Almirante, tem o saber técnico e a capacidade de comando que o levaram ao mais Alto Cargo da nossa Marinha de Guerra.
Hoje pela primeira vez nesta Campanha ouvi o Almirante Gouveia e Melo pôr os Pontos nos iis e chamar os bois pelos nomes.
Se continuar assim, não os deixando descansar e der onde dói, será com certeza, o próximo Presidente da República
A melhor sondagem, a que dirá a inegável verdade, sai já no próximo Domingo, quando as urnas forem encerradas.
ResponderEliminarAí vamos saber o que disseram os Portugueses