Corre por aí a ideia de que Montenegro não tem condições para ser primeiro-ministro.
Parece que a esquerda inventou uns critérios quaisquer para contrariar o que diz o nosso sistema democrático: quem tem condições para ser primeiro-ministro é quem tem apoio parlamentar para isso, resultante de eleições gerais em que cada pessoa vale um voto (com as entorses que referi um dia destes, mas o princípio geral é este).
Um criminoso que tenha assassinado a mãe assando-a em fogo lento durante horas, tem condições para ser primeiro-ministro, desde que tenha apoio parlamentar, visto que nada impede um criminoso de exercer cargos que resultam de eleições (se deve ganhar as eleições com esse cadastro, cabe aos eleitores decidir, e mesmo que tenha uma maioria absoluta isso não o iliba de responder na justiça pelo crime).
Dizer que "Luís Montenegro colocou-se numa posição eticamente indecorosa, para a qual arrastou o PSD, Governo e o conjunto do regime" é defender posições anti-democráticas que pretendem limitar o exercício de direitos políticos com base em critérios que ninguém sabe quais são (como se define o que é uma posição eticamente indecorosa? Quem arbitra as diferenças de opinião sobre o que é uma posição eticamente indecorosa?).
Para se ser primeiro ministro não é preciso ser eticamente inatacável, ter bom gosto, boas maneiras, ser bom rapaz, inteligente, bondoso, sensato, etc., etc., etc., basta ganhar as eleições, esse é o princípio geral.
Cabe a cada um dos eleitores o juízo sobre se os candidatos têm ou não condições para o exercício do cargo, votando, ou não votando, nos candidatos que existem.
Tudo o resto é o habitual esquema da esquerda que acha que é a dona da bola e que só há jogo se a deixarem jogar a avançada, que é como quem diz, só há escolha dentro dos limites impostos pela esquerda e pelas suas opções.
Suspeito que, em Portugal, mas no resto do mundo também, há muita esquerda que acredita na história da carochinha da maioria sociológica de esquerda e ainda não percebeu que se quer ganhar as eleições só tem de convencer a maioria dos eleitores de que é a melhor solução para governar o país nos quatro anos seguintes.
Andar a dizer que os outros não têm condições para o cargo com base nas suas próprias opiniões, parece-me completamente inútil, cada um de nós tem a estúpida mania de votar de acordo com as opiniões que tem, e não com base nas opiniões que os outros acham que estão certas.
Muito bem, mesmo um criminoso não perde os seus direitos de cidadão, o unico que perde é a liberdade.
ResponderEliminarPerdidas as eleições, pedida a maioria sociológica, a esquerda começa por recorrer ao activismo. Primeiro greves e manifestações, finalmente terrorismo. Sempre assim foi e também assim será.
ResponderEliminarÉ simples, quando não agrada, não se liga, e quanto aos comentários, não se publicam ... democraticamente.
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