"Ambientalistas preocupados com o ‘eclipse’ da Conservação da Natureza no Ministério do Ambiente" era o título (não li a notícia, não sou assinante do Expresso) de uma notícia que reflecte uma preocupação de vários dos meus amigos ambientalistas e conservacionistas.
Essa preocupação decorre do facto de "Conservação da natureza" não estar no nome de nenhuma secretaria de Estado e percebi, numa conversa com um desses meus amigos, que eu fiz uma interpretação desse "eclipse" bem diferente da generalidade dos ambientalistas que conheço e das organizações que se reclamam do ambientalismo.
Para mim, que considero que os governos são muito menos relevantes do que pensam, o eclipse da conservação da natureza e do ordenamento do território na orgânica do governo é essencialmente um erro de comunicação que resulta de um erro prévio: o CEN (Conselho Estratégico Nacional) do PSD não tinha, aparentemente, ninguém relevante nessas áreas e a sua coordenação não sentiu que quer a conservação da natureza, quer o ordenamento, são matérias com alguma relevância comunicacional (se têm relevância social, já lá vamos).
O Governo reflecte essa ausência de pensamento sobre o assunto (eu até defendo a revogação total ou quase da política de ordenamento que temos, mas uma coisa é pensar isso, outra coisa é ignorar que existem ideias de ordenamento do território) e, no meu pragmatismo, pensei simplesmente que se tinham estado nas tintas para o assunto, levando a conservação da natureza para o ministério da agricultura, por arrastamento das florestas, visto ter havido uma fusão dos dois sectores no mesmo organismo, há anos.
Parece (escrevo parece porque não tenho nenhuma informação concreta de como se distribuem as competências de conservação no governo) que não terá sido assim ou, pelo menos, a interpretação dominante é a de que a conservação da natureza estará no ministério do ambiente, embora eclipsada.
Tudo isto é, para mim, largamente irrelevante (os meus amigos ambientalistas que acham gravíssimo este eclipse são incapazes de elencar duas ou três razões que demonstrem que ter tido secretarias de estado chamadas da conservação da natureza, nas últimas décadas, fez alguma diferença), o que gostaria de fazer notar é que o facto do CEN do PSD se ter estado nas tintas para estes dois sectores não me parece que corresponda ao troglodismo político de se ser contra políticas de conservação, mas ao facto de realmente a conservação da natureza e o ordenamento do território serem matérias sem relevância social, actualmente.
Tirando meia dúzia de pessoas (nas quais me incluo), a sociedade quer conservar os bichinhos e as plantinhas, com certeza, mas quando compara a sua preocupação com isso com as suas preocupações com a escola dos filhos, o acesso à saúde, a procura de uma casa, a guerra, a transição energética, a subida dos preços, etc., a conservação perde qualquer relevância e não faz o voto de ninguém ir mais para aqui ou mais para ali.
E se isto é verdade para a conservação, para o ordenamento, nem se fala.
Resta, entre os poucos que se interessam pela matéria, discutir que responsabilidade existe, por parte de conservacionistas e ambientalistas, na perda de importância social destes assuntos.
ResponderEliminarque responsabilidade existe, por parte de conservacionistas e ambientalistas, na perda de importância social destes assuntos
Mas estes assuntos alguma vez tiveram mais relevância social do que a que têm atualmente?
Anda por aí muita gentinha que devia ser eclipsada.
ResponderEliminarDeve ter dado um eclipse no Pedro Nuno Santos. O gajo tem uma letra horrível. Já viram a carta que enviou ao Montenegro?
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ResponderEliminarPergunte aos nossos investigadores universitários na área da sociologia. São tantos que enchiam o Terreiro do Paço.
ResponderEliminarmesmo nao sendo ambientalista ou conservacionista, nem o contrário, a ultima frase do post está demais !!!
ResponderEliminarPois, discuta-se o assunto .