sexta-feira, 16 de maio de 2025

Carlos Moedas está completamente enganado

Um amigo mandou-me a decisão da Câmara em que se proíbe a provocação desnecessária do Ergue-te! prevista para hoje no Martim Moniz.


Respondi-lhe que nem ia verificar se o documento era verdadeiro porque não tinha dúvidas de que era impossível que Moedas não só tomasse essa decisão (proibir uma manifestação provocatória de um partido em campanha eleitoral, argumentando que há grupos que se podem revoltar contra a presença de elementos da cultura dominante no país), como muito menos me parecia possível que justificasse a decisão nos termos em que o fez.


Eu estava enganado.


Por mais que tudo tenha sido feito com base no parecer da polícia, por mais que o risco de perturbação da ordem pública seja real e elevado, Moedas não é um funcionário da polícia, é um responsável eleito que tem de correr riscos, quando está em causa a liberdade de expressão.


A liberdade de expressão tem mesmo de incluir a liberdade de ser estupidamente provocatório, e se Moedas acha que a coisa pode correr mesmo mal, que trabalhe para evitar isso (duvido que o risco desta manifestação seja maior que o risco dos maluquinhos do futebol num jogo como o da semana passada ou do que vai acontecer no Sábado, seja qual for o campeão nacional de futebol).


Não só é inacreditável a decisão de Moedas, como é inacreditável os termos em que a justifica (mutatis mutandi, parece Pedro Pinto a dizer que Ventura não pode ficar num quarto de hospital com um cigano como companheiro de quarto) como é ainda inacreditável a quantidade de campeões da liberdade de expressão e da multicultiralidade que ficam calados perante este evidente abuso de poder.


Sim, é verdade que o Ergue-te! resolveu fazer uma provocação estúpida e desnecessária, mas o direito à asneira é sagrado, quando está em causa o respeito pela liberdade de expressão.


Questão diferente seria se o Ergue-te! decidisse expulsar alguém do Martim Moniz fosse sob que pretexto fosse, uma coisa são as palavras, que devem ser livres, outra coisa são as acções, que são limitadas pela lei e pelo efeito em terceiros.


O Ergue-te! quer batatada, isso parece-me uma evidência, cabe à polícia desenhar um dispositivo que limite essa possibilidade, o que é completamente inaceitável é que um Presidente de Câmara ache que pode restringir o direito de manifestação, nomeadamente em contexto eleitoral, porque tem a opinião (fundamentada, sem dúvida) de que os manifestantes querem é batatada.

19 comentários:

  1. Henrique Manuel Nunes de Almeida16 de maio de 2025 às 12:09

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  2. É engraçado que o ergue-te não possa fazer o churrasco naquele local, se o ergue-te pretende-se fazer o mesmo churrasco no país de onde aqueles moradores são oriundos também não o podia fazer.

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  3. A via é pública, o direito à opinião está na Constituição, não se percebe como um orgão de soberania local ou nacional pode impedir livre acesso a manifestação.
    Mais uma vez o Estado a limitar a liberdade individual.

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  4. Subscrevo! 
    No entanto a decisão de Moedas não me espanta absolutamente nada. No fundo, Moedas, mais não é que um floquinho de neve, ou um woke, se preferirem, envergonhado, que se esconde atrás de um parecer policial ... 

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  5. As eleições locais estão à porta, quem afirma que o autarca está enganado que vá a eleições e governe sem enganos.

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  6. Os maluquinhos do futebol, se lhes der para o disparate, é da fome. Não podem haver restaurantes abertos perto do Estádio. 
    Nem o Maduro faria melhor. 

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  7. Moedas é um globalista, é um woke e anti woke quando lhe convém.  
    Alí não há nada, veja-se como ele queria comemorar um tipo da extrema esquerda e o CDS teve de lhe puxar as orelhas. A única vantagem é que ele não é logo de esquerda ou extrema esquerda á partida.

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  8. No geral, concordo consigo. A liberdade de expressão inclui a possibilidade de mostrar ao mundo que somos umas bestas. E a manif do Ergue-te deveria ter sido autorizada.


    No entanto.... levando o argumento ao extremo, imaginemos que um grupo de idiotas ia para Marim Moniz gritar "monhés para a vossa terra", mostrava cartazes de indianos enforcados e mortos, etc. Ou seja apenas se iam manifestar, mas a manifestação era claramente para mostrar que estão de acordo com, e querem, violência.


    Mesmo assumindo que apesar do tom, a manifestação corria sem incidentes, não sei se, eu sendo presidente da CML, aceitaria. 


    Se é verdade que os grunhos se estavam apenas a manifestar, também é verdade que os visados pela manifestação teriam razões para se inquietarem com a sua própria segurança.

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  9. Apenas uma pequena adenda ao texto do Henrique.



    Os políticos em Portugal têem uma curiosa interpretação da liberdade de expressão.


    Já lá vão uns anos valentes, o PNR colocou um cartaz no Marquês a mandar o imigrantes para a terra deles. Os Gato Fedorento colocaram outro, a gozar como o PNR. Pois bem, o cartaz dos Gato Fedorento foi retirado pela CML porque não tinha licença, mas o do PNR ficou por causa da liberdade política. Subentende-se que os cidadãos não (https://www.publico.pt/2007/04/05/politica/noticia/camara-de-lisboa-manda-retirar-cartaz-do-gato-fedorento-1290405).


    Aquando foi do Covid, toda a gente estava confinada aos limites do concelho. Toda a gente, excepto claro, os partidos políticos por causa da sacrossanta liberdade de expressão... para os partidos. Os cidadãos, esses comem e calam.


    E agora no Martim Moniz, o comício de um partido político é proibido porque ... há a possibilidade de violência. Mas como o Henrique bem diz, ninguém proibiu os jogos de futebol.


    Parece-me que a liberdade de expressão, para os políticos que temos é sobretudo uma forma de limitar a concorrência de outras vozes no espaço público.

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  10. O incitamento à violência é (creio eu) crime. Se alguém, numa manifestação ou alhures, incita à violência contra quem quer que seja, pode levar com um processo judicial em cima. A solução não é interditar a manifestação, é punir quem nela se porte mal.

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  11. Ninguém proibiu a bola mas fecharam restauração 

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  12. Sempre se soube que Moedas não servia, é apenas o produto propangandistico de quem o promoveu. O que é que o Moedas fez até hoje para merecer a confiança de quem o colocou na CML?
    Mas é bom que pessoas insuspeitas reconhecerem que Moedas não presta.

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  13. O post não diz, nem sequer sugere, que Moedas não presta, o post é uma discordância sobre uma decisão concreta.

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  14. Correcto. Mas quem tem poder autorizar tem que pesar a possibilidade de haver violência. Eu achando que a possibilidade de violência é real, não permitiria a manifestação.


    E a malta ligada ao Ergue-te tem um historial de crime e violência.

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  15. Dr. Henrique Pereira Santos, não sei porque não publica os meus comentários.
    Formulo sempre opiniões com educação especificando factos públicos.
    Além de ler os seus artigos sempre com interesse.

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